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Blog Sedes » O QUE ESTÁ EM CAUSA

Nov 28 2010

O QUE ESTÁ EM CAUSA

Publicado por VB a 14:23 em Artigos Gerais

1. Não confundamos a crise internacional com a crise onde estamos metidos. Aquela apenas precipitou esta. Ou, melhor dizendo, o que alimentou aquela – inundação de liquidez mundial que proporcionou uma embriaguês de crédito fácil e barato – foi o que adiou o rebentamento desta e fez com que ambas se encadeassem. As economias do euro que hoje se encontram nas ruas da amargura foram as que deixaram acumular insustentáveis défices externos e que, por isso, hoje estão dependentes do financiamento externo. É esse – e não os défices públicos – o principal traço de união entre TODAS as economias em dificuldades.

2. Como explico no “Nó Cego” (cap. IV, secção 2), esta crise do euro é o resultado, inevitável, do confronto de duas funções de preferência social que são irreconciliáveis numa moeda única, porque uma conduz a uma moeda fraca e a outra a uma moeda forte. E a que conduz ao segundo resultado tem, dentro da UEM, a upper hand. Portanto, ou as funções convergem, ou o euro parte. As simple as that!

3. Não me parece provável – mas não afirmo a sua impossibilidade – que a Alemanha (mais os países sintonizados com a sua função de preferência social) esteja disponível para ajustar a sua função de preferência para um nível financeiramente mais laxista. Sendo assim, não restará aos países “do Sul” fazer convergir as suas preferências sociais para o rigor alemão, ou abdicar de partilhar a mesma moeda com este(s) país(es).

4. Se os países “do Sul” estiverem dispostos a convergir – e é esse o grande desafio que está em cima da mesa! – vão ser precisas três coisas: a) tempo – o ajustamento necessário para assegurar tal convergência e limpar a herança do passado, precisa de um tempo razoável (3, 5 anos, no mínimo) para poder ser socialmente (e politicamente!) suportável; b) um programa de ajustamento financeiro e económico interno, muito exigente, que assegure, naquele tempo, a sustentabilidade financeira do País (e não apenas do Estado); e c) financiamento institucional – indispensável para que um tal programa possa funcionar no tempo requerido e tendo em conta que, pelo menos nos primeiros tempos, dificilmente se poderá contar com o “financiamento dos mercados”. b) depende exclusivamente de cada um dos países afectados, mas a) e c) dependem de um “consenso europeu”, em que todos os países têm que se empenhar se quiserem salvar o projecto de integração monetária.

5. O necessário programa de ajustamento, que de nós será necessário, terá que envolver duas componentes: a) uma enorme austeridade – porque, estando nós há 10 anos a viver cerca de 10% acima das nossas possibilidades, não poderemos deixar de, em primeiro lugar, ajustar o nosso nível de vida às nossas possibilidades; b) uma rápida restauração da competitividade, para que possamos recuperar a senda do crescimento e da criação de emprego, sem a qual, nem os desequilíbrios financeiros se conseguem corrigir, nem será sustentável mantermo-nos na amarra cambial.

6. A médio e longo prazo, a competitividade terá que se basear no progresso da produtividade, único meio de sustentação da desejada melhoria do nível de vida e da chamada convergência real. Para isso é necessário, flexibilizar os mercados – nomeadamente, o laboral, e o dos produtos – estimular a inovação e o progresso tecnológico, parar os incentivos que têm favorecido o sector não transaccionável a a sua extracção de rendas, concentrar todos os incentivos no sector transaccionável e eliminar os chamados “custos de contexto”.

7. Mas, no curto prazo – e precisamos, urgentemente, de crescimento a curto prazo, quanto mais não seja para reduzir o desemprego que, no próximo ano e se nada for feito, chegará facilmente aos 12% (salvo se houver desistências massivas de procura de emprego) – a restauração da competitividade só se conseguirá pela via da redução de custos, por muito que isto custe a aceitar.

8. É isto – programa, tempo e financiamento – que já deveria estar preparado e negociado com a União Europeia. E era para isto que a sociedade deveria estar a ser mobilizada. Porque só há um caminho, muito estreito, de saída da embrulhada em que estamos metidos. E porque, se esse caminho não for trilhado, o resultado será o default da economia (e não apenas do Estado) e o abandono do euro.

9. Porém e em vez de se fazer o que é preciso, tudo – com o Governo à cabeça! – parece empenhado numa nova encenação do “Goodbye Lenine”.


24 comentários até agora


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24 Comentários para “O QUE ESTÁ EM CAUSA”

  1. FVROXOa 28 Nov 2010 as 15:12

    Caro Vitor
    Excelente.É isso mesmo: “programa, tempo e financiamento – que já deveria estar preparado e negociado com a União Europeia.
    Unico problema:a psicologia das multidões “em recessão mental e revolta de boca” e as abordagens de lideranças mediáticas que pouco sabem de Sabedoria olham ainda para a Europa como a tia que só em ultima instancia não perdou ao sobrinho Teodorico Raposo (na Reliquia de Eça) este não lhe ter trazido a Reliquia. E assim vivem sob o “obre a nudez forte da verdade – o manto diáfano da fantasia
    -Um Programa não é mais do que isso mesmo:FAZER sem anarquia de interesses e com um minimo de escalonamento.
    -O Tempo é que “cura os marmelos”
    -Financiamento:não há almoços grátis mas parece que muita gente (com politicos centrais e autarcas pelo meio a forçar o desvario) que ainda acredita como no inico do século passado que basta por novamente a rotativa da casa da moeda a funcionar.Mas o problema sendo cada vez mais “geral” vai estoirar pelo lado da tesouraria das pme.

    Suavizando com o meu lado Católico: vai acontecer no futuro uma crónica sobre a “Tia Europeia”, do tipo da de Teodorico Raposo quando foi em peregrinação: “Dª.Patrocínio das Neves, mandou-me do Campo de Santana onde morávamos, em romagem a Jerusalém; dentro dessas santas muralhas,num dia abrasado do mês de Nizam, sendo Poncio Pilatos procurador da Judéia, Élio Lama, Legado Imperial da Síria, e J. Cairás, Sumo Pontífice, testemunhei, miraculosamente, escandalosos sucessos;(…)
    Quanto à nova encenação, estou mais numa do filme “os cavalos também se abatem”.Como está a contecer na Irlanda (Onde economicamente puxam pelas mangas desde há muito, como referiste num teu post e Mira Amaral referiu à dias numa conferencia).
    O que me chocaria por, sem ser marialva, sou pelos Lusitanos e pela elegancia como a passo a trote ou a galope ainda me dão algum conforto à coluna de portugues.
    Mas conservo e uso a minha bicicleta a pedal para o que der e vier.
    E faço exercicio programado, a tempo e financiado pelo pulmão de não fumador de ópio consumista.
    FVRoxo

  2. José António Girãoa 28 Nov 2010 as 17:40

    Caro Vitor:

    O.K. No fundo estamos totalmente de acordo. O que falta é pôr de pé o que diz; ou seja, FAZER. Estou de acordo em que é nisso que nos deveríamos concentrar com a máxima urgência, e deixar discussões estereis, que não resolvem o(s) problema(s), nelas incluindo a do “governo de salvação nacional”. A salvação só poderá vir da mobilização da sociedade civil em torno de um projecto realista, assente nos factos e numa liderança esclarecida, competente e credível. Suprapartidária e independente das lógicas partidárias. É também preciso reconhecê-lo !

  3. Carlos Albuquerquea 28 Nov 2010 as 18:22

    A discriminação negativa dos funcionários está a ser percebida como injusta, ilegal e inconstitucional, e quase irrelevante do ponto de vista financeiro quando comparada com TGVs, excepções, e múltiplas despesas sem nexo.

    Será este o caminho de mobilizar uma sociedade seja para o que for? Criando divisões arbitrárias?

    Penso que o sector privado esta a imaginar nesta divisão vantagens que poderão sair caras a todos.

  4. VBa 28 Nov 2010 as 19:17

    Caro Carlos Albuquerque,
    Tem razão no essencial, mas… não é o sector privado que governa o País. Traduzindo por miúdos: o Governo não tem uma ideia global para lidar com este problema (cuja essência ainda não compreendeu e que continua a atribuir a “suspeitos indeterminados”, como os antigos atribuíam a forças sobrenaturais as causas dos fenómenos que não compreendiam). E sem compreender a essência do problema só pode ir tentando “tapar os buracos” que se vão abrindo à sua frente.

    Caro Francisco,
    Se por vezes não respondo aos teus comentários, não é por menor consideração, mas é só porque as tuas “redondilhas” me tornam difícil conseguir articular uma resposta.

  5. FVROXOa 28 Nov 2010 as 20:20

    Caro Vitor
    Um blog não é necessáriamente um orgão de diálogo, mas um simples espaço virtual de contributos para um tema que partiu de alguem, de um ponto de vista sobre ese tema, ou um simples “toque” de acordo com as boas práticas da PNL.
    E que os diferentes intervenientes “dialogantes” se acrescentam ou em complementaridade ou em controversia.
    Deste conjunto heterógéneo de contributos nasce por vezes uma rede sinergética de clarificações ou mesmo de “soluções”. Ou de simples terapias de eco politico. Mais ou menos pragmáticas.Mais ou menos de alto nível ou simplesmente terra a terra e à volta de pormenores de execução diferenciadora.
    Que é algo que por cá não cultivamos de uma forma sustentada porque vivemos de repelões contributivos para a melhoria contínua que é a unica forma de ter resultados sustentados.Que nós quase nunca conseguimos em economia.
    Donde os meus comentários na sua quase sempre tradução em abordagem holística (redondilhas) desejem ser não apenas concordancia ou discordância mas contributo inovador (criativo) para temas que, como este teu post (e outros), de tão evidentes e directos, quase podem levar à “revolução popular”:))
    Nunca espero resposta a um comentário.Apenas desejo contribuir e muitas vezes com o meu humor positivo. E quanto coloco um post apenas quero deixar, muitas vezes, uma bordagem diferente num blog que, como é este nosso da Sedes, visto, entendido por alguns visitantes mais novos, como elitista e demasiado conceptual.
    Logo, e sabes bem que eu até sou directo em excesso muitas vezes, só tenho a agradecer-te a amibilidade do esclarecimento e pela oferta de “redondilhas” que hoje vou utilizar para ouvir “o que diz Marcelo”.
    FVRoxo

  6. FVROXOa 28 Nov 2010 as 20:53

    Anexo a o meu comentário:
    Contributo sob a forma de visão de fora para dentro, de como poderá aparcer uma solução:sermos uma colónia Chinesa.”Portugal used to be an empire. Now it’s about to become a colony”. Macau da Europa?
    http://www.calgarysun.com/comment/columnists/ezra_levant/2010/11/26/16333241.html
    FVRoxo

  7. Anunesa 28 Nov 2010 as 22:16

    Caro VB

    Assumindo que a vinda do FMI é uma questão de tempo (que urge), talvez não fosse o mesmo perdido ir-se escrevendo por aí o quão importante será negociá-lo aquando dessa vinda. Você tem-no dito e eu repito-o á exaustão: È crucial ter TEMPO para fazer o que é necessário.
    Fazer o que é preciso vai ser duro e é inevitável. Mas fazer sem tempo terá custos sociais acrescidos e potencialmente muito graves sem necessidade.
    Infelizmente nada parece mudar no Portugal político. Quem de direito para tais negociações já só vive gulosamente de olhos postos em sondagens.
    Resta-nos ir “blogando”.

  8. carlos sérioa 29 Nov 2010 as 11:08

    Nenhuma união de moeda sobreviveu jamais sem uma união fiscal e política.

  9. carlos sérioa 29 Nov 2010 as 13:01

    SOBRE A PRODUTIVIDADE

    A produtividade média portuguesa corresponde a cerca de 66% da produtividade média da União Europeia, no entanto o salário médio português corresponde a muito menos que 66% do salário médio dos 10 países que constam do quadro anterior.
    Efectivamente, o salário médio do trabalhador português corresponde, de acordo com os dados da OCDE, apenas a 34,1% do salário médio dinamarquês, a 35,5% do salário médio alemão, a 37,1% do belga, a 37,6% do luxemburguês, a 41,6% do inglês, a 46,3% do italiano, a 49,5% do sueco e do irlandês, a 53,4% do salário francês e 59,8% do salário médio espanhol.
    Em conclusão, contrariamente ao que afirma, os trabalhadores portugueses não são ?preguiçosos?. Tendo como base o salário que recebem, o que produzem os trabalhadores portugueses é proporcionalmente superior ao que produzem os trabalhadores dos outros países da União Europeia: São os próprios dados publicados quer pela OCDE quer pela União Europeia que provam isso.

    SOBRE A AUSTERIDADE

    Os trabalhadores portugueses não são responsáveis:
    Pela especulação financeira responsável pela crise em que vivemos.
    Pela criação no mundo financeiro de produtos titularizados de dívida e exotéricos derivados.
    Pela uso que as instituições financeiras fizeram dos depósitos, quando na expectativa de ganâncias elevadas utilizaram tais depósitos e múltiplos empréstimos na compra daqueles tóxicos produtos financeiros.
    Pela deficiente regulação das empresas de ratting que atribuíram classificações ao sabor das conveniências dos seus clientes.
    Pelas verbas astronómicas cedidas às instituições financeiras pelo governo responsáveis pelo agravamento catastrófico do Défice Público.
    Pela criação de múltiplos organismos parasitários do Estado, que devoram sem qualquer benefício para a comunidade uma verba de cerca de 10% do PIB.
    Pela corrupção instalada a todos os níveis na administração do Estado.
    Pela má gestão generalizada do aparelho de Estado.
    Não os obriguem a pagar os erros dos outros.

  10. ricardo saramagoa 29 Nov 2010 as 13:55

    A concepção e liderança de um programa coerente de reformas e de estabilização financeira a médio prazo, seria a única forma possível de os nossos governantes salvarem os seus lugares e o seu futuro político.
    O facto de não o fazerem, continuarem a esconder a realidade e a evitar terem de lidar com o problema, demonstra a sua mediocridade, a sua falta de soluções, e quão alheados estão do mundo em que vivem.

  11. VBa 29 Nov 2010 as 15:35

    Caro Carlos Sério,

    Quanto à produtividade/salários, o que as estatísticas da AMECO indicam é que em Portugal, quer a produtividade (PIB por empregado), quer a remuneração média por empregado, representam, ambas, cerca de 50% da média EU15.

    Quanto à responsabilidade, não pode dizer que os trabalhadores não são responsáveis pela situação que vivemos.

    Nós vivemos num regime democrático, em que os governos resultam da representação política que os cidadãos concedem através do voto. Ora, os trabalhadores são também cidadãos e são os cidadãos que fazem as escolhas políticas e por isso são também responsáveis pela representação escolhida para nos governar.

    Aliás, se nos pusermos a quantificar, os trabalhadores (e as suas famílias) são certamente a maior parte da população e, por conseguinte, serão a maior parte do eleitorado. Sendo assim, serão até, estatisticamente, a classe mais responsável pelas escolhas políticas de que resultam os governos e, por conseguinte, pelo resultado que elas produzem.

    Talvez a experiência vivida nos obrigue, a todos, a ser mais exigentes nas escolhas e, sobretudo, a uma participação cívica mais activa e frequente.

  12. JSa 29 Nov 2010 as 18:21

    …”Quanto à responsabilidade, não pode dizer que os trabalhadores não são responsáveis pela situação que vivemos. ”

    Subtil semântica. De acordo. Mas uma coisa é medir “produtividades” do “Trabalhador-mister-profissional” na Auto-Europa, Suiça, Luxemburgo,na RTP ou em Portugal. Outra coisa é imputar culpas na “produtividade” ao “Trabalhador-cidadão eleitor”. Ambas foram bem analisadas, mas.
    Convenhamos, ambas a “produtividades”, em Portugal, até dependem de factores externos aos “trabalhadores”.
    No primeiro caso depende da sua inserção laboral e do tipo de “management” em que está enquadrado -empresa e/ou país-.
    No segundo, “Trabalhador-cidadão eleitor”, no nosso caso, “ser exigente na escolha e participativo civicamente”, está-lhe totalmente vedado. Como sabe a nossa Constituição, centralizante, não é nada semelhante à Suiça.
    PS- Os trabalhadores portugueses na Suiça. Gostam daquele sistema ou não?

  13. ricardo saramagoa 29 Nov 2010 as 18:33

    Até agora os portugueses foram sempre votar nos políticos bem falantes que lhes prometeram aumentos, subsídios, serviços gratuitos e empregos, tudo com fartura e sem esforço.
    Pode ser que qualquer dia, quando ouvirem a mesma conversa, perguntem onde é que o artista que lhes promete o paraíso vai buscar o dinheiro.
    Quando começarem a fazer a pergunta certa, vão ser muito menos enganados.
    Até lá vão ter que pagar pelos erros de que foram cúmplices.

  14. carlos sérioa 29 Nov 2010 as 18:59

    Caro Vb,

    Diz um poema de António Aleixo: a mentira para ser aceite; e atingir profundidade; é preciso trazer à mistura; qualquer coisa de verdade.
    “Metade” da verdade não será mentira mas também não corresponde à realidade.
    Vem isto a propósito sobre as suas considerações sobre a democracia. A democracia formal como a que vivemos, (há vários graus de qualidade de democracia como sabe) está longe de reflectir em eleições os desejos da maioria da população.
    Sem questionar a legitimidade do facto de que o governo ter apenas 25% dos votos da população portuguesa, o certo é que, eleição após eleição os governos praticam políticas diferentes e opostas às promessas eleitorais. O seu argumento seria aceitável se as políticas governamentais correspondessem às promessas eleitorais. Mas não correspondem, são contrárias, e portanto esse vínculo está quebrado. Não faz assim sentido afirmar-se “serão até, estatisticamente, a classe mais responsável pelas escolhas políticas”, como diz o VB. Os trabalhadores não são responsáveis pelas políticas seguidas pelos últimos governos, não as apoiaram nem nelas votaram.

    Por outro lado, infelizmente, os trabalhadores não têm as mesmas armas que as elites dominantes. Estas, possuem o poder de uma comunicação social que veicula a toda a hora as ideias dominantes contrárias em sua essência às aspirações da maioria da população. Como poderá a maioria da população portuguesa aceitar mais “austeridade”, quando 20% dela vivem abaixo dos padrões da pobreza e os salários médios dos portugueses são os mais baixos da zona euro?

    As “reformas” neoliberais não são o caminho.

  15. Anunesa 30 Nov 2010 as 7:25

    O primeiro passo para os que almejam a ditadura é criticar a Democracia onde respiram.
    Aquilo que nos distingue dos países ricos da Europa do Norte é que eles entenderam há décadas que a culpa È DELES.
    Caro Carlos Sério, como Democrata, Trabalhador e Eleitor:
    A CULPA É MINHA!

  16. VBa 30 Nov 2010 as 9:19

    Caro Carlos Sério,
    1. Legitimidade democrática. O governo actual foi eleito com 36.5% dos votos válidos (e não tenha dúvidas de que a maioria dos votos que o elegeram são de trabalhadores). É, por isso, minoritário. Mas como a representação dos outros 63.5% não consegue um traço comum que os una e lhes permita formar um governo alternativo, significa que as demais representações são “minorias menores” do que a que formou governo e, portanto, este é o único possível dentro do actual quadro parlamentar. A percentagem que enumera – 25% – tem subjacente, creio a abstenção. Nesse caso, o governo representa 22% do eleitorado (menos que os seus 25%). Mas aqui há 2 problemas: i) a abstenção também não tem nenhum traço de união conhecido – as pessoas abstêm-se pelas mais diversas razões – que lhe dê qualquer consistência orgânica, ou não orgânica, para ter um significado político relevante; b) se se lhe quiser atribuir o papel de uma “maioria silenciosa” ter preciso ter cuidado, porque o resultado essa invocação nem sempre dá o resultado que se pretende…
    2. Cumprimento das promessas eleitorais. É verdade que os governos nem sempre cumprem o que prometem em campanha – o actual é um caso paradigmático, pois acabou a governar com o programa derrotado! Mas quando são reeleitos, como foi o caso, será, pelo menos um sinal de que os eleitores ficaram satisfeitos com o que fez anteriormente. E nesta matéria convém recordar que, como disse Popper (creio, mas não estou certo), a Democracia não garante a escolha do melhor governo possível (nenhum regime garante, pois os governos são como os melões), mas apenas nos permite livrar dos maus governos sem recurso à violência.
    3. Elites e propaganda. É razoável admitir que algumas elites tenham um peso dominante nas opiniões e ideias veiculadas pela comunicação social e que isso possa influenciar a opinião de muitos. Mas há uma razoável diversidade de opiniões expressas e não há censura formal (o que não é garantido noutros regimes que se auto-invocam representantes dos trabalhadores). Mesmo entre nós, muita gente acha, por exemplo, que o Bloco tem na Comunicação Social um eco muito superior à sua representação social. Por outro lado, é preciso cuidado quando se deixa subentendido que os trabalhadores são manipulados pelas elites. Primeiro, porque subavalia a inteligência dos trabalhadores. E depois porque, se são facilmente manipuláveis também o serão por uma qualquer vanguarda do proletariado, que é um outro tipo de elite.
    4. Austeridade. Eu percebo a angústia, mas sem dinheiro não há outro remédio.

  17. VBa 30 Nov 2010 as 9:22

    Caro JS,
    Eu não imputei a “responsabilidade” da produtividade portuguesa aos trabalhadores. Imputei apenas a responsabilidade pelas escolhas políticas que, como cidadãos, fazem e que originam os governos que nos governam.

  18. carlos sérioa 30 Nov 2010 as 11:20

    Caro VB,
    1. A legitimidade democrática de um governo acaba logo que ele execute uma política contrária à que defendeu em eleições, ainda para mais quando obtém apenas 22% de votos.
    2. A mistificação dos cidadãos pela propaganda política é um facto. E uns têm acesso fácil à CS e outros não. Não substimo a inteligência dos trabalhadores mas muito menos substimo a inteligência dos “executivos e agentes financeiros” e a dos grandes accionistas das grandes empresas.
    3. “mas sem dinheiro não há outro remédio” diz o VB. Aqui reside o seu maior erro.`´E que há dinheiro, só que está mal distribuido. E quem lhe garante caro VB que o dinheiro que vai ser retirado com as medidas de austeridadeque aí vêm àqueles que sempre suportam as crises não vai direitinho para a especulação financeira em vez de ir para a produção, única forma de desenvolvimento, crescimento e criação de emprego?
    “Entre 1980 e 2006, a riqueza financeira mundial (incluindo acções e debêntures, títulos de dívida privada e da pública e aplicações bancárias) cresceu mais de 14 vezes, enquanto o PIB mundial cresceu menos de cinco vezes”.
    Depois, o caso português é um pouco diverso dos outros países. Portugal acumula todos os anos um défice crónico anual de cerca de 10% do PIB, dinheiro que é desbaratado sem qualquer retorno social ou económico, naquilo a que chamo corrupção institucional. Falo das empresas municipais parasitárias, dos multiplos órgãos do estado igualmente parasitários, e de outros gastos superfluos do estado, criados apenas para alimentar uma classe política que se move por seus interesses particulares.
    Antes de se pensar em austeridade e de a considerar como uma fatalidade inquestionável, como faz o VB, será preciso arrumar a casa e denunciar esta situação, como não faz o VB, com a veemência que se impõe.

  19. luckluckya 30 Nov 2010 as 11:26

    “As “reformas” neoliberais não são o caminho.”

    Curiosamente o Chile não tem estes problemas…uma vez que só em situações de excepção pode ter défices…
    ….
    A maioria dos Portugueses, com os ditos “trabalhadores” à cabeça vota no endividamento. Ou seja viver às custas dos outros.
    Ou seja dos “trabalhadores” Alemães.
    As únicas poucas vozes que falavam – quando importava- contra o défices altos foram silenciadas pelos ditos “defensores dos trabalhadores” agora os ditos “trabalhadores” pagarão a dobrar a “defesa” que lhes foi feita.
    É muito bem feito.

    Não me lembro de ouvir algum político ou economista Português falar em défice zero e ainda menos defendê-lo…

    Mas é isso que irá acontecer.

  20. fvroxoa 30 Nov 2010 as 12:20

    Afinal O QUE ESTÁ EM CAUSA por cá e na “nossa Europa” penso é qualquer coisa do tipo:
    Os “centrais” são estudiosos e respeitadores da lei
    Os “ilhéus da Mancha”, organizados e pontuais
    Os Italianos, alegres e românticos
    Os Franceses, cultos e finos
    Os Espanhóis desafiantes e animados
    e Os Europeus Ocidentais, “poderosos” e “adiados”.
    Aos portugueses calhou serem, inteligentes, honestos, mas “positivamente desajustados”
    Como se pode verificar somos os únicos com 3 virtudes, que resultam muito do facto de sermos especiais (como o prova o nosso Special One hoje já mais animado do que ontem) e, em combinação das 3 virtudes, sermos muitas vezes impertinentes e arrogantes.
    Mas quando comandados por outros (inclusive portugueses…) trabalhadores e disciplinados qb.
    Simplesmente cuidado:trabalhar nos sectores primários não é o mesmo que no terciário.
    Estes são mais “servitrabalhadores” conservados em muito ar condicionado.
    Ponto Final e são 75% dos activos.
    No tema “trabalhadores” não seria preferível pensarmos que o problema até não são os salários de per si, mas as Transferências Sociais em que exagerámos sem avaliação dos seus impactos na nossa competitividade?
    E o que está hoje em causa é mudarmos o paradigma de um Estado Social que incentivou o Desleixo pseudosolidário e a Vontade inFlexivel que muitas vezes só funciona a poder de medicamentos ou… bebidas alcoólicas (!) e “drogas” de conversa e das outras?
    Vou ali “arrumar a casa” e depois volto para a desarrumar o debate.
    Porque pensar sempre da mesma forma, dá sempre um certo alívio emocional.
    E sobretudo culpamos terceiros dos nossos insucessos.

    Nota final:Os patrões não reconvertidos são a outra face da moeda.E isso também é o que está em causa.
    Mas o problema agora é “rapidamente e em força”, acabar com outras coisa fazer em simultâneo um plano de acção à séria e não como aconteceu em 2009 e 2010.Para não falar em toda a ultima década.
    FVRoxo

  21. VBa 30 Nov 2010 as 17:16

    Caro Carlos Sério,

    Sobre a sua descrença nos mecanismos de funcionamento da democracia representativa, não há nada de útil que eu lhe possa acrescentar.

    Quanto ao “arrumar da casa” e a minha maior ou menor veemência em denunciar a situação, creio que seria demasiado fastidioso recordar aqui, num comentário, todas chamadas de atenção públicas que, em devido tempo, fui fazendo ao longo da última dúzia de anos. Talvez o seu desafio me incentive a publicar alguns posts de “memórias”. Deixo apenas duas recordações na resposta que se segue.

    Caro lucklucky,

    Apesar de não se lembrar, deixe-me recordar-lhe só dois manifestos (através de pequenos extractos dos mesmos) sobre o assunto (para ficar só em posições colectivas):

    MANIFESTO SOBRE AS FINANÇAS PÚBLICAS, subscrito por 9 economistas e publicado no DN de 9/2/02:

    “1. A situação das finanças públicas portuguesas é grave e constitui um sério obstáculo à capacidade de o País utilizar favoravelmente o seu potencial de desenvolvimento produtivo. A despesa pública em percentagem do produto cresceu incessantemente e tem hoje um peso relativo significativamente superior ao registado em países que partiram de posições menos favoráveis, como a Espanha. A visibilidade dos efeitos negativos desse crescimento conseguiu ser adiada durante algum tempo, graças à redução das taxas de juro que impendem sobre a dívida pública, à utilização de receitas provenientes da venda de activos do Estado e ao aumento da carga fiscal sobre a economia. Além disso, os registos orçamentais subavaliam a verdadeira dimensão do crescente comprometimento de recursos financeiros públicos na actividade económica, pois que muitos desses compromissos não foram adequada e transparentemente registados. No entanto, importa ter consciência de que, qualquer que seja o registo contabilístico desses compromissos, eles constituem direitos de saque sobre os impostos e, como tal, terão sempre de ser pagos, mais cedo ou mais tarde, pelos contribuintes. Deste modo, é imperioso conseguir-se um empenhamento sério, determinado e temporalmente consistente, para a consolidação das finanças públicas portuguesas. Não só pela necessidade de cumprir as responsabilidades que assumimos com a entrada na UEM, mas, sobretudo, para se poder reconduzir o País à senda do desenvolvimento económico sustentado.”

    2. Nesse sentido, o conjunto de subscritores deste documento apela aos partidos políticos candidatos às próximas eleições para que se comprometam a apoiar as medidas necessárias para alcançar um rápido e sustentável equilíbrio orçamental, conforme o conceito acordado pelos países da zona euro, e a manter as finanças públicas dentro dos necessários princípios da disciplina e do rigor. … os mesmos subscritores recomendam, em especial, a adopção dos seguintes princípios e medidas…:

    a) Programar os orçamentos dos próximos anos por forma a contê-los rigorosamente dentro das exigências do Pacto de Estabilidade e Crescimento da Zona Euro;

    b) Introduzir um sistema de orçamentos deslizantes a quatro anos (para os principais agregados e detalhado para os principais sectores gastadores);
    … … … ”

    MANIFESTO SOBRE O INVESTIMENTO PÚBLICO, subscrito por 13 economistas e publicado em 26/7/05:
    “Tem sido por demais reconhecido que Portugal vive uma profunda crise. Face à sua capacidade de gerar riqueza, a economia tem um excesso de despesa, quer ao nível das finanças públicas, quer ao nível da sociedade em geral. Tais excessos estão traduzidos, nomeadamente, nos persistentes défices das contas do Estado e das contas externas do País. Por outro lado, é notória a perda de capacidade competitiva da economia portuguesa, tal como dão conta o défice externo, o crescimento medíocre dos últimos cinco anos (e perspectivas para os próximos) e o crescente desemprego.

    Este preocupante cenário requer uma urgente e dedicada concentração de esforços visando apropriadas medidas de contenção orçamental (com uma estrita selectividade das despesas públicas), de incentivo económico a favor dos sectores produtores de bens transaccionáveis, de promoção da eficiência económica (nomeadamente através da redução das ineficiências geradas pelo próprio Estado) e de uma moderação da despesa colectiva. Mas face a tal cenário parece ter emergido uma corrente de pensamento que acredita que a superação da crise pode estar no investimento em obras públicas, sobretudo se envolvendo grandiosos projectos convenientemente apelidados de estruturantes.

    Porque a situação é séria e o País não pode, sem pesados custos, embarcar em mais experiências fantasistas, importa dizer, de forma muito clara, que essa ideia é errada e a sua eventual concretização poderá ser desastrosa para o País.”
    … … …”

  22. JSa 30 Nov 2010 as 18:03

    VB
    A sua frase sobre “responsabilidade pelas escolhas políticas”, óbviamente, estava, está, correcta.
    A nuance é apenas sobre o incomensurável, a medida, o grau, dessa responsabilidade.
    Até que ponto, em Portugal, não estaremos, politicamente, na situação de: “taxation without representation is tyranny”?. Em elevado grau?.

  23. fvroxoa 01 Dez 2010 as 22:01

    O que está em causa para além de nós pela voz de outros
    http://www.project-syndicate.org/commentary/fischer57/English

  24. fvroxoa 04 Dez 2010 as 15:41

    Em dia frio uma boa análise sobre “afinal está em causa possivelmente muito mais do que vemos ouvimos e lemos:
    http://www.voxeu.org/index.php?q=node/5887


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