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Jan 18 2011

(In)Sucesso Escolar

Publicado por Fernando Lobo a 9:00 em Artigos Gerais

Os dados recentemente divulgados pelo GAVE são preocupantes. Mais preocupante são depois dos dados apresentados pelo estudo PISA.
Enquanto que o estudo da OCDE nos indica que Portugal agora se encontra na media da OCDE na educação, tendo sido o país que mais progrediu, este estudo do organismo nacional que avalia o estado da educação conclui que os alunos portugueses são incapazes de estruturar um texto encadeado, de explicar um raciocínio com lógica, de utilizar linguagem com rigor científico ou mesmo de articular diferentes conceitos de uma mesma disciplina. Segundo este estudo, nem uma resposta a nível da Matemática que exija várias etapas de resolução encadeadas os alunos não capazes de resolver!
Estes são dados preocupantes, que se irão reflectir no futuro. E não é com a introdução das novas tecnologias que eles se resolvem. Pelo contrário, as novas tecnologias apenas os ajudam a potenciar.
Como podemos exigir o desenvolvimento do cálculo mental a um aluno se desde sempre lhe é facilitado o uso de calculadoras?
Como se espera a redução dos erros de português e de construção frásica se são utilizados sistematicamente ferramentas informáticas com correcção automática?
Além disto, fui recentemente confrontado com a notícia do fim das disciplinas de Estudo Acompanhado (EA) e de Área de Projecto (AP) no 3º Ciclo do Ensino Básico, e de Área de Projecto no Ensino Secundário.
Enquanto aluno tive a oportunidade de experienciar ambas as disciplinas, quer na vertente de 3º Ciclo, quer na vertente de Secundário.
Deixando um pouco de lado a vertente de 3º Ciclo que já foi há mais uns anitos (6 anos, mais precisamente), gostaria apenas de referir que no que ao EA respeita, tivemos uma grande componente daquilo que me parece ser o espírito da disciplina (ainda que o desconheça em rigor, quer para o EA, quer para a AP), isto é, um verdadeira aula que nos permitia complementar as restantes disciplinas, fosse pela resolução de fichas de trabalho, fosse pela preparação para alguns testes. Ainda que melhoramentos lhes pudessem ser introduzidos, de um modo geral funcionaram muito bem. Quanto à AP de 3º Ciclo, ela consistiu na elaboração de diversos trabalhos (um pouco avulsos e tendo em conta necessidades momentâneas, nalguns casos respeitantes a eventos que iriam ocorrer na escola).
Já relativamente à AP de Secundário, esta sim, parece-me ser uma disciplina que poderia ter uma forte componente preparatória, principalmente nos cursos de cariz científico e de acesso ao ensino superior. Nesta disciplina tivemos como tarefa a elaboração de um trabalho de grupo, que nos ocupou todo o ano lectivo. Dependendo dos temas trabalhados por cada um, ela foi mais ou menos interessante e mais ou menos produtiva. Ainda assim, e uma licenciatura depois, parece-me fazer todo o sentido (agora) que esta disciplina seja mantida, mas melhorada. Ao invés de se irem fazendo trabalhos de grupo um pouco ao sabor dos momentos, parece-me que seria uma disciplina importante onde se poderia ensinar os alunos a fazerem verdadeiros trabalhos de pesquisa (trabalhos de pesquisa científica), uma vez que para a grande maioria dos jovens que frequenta um curso científico no Secundário, o seu objectivo será o acesso ao ensino superior onde terão de fazer esse tipo de trabalho frequentemente, daí que este me pareça ser o espaço ideal para se ensinar a fazer verdadeiros trabalhos de pesquisa científica (ou no jargão de investigação, trabalhos de revisão da literatura/revisão bibliográfica).
Além disto, e não apenas nestas disciplinas, mas em todas, os trabalhos deveriam ser alvo de um muito maior controlo no que respeita ao já clássico copy&paste. Trata-se do maior retrocesso educativo de sempre, em que os alunos conseguem entregar trabalhos de centenas de páginas sem que tenham lido uma linha dos mesmos. Nem a correcção dos termos de Português do Brasil para Português de Portugal muitas vezes era feito (e graças ao novo acordo ortográfico, nem vai voltar a ser preciso na maioria dos casos).
Algo parece-me que deva ser feito, e com certeza não é a cortar algumas das disciplinas onde isto poderia ser modificado que se vai conseguir melhorar… Não sendo de todo contra a utilização das novas tecnologias, sou isso sim inteiramente contra a forma como as mesmas estão a ser implementadas, sem qualquer orientação, e em substituição completa do uso do cérebro humano…
A aposta na formação deve continuar a assumir um papel de grande relevância, mas a aposta não deve ser na formação para as estatísticas, mas sim na formação para o conhecimento e a capacitação dos recursos humanos, pois só assim a competitividade nacional pode ser alcançada no médio e longo prazo (não com as estatísticas) …

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