Blog Sedes » uma forma simples de perceber o “milagre” da matemática

Nov 04 2008

uma forma simples de perceber o “milagre” da matemática

Publicado por Pedro Pita Barros a 18:01 em Educação

Em 2008 assistiu-se a um verdadeiro “milagre” no ensino da matemática no nosso país. De um ano para o outro, a melhoria dos métodos pedagógicos, a melhor preparação das aulas por parte dos professores, certamente provocada pelos novos mecanismos de avaliação criados, levaram a que uma nova geração de alunos, totalmente distinta dos seus colegas mais velhos 1 ano, revelasse um muito melhor aproveitamento.

A esta explicação (simples) muitos têm contraposto um maior facilitismo nas provas de matemática realizadas, clamando contra o perigo desse facilitismo.

Honestamente, parece-me que só conseguiremos decifrar este puzzle, facilitismo ou melhor ensino, realizando uma pequena mudança nos próximos exames que sejam feitos: inclua-se no exame de 2009 um grupo de exercícios que tendo sido criado para o exame de 2007 não chegou a ser utilizado, bem como um grupo de exercícios criado para o exame de 2008  e que também não tenha sido usado.

Se os alunos de 2009 tiverem cotações semelhantes nos dois grupos de exercícios, o que veio de 2008 e o que veio de 2007, a explicação não recai no facilitismo. Se as diferenças forem evidentes, então terá sido esse o motivo da melhoria.

Para verificar que a escolha dos exercicios para esta pequena experiência não é enviezada, convide-se um representante da Sociedade Portuguesa de Matemática para ajudar nessa selecção.

Haverá a coragem de tentar perceber o que se passou?

5 comentários até agora

5 Comentários para “uma forma simples de perceber o “milagre” da matemática”

  1. Maria Teresa Monicaa 04 Nov 2008 as 18:33

    Aplaudo a sugestão para a clarificação deste polémico assunto. E gostava que também houvesse contribuições acerca da prova de Português-
    E já agora, Pedro, gostava que desses uma espreitadela ao blogue que está aqui ao lado – Canhoto – e visses o post do Rui Pena Pires discordando de António Barreto e José Manuel Fernandes.

  2. Pedro Martinsa 05 Nov 2008 as 0:34

    Acho uma ideia muito interessante, Pedro. Receio, no entanto, que o teste nao seja completamente esclarecedor: os exercicios nao utilizados em cada ano (caso existam) podem nao ser igualmente representativos do nivel de dificuldade desse ano; e a intervencao da SPM introduz inevitavelmente sujectividade na analise.

    A minha sugestao: o Ministerio da Educacao criar um “banco” alargado de perguntas e depois escolher aleatoriamente um subconjunto alargado dessas perguntas para o exame de cada ano – obviamente sem reposicao. Assim nao havera diferencas significativas no nivel de dificuldade de ano para ano e quaisquer eventuais diferencas nos resultados poderao ser interpretadas com rigor como a evolucao da aprendizagem dos alunos.

    Claro que isto nao resolve o problema de saber o que realmente aconteceu entre 2007 e 2008 – para isso acho que temos que esperar pelos resultados da OCDE…

    Um abraco – e parabens ‘a Sedes pela iniciativa deste blog.

  3. jopmsa 05 Nov 2008 as 10:56

    Acho que no debate se estão a confundir três questões distintas.
    Uma questão é saber se os testes em 2008 foram (ou não) mais fáceis do que em 2007; outra é saber se os alunos são ou não melhores e uma terceira questão é saber se os testes devem ser mais fáceis ou mais dificeis.
    Quanto à primeira questão ainda não vi ninguém que me convencesse que os testes não eram mais fáceis, parece mesmo haver um consenso que foram efectivamente mais fáceis (o post do canhoto referido acima admite-o implicitamente). Assumindo esta resposta à primeira questão temos que concordar com o Pedro Martins – houve uma quebra de série e a melhor forma de avaliar qual a parte da melhoria de notas que se deveu ao efeito do exame ser mais fácil e a parte (eventualmente negativa) que se deveu a uma melhor (ou pior) preparação é esperar pelos resultados da OCDE. Quanto à terceira questão acho que se podem esgrimir argumentos nos dois sentidos, testes demasiado fáceis além de darem uma ideia errada das reais capacidades dos alunos podem conduzir a uma pior preparação mas como refere o Rui Pena testes demasiados dificeis também não dão uma imagem correcta e podem gerar um efeito desmotivador que pode acabar por conduzir a um menor esforço dos alunos e a uma pior preparação.

  4. André Fernandes da Cunhaa 05 Nov 2008 as 14:16

    Existe um pequeno, mas importante, pormenor nesta questão…
    Interessará à tutela esclarecer publicamente se os melhores resultados advêm do “facilitismo” ou do “melhor ensino”?

  5. Pedro Pita Barrosa 05 Nov 2008 as 14:56

    Pedro:
    O sistema que apresentas como proposta é obviamente melhor. Mas a minha preocupação era ganhar informação sobre o que se passou realmente, e esta pareceu-me ser a única forma de o fazer.

    A intervenção que mencionei da sociedade portuguesa de matemática pode ser de qualquer outra entidade – pretende apenas validar externamente que a dificuldade do que ficou de fora é semelhante ao que foi usado. O que na experiência ex-post que proponho julgo ser fundamental assegurar.

    Não sei se os resultados da OCDE serão esclarecedores quanto a este aspecto de facilitismo, por isso ter esta informação adicional só pode beneficiar e não confundir.

    jopms:
    Qualquer das opções, minha ou do Pedro, não resolve o problema de saber se os alunos são intrinsecamente melhores ou se foi o ensino que melhorou. Para isso, é preciso ter uma medida da capacidade/conhecimento prévio. Se for a contribuição ao nível do secundário, a performance no 3º ciclo. Se for a contribuição do sistema de ensino desde a primária até ao 12º, então ou admitimos todos idênticos ou algum teste inicial teria que ser feito.

    Teresa: o problema do Canhoto é distinto, e nestas coisas é sempre bom começarmos por isolar. A minha preocupação é saber se houve ou não comportamento estratégico nas escolhas de perguntas. O resto virá depois ;-) .

    André: a tutela pode não achar interessante, mas a bem da transparência no nosso sistema de ensino devia fazê-lo.

    Em suma, a minha ideia poderá não ser perfeita nem abarcar todos os aspectos interessantes, mas é realizável rapidamente, com relativamente poucos custos, e poderá dar informação útil.

    Se se conseguisse fazer, poderia ajudar a que depois outras alterações fossem introduzidas.

    Neste caso o suficiente poderia abrir caminho para o bom e depois para o muito bom,

    obrigado pelos vossos comentários e interesse :-)