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Mar 13 2011

Melhor Estado Social e Menos Estado Socialista

Publicado por António Guilherme Almeida a 6:18 em Artigos Gerais

A eliminação da pobreza e das desigualdades sociais tem de ser a primeira prioridade de qualquer acção governativa verdadeiramente motivada por um ideal de justiça social. Os mais velhos, os deficientes, os mais novos, os imigrantes, enfim, todos aqueles que vivem com menos rendimentos e recursos, têm de ser o alvo prioritário de uma política de responsabilidade social.
Neste momento, assistimos ao agravamento das condições de vida dos portugueses em consequência de medidas como a diminuição dos salários da função pública, os cortes nas pensões e no abono de família, a redução das prestações sociais aos sectores mais desprotegidos da população, a cessação do subsídio de desemprego e Rendimento Social de Inserção.
Por outro lado, somos confrontados com um aumento dos impostos, do desemprego, das taxas de juro, agravando as crescentes desigualdades sociais, provocando tensão e exclusão, factores que poderão originar uma crise social de contornos difíceis de prever.
Acresce a tendência do aumento da esperança média de vida, do acréscimo dos custos com a saúde, do agravamento das prestações de reforma, da necessidade de formação ao longo da vida e do retardar da entrada dos jovens na vida activa, vão contribuir para aprofundar a crise económica e social e antecipar a falência do estado social, caso não sejam tomadas medidas vigentes.
Como afirmou o Presidente da Republica no discurso de tomada de posse, “Portugal vive uma situação de emergência económica e financeira, que é já, também, uma situação de emergência social, como tem sido amplamente reconhecido”.
Em tempos difíceis, em que os serviços públicos, instituições e outras entidades, atravessam uma grave crise financeira, deveríamos começar a pensar na implementação de novas políticas sociais que visem, antes de mais, a educação social, a responsabilização do indivíduo, objectivando e assegurando sempre a sua autonomia.
Os utentes do RSI, do subsídio de desemprego, entre outros, deveriam ser obrigados a prestar “Trabalho Social de Integração”, serviço comunitário nas autarquias, nas IPSS e nas instituições sem fins lucrativos. A adopção de políticas de acção social de proximidade e de qualidade, promovem respostas mais adequadas para as necessidades concretas de pessoas e instituições.
O dito estado social, muitas vezes não passa do discurso de retórica do governo, porque, na prática, não consegue dar resposta às crescentes necessidades e problemas sociais da população em dificuldades, nem tão pouco responder às necessidades básicas e fundamentais de quem precisa. No terreno, estas necessidades têm sido supridas através da acção da comunidade, IPSS, paróquias, autarquias, famílias e cidadãos, que estão a desenvolver um conjunto de projectos, como são exemplo as lojas sociais, refeitórios sociais, voluntariado, doações, inovação social, comparticipação de medicamentos, ajudas técnicas, distribuição de alimentos, ajuda para a reabilitação de habitações, etc., etc.
Urge saber interpretar os sinais de degradação da qualidade cívica, da confiança dos cidadãos nas instituições, do funcionamento da justiça, dos níveis de segurança.
É fundamental procurar novas soluções, envolver cada vez mais as empresas, a sociedade civil e a família, estabelecer prioridades para diminuir as desigualdades sociais, criar condições para combater esta “crise social” e voltar a dar esperança aos portugueses.
É tempo de dar prioridade e dignidade às pessoas, reforçar a coesão inter-geracional, premiar o mérito, fomentar os valores, promover a vida, valorizar a família, melhorar o indicador da felicidade do cidadão.
António Guilherme Almeida

5 comentários até agora

5 Comentários para “Melhor Estado Social e Menos Estado Socialista”

  1. PedroSa 14 Mar 2011 as 11:33

    Há dois anos que venho a pregar no deserto sob um dos instrumentos que mais tem liquidado a economia: a destruição da responsabilidade limitada nas empresas.

    Instrumento que alavancou o crescimento do empreendedorismo no século XVIII, XIX reverter dívidas e ilimitá-las a gestores, administradores e cia. pode parecer uma boa forma de combater a fraude fiscal mas é pela sua carga de perigosidade em ambiente de grande precariedade empresarial uma bomba atómica para o tecido empresarial.

  2. PMPa 14 Mar 2011 as 14:31

    É pena que a oposição do PSD / PPC não perceba que o Estado Social é viável desde que o Estado do Compadrio, do Desperdicio, da Incompetência dos Boys, do Centralismo Burrocrático, seja controlado e gradualmente eliminado.

    É também pena que em portugal se siga as ideias bacocas da OCDE da empregabilidade gastando 2,5 mil milhões de euros por ano em ajudas ao emprego e pseudo-formação profissional e nova oportunidades, em vez da criação directa de emprego nas áreas sociais, ambientais e rurais, quando se verifica em toda o lado a falência das teorias da empregabilidade, pois o que está em causa é a falta de emprego nas sociedades.

  3. Jose Caetanoa 15 Mar 2011 as 18:45

    Na sua tomada de posse, o Presidente da República afirmou:

    “No momento que atravessamos, em que à crise económica e social se associa uma profunda crise de valores, há que salientar o papel absolutamente nuclear da família. A família é um espaço essencial de realização da pessoa humana e, em tempos difíceis, constitui o último refúgio e amparo com que muitos cidadãos podem contar.
    A família é o elemento agregador fundamental da sociedade portuguesa e, como tal, deve existir uma política activa de família que apoie a natalidade, que proteja as crianças e garanta o seu desenvolvimento, que combata a discriminação dos idosos, que aprofunde os elos entre gerações.”

    Digo que é urgente a adopção de políticas públicas que protejam e dignifiquem as famílias, que as tratem com equidade e justiça, que possibilitem que as famílias tenham os filhos que desejam ter, que as crianças não cresçam desacompanhadas, que os idosos não fiquem sós.
    Nos últimos anos o Estado preocupou-se com as pessoas, não percebendo que com politicas anti familia estava a dar tiros nos pés.
    As familias garantem o que o Estado não pode ou não quer fazer, basta apoiá-las em vez de promover uma organização individualista, egoista, em que cada um olha só para os seus interesses.
    Os casais normais com filhos, estão há anos a ser maltratados, e são ao olhar deste “estado” uns anormais !

  4. PMPa 16 Mar 2011 as 17:15

    Pode concretizar essa politicas ?

  5. Carlos Costaa 17 Mar 2011 as 14:18

    Julgo que ninguém porá em causa a existência de um Estado Social.
    Será mesmo um dos pilares da nossa jovem Democracia, tal como a Família será a sua base.

    Mas este, como outros assuntos, é invariávelmente tratado por uma esta classe política dominante, como um manancial de oportunidades de favorecimento para uma horde cada vez maior de gente que se refugia na política por não saber fazer …. NADA!

    Ou seja, existe na nossa “democracia” uma total inversão de valores.
    Em vez de termos na classe política gente com experiência de vida e provas dadas, temos “profissinais” da política, que nada mais fizeram na vida que … política!

    E temos já “dinastias” de políticos e tudo!

    Meus senhores, a hora é de aperto!
    Precisamos de quem venha do Povo e o conheça bem.
    Não precisamos de discursos eloquentes, nem de argumentações brilhantes. As palavras bonitas não nos dão de comer!

    PRECISAMOS DE ACÇÃO! E Rápido!

    Precisamos dos nossos melhores. Desses que nunca quiseram imiscuir-se no mundo da política. Dos que trilharam o seu caminho, dos que verdadeiramente SABEM e não dos que têm pretensões de adivinhar…

    É a hora da Verdade!

    Este (des)governo já nos “leiloa” a qualquer preço como se nos estivesse a fazer um favor!

    Apenas conseguem controlar a despesa com mais impostos e mais cortes salariais!
    E publicitam como se não houvesse amanhã o mais pequeno retoque cosmético da Despesa Publica!

    Mas avança o TGV !

    E mais um aponte !

    E mais uns milhares de milhões em grandes obras!

    É preciso travar isto. Já!