Blog Sedes » Eleições e debates

Out 12 2009

Eleições e debates

Acabaram as eleições e muitas elações já foram retiradas. Há, no entanto, um aspecto que não vi referido: estou a falar dos debates entre candidatos.

A campanha foi feita de casos sem conteúdo político; a campanha das eleições para as autarquias foi muito fraca, mas a campanha para o Parlamento foi, particularmente, pobre. Mas os debates não!

O formato dos debates na pré-campanha para a Assembleia da República foi muito criticado, mas injustamente. De facto, com as regras em vigor, os candidatos não podiam usar da oratória vazia para fugir aos problemas. Pelo contrário, porque tinham um pequeno número de minutos para mostrarem o que valiam sobre um problema específico —justiça, orçamento e impostos, segurança, combate à pobreza…— não podiam fugir a responder.

O povo agradeceu e as televisões tiveram audiências surpreendentemente elevadas. Só foi pena não terem existido mais debates nas autarquicas, ficaríamos todos a ganhar.

Em conclusão: para melhorar a qualidade do debate político devemos ter (mais) dabates e o formato foi, genericamente, adequado. Poderíamos, aliás, ter debates na TV mesmo fora dos períodos eleitorais. Porque não?

3 comentários até agora

3 Comentários para “Eleições e debates”

  1. Nuno Vaz da Silvaa 13 Out 2009 as 17:14

    Os debates são bons foruns de apresentação e comparação dos candidatos. Os cidadãos podem dessa forma efectuar as suas decisões na expectativa de que os candidatos cumpram a sua palavra (o que muitas vezes não acontece e que prejudica a democracia).
    Mas mais do que isso, deveriamos ter debates em que fossem tratados aspectos estruturais e não ficarmos apenas pelas questões conjunturais (e aqui faço uma critica aos candidatos e aos próprios meios de comunicação na escolha dos temas).
    Para além dessa sugestão do senhor professor (porque é sempre positivo que haja troca de ideias), faria ainda uma outra que eu próprio tenho vindo a seguir: Todos nós deveriamos guardar cópia das propostas eleitorais para uma determinada eleição de forma que, na eleição seguinte possamos comparar propostas e avaliar a percentagem de cumprimento de objectivos. É que propostas qualquer um consegue fazer mas cumprir as propostas já é um “dom” que não está ao alcance de todos!
    Não sou politólogo mas é deveras interessante verificar a capacidade dos mesmos candidatos em reinventar propostas e desculparem-se com factores exógenos para não terem cumprido os slogans que os elegeram!
    Nem tudo depende dos politicos mas será ético alguem prometer algo que depende de outrem?

    Esses debates que sugere que se realizem na TV não deveriam ser efectuados em primeiro lugar na Assembleia da República? Bem sei que poucas pessoas têm paciência para ver uma sessão da Assembleia mas colocar na TV a responsabilidade de efectuar esses debates talvez leve ao enfraquecimento da qualidade da democracia e da responsabilidade que os actores politicos eleitos deveriam ter na apresentação de soluções para aumentar o bem estar social dos seus concidadãos.

  2. causavossaa 15 Out 2009 as 11:40

    Sem dúvida!

    A democracia tem de ser posta em prática e isso passa pela interacção entre os actores passivos e activos a todos os dias e a todas as horas.

    Sem isso a vitória será sempre e cada vez mais da abstenção, modo sábio dos cidadãos (e cada vez menos do minorizante e conotante elitista designação “do povo”) para evitar o cheque em branco!

  3. causavossaa 15 Out 2009 as 11:49

    Sem dúvida!

    A democracia tem de ser posta em prática e isso passa pela interacção entre os actores passivos e activos a todos os dias e a todas as horas.

    Sem isso a vitória será sempre e cada vez mais da abstenção, modo sábio dos cidadãos (e não povo na sua acepção minorizante – conotante elitista designação) para evitar o cheque em branco!