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Jun 09 2009

Pensar as Cidades

Publicado por António Guilherme Almeida a 16:09 em Artigos Gerais

A emergência das cidades e dos territórios

As dinâmicas da globalização e da integração europeia, a evolução da economia de mercado e da sociedade do conhecimento, a competitividade entre os territórios e as opções estratégicas dos actores públicos e privados condicionam a ocupação do espaço e influenciam a organização do sistema territorial.
O cenário mundial revela tendências de urbanidade praticamente irreversíveis. Segundo as conclusões do relatório anual do Wordwatch Institute, “State of the World 2007: our urban future”, mais de metade da população mundial vive em cidades. Na Europa 75% da população vive actualmente em 10% da sua área territorial, convertendo-se num dos continentes mais urbanizados do mundo. O futuro perspectiva o acentuar destas tendências, obrigando as cidades a enfrentar novos paradigmas de desenvolvimento urbano.
Neste contexto, as cidades assumem um papel cada vez mais relevante de concentração de pessoas, do poder económico e político, destacando-se como pólos catalisadores e difusores de fluxos, conhecimento e inovação.
O reconhecimento do contributo do papel das cidades para o desenvolvimento económico e social dos territórios tem vindo a ser cada vez mais enfatizado, quer a nível europeu, quer em termos nacionais. Em 2007 foi assinada a Carta de Leipzig, sobre cidades europeias sustentáveis, com vista a estabelecer uma base para uma nova política urbana na Europa, procurando estabilizar a noção de “Cidade Europeia”, a qual pretende concretizar o modelo de cidade europeia do século XXI.

Neste século, as cidades serão palco de grandes mudanças e acontecimentos, pelo que a procura dos melhores caminhos de desenvolvimento e sustentabilidade será cada vez mais emergente. Urge repensar os territórios no sentido de lhes restabelecer um novo equilíbrio à luz das necessidades actuais, fruto das transformações operadas nas últimas décadas. Restituir o equilíbrio aos sistemas urbanos actuais passa por iniciar um novo ciclo na gestão urbana, onde a liderança do governo local, a participação dos actores locais e os processos de regeneração assumem uma posição privilegiada. Criar novas abordagens ao espaço urbano que se encontra deprimido e abandonado, induzindo transformações capazes de dinamizar a cidade, contrapondo a tendência da expansão territorial potenciadora da actual amalgama urbana, difusa e desarticulada.

É neste âmbito que devem emergir as estratégias de desenvolvimento local, procurando antever novas formas de planear o território, reflectir sobre metodologias, modelos, instrumentos e abordagens de gestão inovadoras, que possibilitem uma visão estratégica de desenvolvimento integrado e sustentável, num contexto de competitividade global, procurando pensar em todas as dimensões e simultaneamente identificar tendências e antecipar oportunidades.

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