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Nov 11 2010

A ATRACÇÃO PELO ABISMO

Publicado por VB a 18:33 em Artigos Gerais

Segundo o INE, o Índice de Preços no Consumidor registou, em Outubro, uma variação homóloga de +2.3%. Segundo os meus cálculos, essa variação tem a seguinte “distribuição de responsabilidades”:

Sector Transaccionável:  +0.7%

Sector Não Transaccionável : + 1.6%

A “festa” continua, portanto! Depois queixem-se…

8 comentários até agora

8 Comentários para “A ATRACÇÃO PELO ABISMO”

  1. PRa 11 Nov 2010 as 20:52

    Caro VB,

    Pergunto-me como fez esse cálculo. Para mim, pelo menos, não é óbvio como distribuir entre os sectores transaccionável e não transaccionável as 12 categorias de bens que compõem o IPC.

    Por exemplo, não tenho dificuldades em classificar o agregado do vestuário e calçado; mas e o que dizer dos restaurantes e hotéis? Apesar de não serem transaccionáveis, podem representar exportações – como serviços, claro, mas ainda assim exportações.

    Já agora, aproveito para colocar outra pergunta. O VB tem defendido que o sector transaccionável escuda as suas elevadas margens no facto de estar ao abrigo da concorrência internacional. E que tem sido isto a levar a um sobre-investimento neste sector, em detrimento do sector transaccionável.

    A minha pergunta, que poderá achar ingénua, é a seguinte: se há mais investimento, mais empresas e mais capacidade produtiva a ser encaminhada para o SNT, por que razão os preços continuam a subir? Não devia esta “deslocalização” de capital diminuir as margens de lucro e comprimir os preços.

    Sei que estou a aplicar microeconomia a uma questão que o VB encara numa perspectiva mais ampla. Mas não consigo fundar um juízo global sem assentar em solo mais firme os passos intermédios.

    Obrigado,

    P

  2. VBa 12 Nov 2010 as 17:49

    Tem razão quanto às dificuldades do cálculo, sobretudo no caso do IPC. As contas que fiz (muito tipo “costas de envelope”) assumiram que as classes 1,2,3 e 50% das classes 11 e 12 seriam transaccionáveis. Deveria, talvez, ter usado também 50% da classe 7 (Transportes). E fui demasiado generoso com a transaccionalidade da classe 11 (HORECA). Se fizer esse ajustamento (50% da classe 7 e 0% da classe 11), os valores passam para 1,3% (NT) e 1.1% (T). De qualquer forma, o ponto é que os preços do SNT deveriam ter parado de crescer (pelo menos!).

    Quanto à continuada subida dos preços do SNT, resulta fundamentalmente de: “muitas actividades do sector são “serviços públicos”; a concorrência, quando existe, é em geral monopolística; a regulação acaba por funcionar, nestes casos, como um mecanismo protector da margem do negócio; e, em geral, há neste sector uma elasticidade procura-preço muito baixa (que ‘impede’ os preços de ajustarem em baixa)”.

  3. PRa 12 Nov 2010 as 21:13

    Obrigado,

    PR

  4. José Silvaa 18 Nov 2010 as 10:08

    Caro dr VB,

    Em primeiro lugar gostaria de o felicitar: Considero a sua tese o acontecimento económico do ano em Portugal. Efectivamente ter detectado evidências da exploração/abuso que o SNT exerce há mais de 20 anos sobre o ST é para mim o acontecimento do ano. Saliento que eu próprio já tinha detectado e escrito algo idêntico, embora sem fundamentação analítica e empírica, há alguns anos, que designo de «Drenagem»: http://www.porto.taf.net/dp/search/node/Drenagem e http://norteamos.blogspot.com/search?q=drenagem

    Em segundo lugar gostaria de questiona-lo se já reflectiu nas implicações territoriais da sua tese. É que efectivamente o SNT está localizado em Lisboa e o SNT está localizado sobretudo a Norte.

    Em terceiro lugar gostaria de questiona-lo sobre as implicações futuras da sua tese. Atendendo à insustentabilidade do modelo de crescimento do SNT, baseado em patrocínio Estatal, em endividamento e prejuízo do ST que nas actuais circunstâncias necessita de ser apoiado, é inevitável que o PIB per capita de Lisboa tenda a diminuir nos próximos anos, ao contrário do PIB per capita das restantes regiões nacionais.

    PS: Relativamente à questão colocada pelo comentador PR, penso ter uma resposta simples: O SNT tem poder de impor preços.

  5. José Silvaa 18 Nov 2010 as 10:14

    Errata:
    …o ST está localizado sobretudo a Norte.

  6. VBa 19 Nov 2010 as 15:56

    Caro José Silva,

    Quando escrevi sobre o assunto não pensei nas implicações regionais que refere, mas, entretanto, já me tinham chamado a atenção para esse efeito. Valendo-me apenas das aparências (i.e. sem uma análise objectiva da situação), tendo a pensar que tem razão.

    Sendo assim, é estranho que a “gente do Norte” não tenha sido mais activa a contestar o modelo. E que tenha até, nalguns casos, sido protagonista dos incentivos ao modelo… E a Universidade?!

  7. José Silvaa 19 Nov 2010 as 23:19

    Caro dr,

    É um problema. o Norte foi tão «drenado» de massa cinzenta que estes assuntos passam despercebidos.

    Solução ?

    Eu sei que a política está muito desacreditada. Más há a Norte uma pequena esperança: Chama-se Partido do Norte (http://pelonorte.blogspot.com). E vou fazer chegar à direcção do partido o seu comentário.

    Votos de sucesso na propagação da sua mensagem.

  8. José Silvaa 19 Nov 2010 as 23:23

    desapercebidos