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Mar 11 2011

Solidariedade Geracional

“Solidariedade Geracional”

Esperemos que este seja o “Ano Fim” do conformismo cívico e do adiar da tomada de decisões quanto ao Futuro. Não podemos permitir que a resignação se instale ou sirva de “arma da arremesso” para um esgrimir inútil de “politiquices partidárias”.
Os problemas com que nos defrontamos devem-se sobretudo a uma falta de visão de futuro e à falta de competitividade da nossa economia. Foram décadas a produzir menos do que consumimos. Endividámo-nos. Não se mediram bem as consequências das medidas tomadas e hoje vemo-nos na obrigação de tudo cortar a todo o custo! É necessário repor a sensatez e o equilíbrio rapidamente, mas não a qualquer preço!
Seria desejável investir urgentemente na solidariedade geracional, a bem do país! É tempo das instituições e organizações se abrirem à sociedade. Refiro-me às instituições, no seu todo, aos decisores políticos, aos empresários, aos líderes sindicais, a todos aqueles que persistem em não evoluir, em não contribuir para que o país mude, quando o mundo todo muda à sua volta! Estamos na situação em que estamos, como resultado das escolhas políticas que temos vindo a fazer e não outras. Recordo que a legitimidade democrática, tem de ser vista em dois primas. A legitimidade que é conferida pelo voto dos cidadãos aos que os representam, em cada mandato e eleição, e  a legitimidade que esse mandato confere no exercício da função, ou seja, no dia a dia da governação. É bom não esquecermos que não basta ser eleito e que a eleição não legitima os eleitos para fazerem tudo o que querem. É preciso que se cumpra o que está no programa eleitoral, porque ele consubstancia a “palavra dada” aos cidadãos que lhes confiaram o seu voto.
As circunstâncias exigem novas lideranças, novos protagonistas, novas regras, novos paradigmas, um outro horizonte que nos traga esperança e nos faça acreditar ser possível vencer, num futuro próximo. Curiosamente, a palavra crise provem da palavra grega “Krisis”, significa separar, escolher, cortar e decidir, um ponto de mudança súbita que obriga a uma avaliação. Define um período de transição entre uma época próspera e uma época de recessão. É um tempo de maturação que deve ser aproveitado para pensarmos nos erros cometidos, na forma de evitar cometê-los de novo e de os remediarmos, aperfeiçoando modelos e estratégias de acção, em busca de soluções. Temos de definir quem e o que é que faz parte das soluções e dos problemas. Uma coisa é certa, ninguém vai resolver os problemas de hoje, a pensar da mesma forma que pensava quando eles foram provocados!É tempo de aplicarmos, na íntegra, a mensagem do Presidente Kennedy: “…Não perguntes o que o teu país pode fazer por ti, mas o que é que tu podes fazer pelo teu país!…”
Temos de dar largas à imaginação, à criatividade e à inovação pois só inovando, nos tornaremos competitivos.
E o que podemos nós, jovens, fazer concretamente pelo nosso país?
Somos a “Nova Geração” e temos agora a oportunidade de fazermos um país novo. Não somos a geração “rasca” e de nada vale, sentindo-nos “à rasca”, irmos por aí, protestar por protestar sem que isso tenha um resultado prático ou objectivamente um sentido, uma razão e uma consequencia nos dias a seguir.  É certo que muito evoluímos nestes últimos 37 anos. Mas não podemos cair no mesmo erro das gerações anteriores, que tiveram e conquistaram tudo, e agora, por má gestão e falta de visão a longo prazo, estão a perder o que conquistaram.
Nós, jovens, temos de ser a geração do “desatar do nó”, como diriam Vítor Bento ou António Carrapatoso. Por outras palavras, somos a geração que tem de se “desenrascar”, mas com consciência e responsabilidade. Vamos ser nós que iremos ter de “reabilitar” o sistema politico, incutindo nele sangue novo capaz de fazer as reformas de que o país precisa para lhe rasgar novos horizontes e perspectivas. Não podemos continuar a pensar que o Estado é a resposta para tudo e que os direitos justamente adquiridos nos bastam ou nos podem servir de bengala. Temos de evoluir em função do país real. As novas gerações têm de despertar em si um ímpeto reformista, capaz de romper barreiras e bloqueios. Nós não somos uma geração bloqueada, porque detemos as maiores armas – a Juventude, a Irreverência e a Capacidade de decidir, porque estamos informados e mais bem preparados do que nenhuma outra!
O Futuro é nosso e temos de nos impor geracionalmente! Temos de encontrar outros meios, outras soluções, outros caminhos e saídas que passem pelo nosso esforço pessoal de afirmação, pela nossa determinação em fazer o que não está feito e em corrigir o que precisa ser corrigido, mesmo que isso implique perda de algum conforto em que nos foram instalando.
A nossa geração vai ter de fazer aquilo a que designo por uma  “Catarse” Geracional! Um “Basta Geracional” é preciso!
Temos de transformar o possível conflito de gerações numa dinâmica de solidariedade geracional, impulsionada pela Juventude. Os nossos pais e avós têm de nos apoiar e ajudar, de forma a podermos mudar a visão do futuro incerto que nos legaram! Fazer esta “ponte” deve ser, neste momento, o nosso mais importante contributo.
Venderam-nos ilusões. Convenceram-nos de que o amanhã seria sempre melhor, geração após geração. Chegou o momento de pararmos para reflectimos. Chegou o momento de termos de adequar o nível de vida a que nos habituámos a níveis e a padrões bem diferentes e bem mais realistas. As gerações que nos antecederam, sem se aperceberem disso, podem ter hipotecado as gerações do Futuro. De um momento para o outro, deixamos de ter como adquirido o direito ao trabalho estável, deixamos de poder prever o momento de podermos consolidar uma família e passamos a ver reduzidos drasticamente os nossos recursos financeiros e económicos. Temos urgentemente de regressar a uma sociedade mais humanista e solidária, em que conceitos e ideais como os da “liberdade, igualdade e fraternidade” têm de ser efectivamente recuperados. Há que privilegiar o ser em detrimento do ter!
Não estamos numa época de revolução. Temos é de fazer várias “revoluções”, ou seja, reformas efectivas, mobilizando activamente os cidadãos para isso. Tem de se trabalhar, congregar esforços em múltiplas frentes. Aflige-nos a falta de esperança, o desemprego, os problemas em sectores fulcrais como o da Justiça, o da Saúde ou o da Educação. Há a dívida que temos para pagar. Paira sobre nós a eminência da falência das políticas distributivas e da Segurança Social.
Não podemos continuar pois a viver um modelo que se esgotou. Tem de haver rupturas.
A geração dos nossos pais vai ter de trabalhar mais uns anos, para receber a sua reforma mas nós, a geração de hoje, descontando exactamente o mesmo hoje, podemos vir a receber metade amanhã ou nem isso.
Neste momento de balanço e de delineação de estratégias, temos de ser positivos, ousados, rigorosos, e, sobretudo, autênticos e transparentes, para podermos impor uma cultura de responsabilidade! Mais do que reflectirmos a crise, é necessário pensarmos em soluções que rapidamente nos tirem dela.
Responsabilidade e “Solidariedade Geracional” parecem ser pois as palavras de ordem!
É proibido cruzar os braços!

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