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Mai 06 2010

Os Economistas no País das Maravilhas

Entre nós, Povo simpático, a boa relação entre Economia, Politica e Humor, não tem tido boa relação .Tal como na série Alô Alô, o Estalajadeiro René nunca se deu bem com a mulher (legitima) e o Policia Francês com a lingua Inglesa (a outra lingua). E a Série Yes Minister já teve o seu tempo de  êxito para as elites.

E por cá só nos rímos das figuras do Alô Alô porque não entrámos na Guerra. E do Yes Minister sem  apreciarmos no  sentido pedagógico do humor inglês porque “aquilo é só para rir”. Até às lágrimas.

Cantamos mais facilmente o nosso hino do humor: “Senhor(es) Feliz(es) e Senhor(es) (Des)Contente(s)”. E contamos umas anedotas de Alentejanos.

A realidade nua e crua é que na Economia desenvolvem-mo-nos aos poucos, ao longo dos anos sem bons  sorrisos.  Demos umas gargalhadas ou chorámos de alegria e, logo que passou a euforia: Zás! !!! Passámos a cantar-”Como passa senhor inFeliz Como vai senhor desContente”.E logo que acaba o pouco crescimento, volta tudo à tristeza e ao Fado do fraco desenvolvimento económico.

Será este o nosso Fado Eterno?Talvez…. Não resistimos muito a só sorrir inteligentemente, enquanto nos vamos desenvolvendo. Para  nos rirmos saudavelmente e posteriormente, se tudo correr bem.Acabamos sempre a contar anedotas ou a “dizer mais ou meno mal”. Nunca a sorrir com prazer pelo prazer do   “rico humor”. E pela “riqueza do humor inteligente sobre economia e política”. Que ajuda a desenvolver forças positivas.Mesmo quando tudo corre muito mal, como acontece actualmente.

E o mesmo se passa na relação entre os Políticos (profissionais ou em tirocínio) e os Economistas (de formação, adopção ou conversão). Quando os primeiros dizem “de vento em popa”,  os segundos clamam “nuvens no horizonte”. E o barco não navega. Só flutua… e ninguém sorri.

Ou se amua ou se gargalha.

E  até qualquer Primeiro Ministro, Ministro ou Secretário de Estado com cara séria, só nos dá vontade de sorrir a principio. Ou chorar no fim. Só se “safa simpaticamente” se chega a Presidente.Salvo seja.

Posto este preâmbulo, passo a justificar em dois  pontos alguns elementos  prospectivos, sobre o ambiente “OptimiPessimista” em que vivemos em função do passado “amuante  ou hilariante  recente e não recente”,  e que devemos combater no presente e no futuro, sem demagogias baratas ou desânimos catrastrofistas, mas com nova atitude pragmática face ao País das Maravilhas que alguns nos tentaram e tentam vender.

1-Os Economistas e a crise:Não dá para rir.Nem para chorar. Mas só para reflectir também não…

Quando em 1980 li,  de John Kenneth Galbraith ” economista que era mais uma mistura de sociólogo, cientista político e jornalista,  do que um economista” ( para a revista “economist”) , o livro Economics, Peace and Laughter (1971) sorri e convenci-me que este homem que foi conselheiro a vários níveis de todos os presidentes democratas, desde Franklin Roosevelt até Bill Clinton, seria um referencial do fim do século XX, quiçá do Século XXI, não pela sua idade (já tinha ultrapassado os 80 anos)  ou pela sua visão não matemática da economia, mas pela sua obra e  visão humanista que intuitivamente, me convenci , com o excesso ” de economia financeira” no horizonte,  que seria o que nos iria sobrar para ilusoriamente rir. Pois para sorrir seriamente, não. E chorar com toda a certeza.

Neste quadro , nós Portugueses sabemos que somos boas Pessoas. E Portugal um País Maravilha. Somos muito vistos como portugueses suaves, que não todos. Mas só levemente racionais na muita emoção. Claro que tal como muitos outros Povos por todo o Mundo…que neste momento se veem “gregos” ou “islandeses”.

E quanto aos economistas ” nacionais” e à economia? nem falar…Porque não temos “grande economia” dizem alguns.

Por isso ainda vou por Galbraith recontextualizado para nos inspirar!! E nem o “Divino Krugman” que  o tratou   “prejorativamente enquanto economista”, me faz mudar de opinião.

Galbraith que até tpublicou  American Capitalism:The concept of Countervailing Power em 1952, ano em que nasci, foi para mim, na fase de jovem economista uma referencia porque “…he believed that economic activity could not be distilled into inviolable laws, but rather was a complex product of the cultural and political milieu in which it occurs” (wikipedia).

Tal como Peter Drucker o foi na Gestão.

Ambos, segundo informação disponível, eram boas pessoas, inteligentes, bem dispostas e com humor. Visionários actuantes.

Passaram estes anos todos  e eis-nos no meio de uma Grande Crise que, para nosso triste conforto é Global. E perigosa. Não bela e perigosa.

Não dá, em muitos momentos, sequer para sorrir com tristeza. Mas também não pode dar para chorar (mesmo que não se tenha um “bom emprego” e já se tenha passado dos 55…). É preciso actuar, escrever, discutir, pressionar, FAZER (mais do que entrar de manhã e sair à tarde com um bom almoço pelo meio e falar de entrepreneurship ao lanche).Mas com leis de mercado.

Senhores do Mundo como Obama e Hillary Clinton  não têm hoje Galbraith para lhes falar ao ouvido ( morreu em abril de 2006, aos 97 anos), mas será difícil esquecer as suas críticas às desigualdades sociais, o seu combate ao que considerava os  mitos da economia de mercado. Até de questões ambientais ele se ocupou.E a América lá vai andando com o seu grande mercado e dinâmica empresarial.

Nem a propósito e reflectindo sobre o legado Galbraith, encontrei um texto alusivo à  primeira obra que dele tinha lido (partes)  e que é  assim intitulado  “Economics, peace and laughter revisited – or learning from the Asian 21st century”  de Mohamed A. Ramady- Department of Finance and Economics, King Fahd University of Petroleum and Minerals, Dhahran, Saudi Arabia, publicado no International J. Economics and Business Research, Vol. 1, No. 1, 2009.

O Abstract tem o conteúdo seguinte: “The 21st century will witness fundamental economic transformation amongst nations. By 2050, three of the largest five economies will be Asian –China, USA, India and Japan. How they interact will be crucial for the world’s  economic and political stability. Asian societies are succeeding today because they have discovered and adapted good governance, free market economics, science and technology, pragmatism, meritocracy, a culture of peace, rule of law and education. There is no reason why their successes cannot be replicated elsewhere in key regions of the world. Failure to interact with new geopolitical economic centres will ensure that future generations are effectively disenfranchised from sharing in economic growth. The presentation applies Galbraithian macro- economic and socio-political reasoning, arguing that it is the crucial relationship between such forces that, in final analysis, either promotes or hinders economic well-being.”

Este texto fez-me recuperar algumas reflexões que tive oportuinidade de partilhar num programa para executivos que frequentei na HBS em 2004, sobre o que aí vinha e agora temos com “pele amarela e olhos em bico” por obra e graça da Santa Economia Global. A que Portugal era impossível escapar. Em especial por culpa própria de trabalho de casa mal feito. E do esquecimento de que já andámos por Macau e Timor com muita emoção…e poucos resultados económicos em contexto internacional.

Enquanto  lia este artigo, trauteava, sei lá porquê : Como vai Senhor Contente;Como vai Senhor Feliz; Diga à gente,Diga à gente;como vai este País!? (Europa, Mundo…). E perguntei-me porque cantava sem ter voz para tal…

“É do meu bom humor a razão porque reajo assim. Respondi-me perante a inveja do que se passa noutros lados enquanto por cá “..eles falam falam” !!!

E  sorri com sorriso “amarelo”, em tempo de crise e sofrimento (não para todos) dizendo em voz baixa: “valha-nos Galbraith e os seu discípulos orientais”. Porque muitos  Economistas ( de todas as escolas) não estão nunca no País das Maravilhas.Só o são capazes de imaginar e às vezes recusam-se a ir lá por birra.

Só os Políticos lá estão.Felizmente não todos.E felizmente cada vez menos.

Ou alguns economistas ligados à politica de conveniência e de vistas curtas quando lá vão a reboque.

2-Os Economistas no País das Maravilhas 2010  (dos Políticos, mas não só)

Os  Politicos e Economistas (ambos com um  sentido de humor internacionalmente pouco reconhecido, mas rindo ou chorando  às vezes em excesso…) são, neste  momentos de crise “como o cão e gato” nos Países das falhadas Maravilhas. Como é o caso do Nosso.

Muito há para escrever sobre este tema, sem problemas de a Ordem intervir como acontece noutras Ordens ( a nossa está na ordem)

Deixo, no entanto,  para post posterior ao encontro do Senhor Presidente da Republica com ex-ministros das Finanças e à reacção das classes sociais (de acordo com a classificação Marktest 2008) :

  • Classe Alta , 369 mil indivíduos, que representam 4.9% do Universo dos residentes no Continente com 15 e mais anos.
  • Classe Média Alta que representa 10.5% do Universo dos residentes no Continente com 15 e mais anos e a ela pertencem 790 mil indivíduos.
  • Classe Média composta por mais de dois milhões de indivíduos e tem um peso de 27.5% no Universo dos residentes no Continente com 15 e mais anos.
  • Classe Média Baixa que é a mais representada no nosso país e tem uma dimensão de 2,243 mil indivíduos, com um peso de 29.8% no Universo dos residentes no Continente com 15 e mais anos.
  • A Classe Baixa que  representa 27.3% do Universo dos residentes no Continente com 15 e mais anos e a ela pertencem 2,055 mil indivíduos .

e ás cenas seguintes desta comédia dramática em que vivemos (muito através dos meios de comunicação ) ,  numa abordagem que desejo seja pragmaticamente bem disposta no contexto dos “mercados”. E esperando que a vinda de Sua Santidade traga algum momento de emoção a Portugal  (ele que é visto um Papa Intelectual por comparação com João Paulo II um Papa de Sentimentos) e que  as Festas dos Santos Populares, permitam alguma alegria serena a um País que ainda tem dinheiro para sardinha assada (pescada sabe-se lá onde) e para pagar as dívidas que não deveria ter contraído.

Sabe-se lá até quando conseguiremos “suster o choro” sem entrar, para o caso de não haver muitas lágrimas em “alívios gargalhantes” no “País” das, até há pouco, mil  “Maravilhas.

FVRoxo

4 comentários até agora

4 Comentários para “Os Economistas no País das Maravilhas”

  1. Rafael Zeferinoa 06 Mai 2010 as 18:20

    Ao entrar no blog da Sedes hoje vinha a espera de encontrar aqui o artigo bom do Drº Vitor Bento publicado ontem no Público.Não estando está este extenso depoimento de FVRoxo sobre um assunto sério.E a brincar vai dizendo verdades como a do SNS de outro dia.Mas que os portugueses levam tudo muito a sério e não levam.Uma economia não é só dinheiro.E agora até parece que só é.
    O filme País das Maravilhas começou num buraco onde a Alice caiu.Só espero que esta alusão do texto aos economistas e políticos não dê para tirar a conclusão que a nossa economia é um buraco.
    Gostei.E fico à espera do resto.
    RZ

  2. Augusto Küttner de Magalhãesa 07 Mai 2010 as 16:40

    Não estaremos a saudosamente querer voltar ao Fado, à desgraça, à auto-vitimização, sem atinarmos como ir de outra forma em frente.????

    E os Economistas, não conseguirão, um destes dias assumir que eles próprios entraram em desatino, e que muito de imprevísivel está no Horizonte proximo, logo com tantas dúvidas e mais incertezas, será tempo de nenhum – economista – se achar como o dono da razão.

    Na última aparição na RTP 2 de Luís Campos e Cunha – não gostei!!!! nada!!!! – , para além do novo visual, achei-o muito , demasiado focado em si próprio e na sua sabedoria…muito importante, demasiado conencido…..para isso já nos chega o Medina…..

    Augusto Küttner de Magalhaes

  3. fvroxoa 07 Mai 2010 as 17:45

    Caro Rafael Zeferino

    Chamo-lhe a atenção, em primeiro lugar, que o “artigo bom do Drº Vitor Bento publicado ontem no Público” não é artigo mas entrevista.Por isso, naturalmente não está no blog, nem é habitual os escritos do DrVBento na imprensa estarem aqui inseridos (tanto quanto me recordo) como acontece com alguns que o Profesor Campos Cunha publica no Público.
    Quanto ao seu comentário que agradeço, 4 aspectos devo clarificar:
    1-O “buraco onde caiu a Alice” tem alguma coisa de ligação subliminar com o “buraco em que caímos ou onde ainda estamos em queda”.
    2-Quanto à triologia Economistas Politicos e Humor procurei dar-lhe uma “abordagem holística” tal é a sua necessidade de análise para além do “evidente portugues way” visando um futuro diferente.
    3-Obrigado pela sua validação de que “a brincar” vou dizendo as verdades.Mas as verdades neste País (e noutros) nesta fase da Sociedade são como os diamantes:só têm grande valor se bem lapidados.
    4-O próximo post (o resto) será certamente mais “directo ao assunto”.Mas ainda com humor verdadeiro.
    FVRoxo

  4. fvroxoa 08 Mai 2010 as 18:16

    Caro Augusto Küttner de Magalhães

    Agradeço o seu comentário que me merece dois pontos em resposta:

    1-O “voltar a trás” é sempre um cenário normalmente impensável.Mas sempre presente em situações de grande turbulencia e falta de liderança politica.
    E também porque passado é passado.
    Mas seguir em frente com qualquer música é que não dá muito jeito.
    E nem o Fado é “só″ passado, como bem o evidenciam vários e muitos bons fadistas da actualidade, como, por mais que o nosso optimismo cresça, o realismo, a maturidade de um povo, das pessoas, não é compaginável com tanta incapacidade de ver o fundamental em desfavor do acessório.
    Com humor diria:não se deve ter só uma atitude do género vão-se os anéis fiquem-se os dedos ou o ultimo a sair que apague a luz.Deve-se é pensar que não vamos ter de dançar com a mais feia ou feio…na valsa Tejo Azul (que não é do mesmo compositor do Danúbio azul).Ou dançar o fandango com vitalidade.Que é dança nossa…

    2-A atitude dos economistas tem sido, como sempre nestas situações, “polarizada” entre “os de bom senso e alto nível” (vidé entrevista do Professor Jacinto Nunes à SIC no programa Negócios da Semana), os de “bom senso e nível friático” que estão cada vez mais ” pegados pelo susto à cadeira dos seus conhecimentos de economia e, finalmente os outros.Que interveem com mais ou menos veemencia e coloração partidária, mas em que por vezes a razão lhes acompanhe o coração.E a bolsa na mão.
    De uma forma geral o debate tem sido de bom nível, muito acicatado na ultima semana por tudo quanto aconteceu nos mercados (WStreet parecia uma montanha russa licenciada por Putin) mas, penso que, aceitando algum do seu ponto de vista, que nos ultimos debates tem sido mais “o nervo a falar” que “o economista a analisar”.

    Finalmente, gostaria de lhe deixar bem claro que, em meu entender, neste momento é preciso que os economistas gritem bem alto aos politicos:é a economia “rapazes”.
    Mas não vale a pena fazermos do “coro dos escravos” o nosso hino.Concordo.
    Tem de haver mais vida para além da Pouca Sorte e de Alguns que nos puxaram o tapete da sorte e o venderam nos 90 na Expo no Pavilhão do futuro.E agora já não se consegue, nem recuperar o tapete nem fazer nova Expo.
    Em linguagem futebolística temos de ser optimista:”para o ano é que é”!!!
    Qual o ano não sei.
    Bom fim de semana
    FVRoxo