Blog Sedes » Quem são os responsáveis?

Mar 16 2011

Quem são os responsáveis?

Numa democracia os políticos são responsabilizados pelos seus actos. Agora, que estamos num drama economico, financeiro e social, quem devemos responsabilizar?
Sucintamente o problema actual radica na situação financeira comatosa do Estado Português e com isso todas as políticas recentes têm sido justificadas. Quem são os responsáveis?

A resposta oficial é: a crise financeira internacional (CFI). Ou seja, nenhum político é culpado do descalabro actual.
Esta resposta é falsa. A CFI acabou. A Alemanha cresce a 4%, os EUA andam perto, a China nem a sentiu e o Brasil passou-lhe ao lado. Portanto, a CFI acabou. O que nós temos (tal como os gregos e os irlandeses) é a nossa crise. E essa tem responsáveis.
Os responsáveis são por ordem crescente de relevância. Primeiro, Guterres que há dez anos nos deixou um défice de 4.4% e uma dívida de uns 55% do PIB (cito de cor). Depois seguem-se Durão Barroso-Ferreira Leite que nos legaram um défice por volta dos 6%, sem receitas extraordinárias (que apenas agravaram défices futuros). A dívida pública ficou já acima dos 60%.
Por último e mais importante, Sócrates cuja última proeza foi um défice de 9,3% (pelo menos) e uma dívida pública em bem mais de 80%.
O seu a seu dono.

35 comentários até agora

35 Comentários para “Quem são os responsáveis?”

  1. Luís Mesquita Britoa 16 Mar 2011 as 17:18

    Enquanto a nossa classe politica não for responsabilizada criminalmente pela forma negligente como governa, nunca mais iremos ao sitio. Acredito que muitos dos erros não resultam de dolo, de má fé ou de ilicitude mas resultam claramente de negligência. Resultam de uma postura de quem sabe que nunca irá ser chamado a responder pelas suas decisões negligentes e mal ponderadas. Como se costuma dizer: “quem vier atrás que feche a porta”. Se aos políticos além de responsabilidade politica lhe forem impostas responsabilidades criminais ou mesmo até civis estou em crer que teremos melhor politica, melhores governos, melhores decisões dando origem a um melhor país.

  2. PMPa 16 Mar 2011 as 17:18

    Concordo em geral, mas existem outros responsáveis “soft” e que são muitos economistas profissionais que desvalorisaram e que ainda desvalorizam o gravissimo problema do deficit corrente e que por isso aplaudiram entusiasticamente uma adesão a este Euro estupido.

  3. Jose Lapalicea 16 Mar 2011 as 17:19

    Eu penso da seguinte forma: assumindo que 1983 foi o fundo do poço da contemporaneidade económica portuguesa, desde esse periodo até 1995 ainda vão alguns bons anos.
    Anos pujantes, onde desde 1986 com a entrada na então C.E.E. Portugal ao invés de aproveitar essa altura para fazer as “reformas estruturais” em sectores como justiça ou educação, se inventou o 14º mês dos pensionistas ou as famosas progressões automáticas de carreiras para os funcionários públicos, só para nomear algumas situações criadoras do monstro da dívida pública.
    Por isso, em termos de paternidade de responsáveis pelo atoleiro, concordo com os nomes apontados, mas julgo não despiciendo incluir o período 1987-1995 nessa senda por encontrar responsáveis.
    Ps: Discordo da perspectiva de que Guterres tenha feito um trabalho menos péssimo que Durão Barroso. Acho que a conjuntura económica em que esses governos “trabalharam” era muitíssimo mais favorável a Guterres.

  4. Nuno Vaz da Silvaa 16 Mar 2011 as 17:53

    Os numeros falam por si mas tenho algumas dúvidas que os possamos considerar tacitamente sem ter em conta alguns outros factores como a taxa de crescimento do PIB, a taxa de desemprego, a existência de subsidios comunitários, a taxa de inflação, a existência de investimentos públicos ou de “simples” despesa pública.
    Confeso que sempre senti algum desconforto por analisar apenas números e, se eles podem ser considerados como consequência, fazer deles o bode expiatório das politicas talvez possa ser exagerado (e dificil de demonstrar ao cidadão comum).
    Até porque a divida alimenta-se a si própria (tipo efeito bola de neve), pelo que não podemos ignorar esse facto.
    No entanto, reconheço que os governos mencionados cometeram erros gravissimos nas escolhas efectuadas, pelo que o custo de oportunidade não foi seguramente considerado nas decisões de politica económica.
    Outro dado que me parece ser de levar em conta é a análise das expectativas que têm vindo a deteriorar-se (numa espécie de efeito bola de neve negativo): uma sucessão de governos desgovernados (perdoem-me a antitese) leva a uma quebra de confiança que demora a restabelecer-se (e algo me diz que vamos sentir esse efeito seriamente nos proximos tempos).

    É importante que se nomeiem os culpados mas é fundamental que se definam caminhos alternativos que reponham a credibilidade e a verdade na politica pública portuguesa.
    Chegados a este ponto e caso queiramos evitar a bancarrota (se é que ainda a conseguimos evitar), dificilmente podemos voltar a cometer os mesmos erros, gerindo o país à custa de expectativas irrealistas e de acordo com um tipo de despesa que não podemos saldar.
    Quem está na causa pública, deve abraçar o desafio com patriotismo e não como tacticismo partidário, dando lugar aos mais capacitados na gestão técnica (policy) e remetendo-se apenas a funções de politica corrente caso não esteja dotado dos conhecimentos necessários (politics).
    Como é que isso é possível? Com uma liderança que compreenda o problema, que saiba dotar-se de aconselhamento credivel e que consiga tomar medidas rápidas e eficientes (quick-victories) para ter folga politica para tomar as medidas estruturais dificeis e que mudem o paradigma de economia politica portuguesa.
    Afinal de contas, não é preciso inventar a pólvora! Apenas é necessário querer e saber manuseá-la com inteligência!

  5. Anunesa 16 Mar 2011 as 20:49

    Prefiro sempre pensar que os responsáveis … somos todos nós.
    Os Guterres/ Barrosos / Sócrates deste mundo não nascem de parto celestial. São paridos por uma Democracia, supostamente ocidental, evoluída e educada. Ou seja, todos nós.
    Se não formos capazes de aprender com os nossos erros dificilmente teremos futuro como sociedade no competitivivo e globalizado mundo moderno.
    As próximas eleições serão um grande teste a essa nossa capacidade de aprendizagem, e esse teste será tanto maior quanto mais tarde surgirem essas eleições (a memória costuma ser curta).
    Vamos ver o que aprendemos.
    O problema é que para a Democracia parir governantes de jeito é, em primeiro lugar, necessário que eles surjam disponíveis no momento da escolha. E, no que a tal diz respeito, a nossa sociedade tem sido de uma pobreza Franciscana.
    Tem sido evidente ao nível autárquico que, no momento da escolha, entre o candidato realizador, mesmo que arguido na justiça e mentiroso compulsivo, e o candidato redondo e palavroso, o povo escolhe o que considera o mal menor. E nas próximas eleições legislativas o tipo de escolha não deverá andar longe dessa lógica …

    PS: Caro PMP a maioria das economias europeias da zona Euro têm vivido confortávelmente com a sua moeda única. As melhores empresas Portuguesas idem. Os melhores profissionais Portugueses ibidem.
    Se calhar o problema não estará na numismática da coisa …

  6. fvroxoa 16 Mar 2011 as 21:57

    Sejamos claros e directos:o problema não é encontrar os Responsáveis.Que fomos um pouco todos de acordo com o que está à vista: do simples gasto em energia com lampadas acesas todo o dia em algumas ruas públicas, até aos milhares de milhões em compras publicas e veículos do Estado central e local que nunca se sabe bem para quê e porquê, passando pela reforma da AP da era Cavaco e dos disparos de despesa corrente que provocou, terminando no consumismo idiota e novorico das classes média em especial a média alta depois guterrismo da Expo 98 e mais tarde do Euro 2004, que levaram, somando toda as camadas de alcatrão e rotundas com o abandono dos campos e fábricas, aos déficits externos imparáveis que Vbento há muito aponta.
    O dificil é não apontar os IRRESPONSÁVEIS que, no quadro do jogo politico eleitoral natural, conseguiram manipular variáveis para além do razoável e que sejamos claros se acentua em Barroso e agora explode em Sócrates, depois de um abraço de glória ao som do Hino PORREIRO PÁ.
    Sobre o Portugal económico e politico de ontem e quase hoje leiam-se as páginas 17 a 26 do livro “Politica à Portuguesa” de José António Saraiva” (2007).Simples e claras nas conclusões:publico e privado juntos nunca se galvanizaram.Mas só agora parece se amedrontaram considero eu.
    Donde, há alguma coisa de novo em tudo isto? Não! só exageradamente nova no momento actual a ameaça de “resgate”.E a falta de “honestidade” de quem governa em não dizer: Errámos! vamos resolver isto mas já não é possível sem ombro a ombro.
    Mesmo que para tal o Bloco Central de Interesses tenha de ficar “à rasca” durante algum tempo.
    FVRoxo

  7. PMPa 16 Mar 2011 as 22:12

    Caro Anunes,

    O problema deste Euro estúpido, caso único no mundo e uma invenção de economistas incompetentes e/ou ignorantes sobre como funciona uma economia monetária com crédito privado, é que desencadeia um ciclo vicioso depressivo em países com deficits correntes e públicos elevados.

    Sem este Euro estúpido a nossa moeda já teria desvalorizado possibilitando uma recuperação económica.

    Com este Euro estúpido não temos praticamente hipóteses de recuperação económica no médio prazo.

  8. João Henriquesa 17 Mar 2011 as 0:34

    Longe de mim dizer que os políticos não têm responsabilidades no estado em que estamos.

    O que me parece é que o post original reduz a situação a um problema de gestão financeira, quando o problema me parece muito mais de gestão económica. Aqui todos os senhores e senhora mencionados têm responsabilidades pelos incentivos que criaram ou que não alteraram à alocação de capital e à produtividade do mesmo (nota que de outros textos e intervenções sabemos que não é desprezada pelo Pof. Campos e Cunha mas que á muito relevante neste contexto).

    A este respeito, com o devido respeito institucional e numa nota possivelmente desnecessária mas que me parece justa, não me parece que com um mínimo de seriedade de análise, possamos deixar o actual presidente da república fora do ramalhete… Bom, para dizer a verdade o Estado Novo ajudou pouco… e a primeira república deixou-nos com um atraso monumental… enfim, a verdade é que desde a segunda metade do reinado de D. João III que andamos a dar tiros no pé (na altura era de besta e flecha, mas o estrago era suficiente)… OK, se calhar a parte dos culpados tem uma utilidade relativa (a não ser evidentemente em termos de escolhas eleitorais em que o track record de quem se apresenta é evidentemente relevante).

  9. jorge bravoa 17 Mar 2011 as 0:42

    Por vezes fico tentado a classificar de forma prospectiva, tudo a partir de 1986 como desastre, pelas oportunidades perdidas, pela falta de ideias, pela “engorda do monstro”.

    Como o esgotamento temporal eminente, de cerca de 15 anos, para a renovação das lideranças politicas e da sociedade civil que vinham de antes de 74 e dá-se (por isso) a escolha de chefias partidarias de pendor messianico com a instalação uma clientela politica de curto prazo.

    A continua prática da distribuição de benesses mantem o tipo de clientela politica, alimenta o aumento desmesurado do estado, e a não renovação de lideres.
    Concumitantemente não hà uma Visão Estratégica para Portugal, o que leva então, à falta de um plano de fomento de desenvolvimento de médio prazo, e à instalação do deserto na classe politica e na sociedade civil.

    A não evolução do modelo democrático, de uma partidocracia para uma democracia mais directa do tipo Inglês, leva ao continuo afastamento dos quadros mais jovens e capazes.

    O passamento inesperado de vários lideres da faixa etária mais jovem da classe de 74, ainda agrava mais a situação , levando ao esgotamento actual da capacidade de perlongar a renovação.

    Por isso as mais urgentes tarefas são: O fomento de Ideias e de Lideres.

    Pouco mais resta do que a eleição de um dirigente, com REAL experiencia de gestão e suficientemente livre de passivo pessoal, devidamente assessorado por uma equipa económica e financeira, reconhecidamente muito boa, poderá fazer junto da classe politica e sociedade civil, o recrutamento dos restantes elementos governativos, formando uma equipa de crise suficientemente boa e coesa para gerir a transição e a consolidação económica e financeira.

  10. Maria Teresa Mónicaa 17 Mar 2011 as 1:04

    Caro Luís

    Os que apontas poderão ser os mais responsáveis, do ponto de vista da visibilidade, bem como os partidos de onde emanaram. Embora estejas a poupar a Presidência da República, que poderia ter feito alguma magistratura de influência e consolidação institucional.

    Não tendo sido nunca sequer simpatizante do PSD, ou dos seus sucessivos chefes, nem fazendo tenções, penso que nenhum dirigente como Sócrates foi tão nocivo para o nosso país. Tenho esta opinião muito antes de se ter constatado o descalabro em que caímos. Voto em branco há muito, demasiado tempo. Demais para quem adora a vida cívico-política e a acompanha apaixonadamente desde sempre.

    A avaliação da gestão da res publica é feita nas eleições.
    Vai por aí um vendaval de recriminações, lamúrias e zangas, públicas e privadas. Não se vislumbra nenhuma ideia de como resolver a triste situação em que caímos.
    Quando chegar o dia das eleições antecipadas, onde votar? Mais do mesmo? O que podem os eleitores? Só um milagre poderá proporcionar uma plataforma partidária que consiga alargar o espectro político para fora das baias dos partidos, ultrapassando o impasse do sistema e granjeando apoios para uma coligação credível que faça o que é necessário com clareza, justiça e competência. Mais uma vez o papel do PR é importante, no desbloqueamento do sistema político e na ultrapassagem dos vícios em que estão enredados os “pigmeus” que nos governam ou os outros que esbracejam na Assembleia da Republica.
    Este malogrado estado de “coisas”, de que a crise económico-financeira é apenas parte, tem vários progenitores, sendo os que apontas apenas os actores principais. Mas na sombra, movem-se outros comparsas.

  11. EDUARDO CORREIA DE MATOSa 17 Mar 2011 as 8:54

    Tudo o que aqui foi dito é mais ou menos verdade, mas será que por este caminho vamos criar algum valor acrescentado para a procura de soluções?

  12. Jose Lapalicea 17 Mar 2011 as 8:59

    Para mim apontar os culpados até à exaustão é fundamental. Saber o que falhou, porque falhou e porque é quem actuou daquela forma o fez com tamanha despreocupação. Porque sinceramente, vemos que estes culpados não foram penalizados, antes pelo contrário. A relembrar:
    - Cavaco mereceu o voto (não o meu) para mais 10 anos de poder (desta vez na presidência da república)
    - Barroso, foi na altura do seu abandono aclamado como nobre representante de Portugal na União Europeia.
    - Guterres, conhecido pelas suas skills em tomar decisões é Alto Comissário para os Refugiados (cargo que pelo andar da carruagem será mais útil para Portugal do que represente na UE)

    Portanto, que incentivo é que há para que quem venha tomar as rédeas do poder tenha comportamentos diferentes destes senhores?? Se na sociedade portuguesa a ignorância é tal que estas pessoas continuam a ser vistas com bons olhos (e a merecer votos e deferência), há hipóteses para uma renovação de 180º? É que efectivamente o crime compensa. E quem é que nós vemos na calha: Passos Coelhos, António Seguro, António Costa, Marques Mendes. Todos grandes “renovadores” já com uns 30 anos de política.
    Criar um novo partido não é impossível. O Bloco de Esquerda é um autêntico albergue espanhol e conseguiu impor-se. Mas teve uma ajuda fundamental: a comunicação social. E todos sabemos qual o estado em que está a comunicação social portuguesa neste momento (ie, completamente manietada e controlada).

  13. fvroxoa 17 Mar 2011 as 9:32

    Estou muito pelo que o Eduardo Correia de Matos escreveu.Mesmo que compreenda todos os nossos desabafos.Incluindo o meu.Serenidade precisa-se.
    Logo, nada como uma boa poesia para suavizar os problemas do nosso ADN:)
    Escreveu Machado Assis no seu poema “embirração”
    …”Por eles, e por mim, receio, caro amigo;
    Permite o desabafo aqui, a sós contigo,
    Que à moda fazer guerra, eu sei quanto é fatal;
    Nem vence o positivo o frívolo ideal;
    Despótica em seu mando, é sempre fátua e vã,
    E até da vã loucura a moda é prima-irmã:
    Mas quando venha o senso erguer-lhe os densos véus,
    Do verso alexandrino há de livrar-nos Deus.”…
    Machado de Assis, in ‘Crisálidas’
    FVRoxo (em manhã que nem é Inverno nem Primavera)

  14. jorge bravoa 17 Mar 2011 as 10:03

    fvroxo tem razão, até porque:

    “nenhum péssimista jámais descobriu os segredos das estrelas, nem velejou a uma terra distante, nem abriu um novo ser para o espirito humano”

    Helen Keller

    Os portugueses já!

  15. Jose Lapalicea 17 Mar 2011 as 10:52

    “Há épocas de tal corrupção, que, durante elas, talvez só o excesso do fanatismo possa, no meio da imoralidade triunfante, servir de escudo à nobreza e à dignidade das almas rijamente temperadas.”
    Alexandre Herculano

  16. PMPa 17 Mar 2011 as 12:00

    O prof. L. Campos e Cunha diz : “A Alemanha cresce a 4%, os EUA andam perto, a China nem a sentiu e o Brasil passou-lhe ao lado”

    Quando é que os nossos economistas profissionais percebem que :

    a) A Alemanha tem uma politica industrial desde 1850

    b) Os EUA tiveram uma politica industrial pelo menos desde 1932 até finais dos anos 70 em termos gerais, mas continuam a tê-la mitigadamente com a industria de defesa.

    c) O regime chinês é em si próprio uma politica industrial gigante

    d) O Brasil tem um politica industrial pelo menos desde 1932

    Por isso crescem. Continuar a bater na tecla do deficit publico sem propostas para o deficit corrente não leva a lado nenhum.

  17. jorge bravoa 17 Mar 2011 as 12:50

    Ora aì está!

    “O destino não é uma questão do acaso, é uma questão de escolha”

    Williams Jennings Bryan

  18. PRa 17 Mar 2011 as 13:02

    “Os EUA tiveram uma politica industrial pelo menos desde 1932 até finais dos anos 70 “

    Isso significa que se tornaram a maior potência industrial (início do século XX) sem terem política industrial.

  19. jorge bravoa 17 Mar 2011 as 13:40

    Pois mas:

    ” O trabalho é anterior e independente do capital. O capital é apenas fruto do labor e nunca poderia existir se O LABOR NÃO EXISTICE PRIMEIRO. O trabalho é superior ao capital e merece consideração muito mais elevada”

    Abrahm Lincoln in “Message to Congress”, 1861

  20. jorge bravoa 17 Mar 2011 as 13:41

    Ups! EXISTiSSe, é claro

  21. EDUARDO CORREIA DE MATOSa 17 Mar 2011 as 13:54

    Na linha do proposto pelo PMP, embora numa optica não restrita à política industrial, julgo que seria mais interessante inventariar:
    - o que fizemos errado
    - o que devíamos ter feito e não fizemos
    - o que ainda podemos (e devemos) fazer

  22. José António Girãoa 17 Mar 2011 as 14:47

    Certo Teresa Mónica. O âmago do problema é a falência TOTAL do actual sistema político (parlamentar partidário). Sem a reforma deste não há solução O problema básico e fundamental é POLÍTICO! O que não significa que o económico-financeiro não seja extremamente complexo e grave, e de difícil solução. Mas ele resulta primordialmente do impasse em que vimos caminhando na esfera política, e que chegou ao fim com este incompetente e intelectualmente desonesto Governo! Pior, que me lembre, só o do célebre Vasco Gonçalves.

    Como sair disto, não é facil. Mas qualquer economista (e não só) mínimammente competente é capaz de apontar linhas de orientação política indispensáveis à saída do impasse. Assim se encontre forma de ultrapassar as condicionantes resultantes do actual bloqueamento do sistema político! Faço votos de que a “magistratura activa” prometida pelo recém impossado PR se traduza num semi-presidencialismo activo, que nos liberte das restriçoes decorrentes do actual sistema político e quadro partidário. Parece-me ser esta a única esperança viável que resta!

  23. Nuno Vaz da Silvaa 17 Mar 2011 as 14:49

    Não podia estar mais de acordo com o Prof. J. A. Girão

  24. PMPa 17 Mar 2011 as 16:35

    PR, à medida que os países se industrializam, os que ficam para traz cada vez têm mais dificuldades em o conseguir, pois o seu mercado interno ou próximo fica saturado de produtos dos competidores externos.
    Por isso a necessidade de politicas industriais para os paises que ficaram para traz. (nem vale a pena comentar as diferenças de recursos humanos, acesso a capital e matérias primas dos EUA no sec. XIX com Portugal).

    JB, essa discussão entre o trabalho e capital é muito importante e não estou a falar de uma perspectiva marxizante, e concordo com o Lincoln.

    JAG, eu discordo que o âmago é uma questão politica, pois considero que o âmago é a falta de um consenso nos economistas portugueses de :

    a) a necessidade imperiosa de politicas sectoriais desenvolvementistas (termo usado no brasil)
    b) quais as politicas sectoriais desenvolvementistas a aplicar

    Só depois dum forte consenso nos economistas , poderão estes pressionar os politicos para aplicar essas politicas sectoriais, senão o que acontece é a deriva dos politicos sem um rumo de longo prazo.

    ECM, em minha opinião o erro fundamental português a partir de 1985 é a falta de um projecto desenvolvementista, tendo-se optado por uma ideia de que as privatizações e um projecto de integração europeia do tipo deixa andar que os fundos europeus e o mercado lá resolverão os nossos problemas económicos.

  25. ricardo saramagoa 17 Mar 2011 as 17:00

    O ministro das finanças afirmou que o governo quer fazer o TGV, porque vai ser financiado por “privados”. Os deputados da nação e os políticos da oposição ouviram e… silêncio.
    O nosso ministro das finanças mostra que ainda não compreendeu que o problema de Portugal não é a dívida pública, mas sim a dívida externa.
    Que esperança pode haver com este nível de ignorância no governo, nos deputados e nas oposições?
    Nesta altura do campeonato, a governação do país está entregue a incapazes e pouco há a esperar das classes dirigentes que os poderiam substituir.

  26. Jose Lapalicea 17 Mar 2011 as 18:23

    Caro JAG, recuso-me a aceitar que a única esperança para sair do impasse em o panorama político português está resida numa pessoa de 71 anos que já conta com pelos menos 15 anos de poder em Portugal ao mais alto nível.
    Por todas as razões e mais algumas, e até porque não se pode exigir muito a alguém que trabalha em regime de voluntariado (ie, sem receber salário).
    A haver um messias, de todo será este. O track record dele no primeiro mandato como Presidente da República assim o prova. Não acredito que nos primeiros 5 anos tivemos um Cavaco Silva cooperante com o Governo e agora iremos ter um Aníbal que incentiva os jovens a mudar o país.
    A esperança de mudança foi dada no sábado passado. Oxalá essa participação seja alavancada de forma positiva.

  27. jorge bravoa 17 Mar 2011 as 22:36

    Meu caro PMP, se concorda com Licoln, já somos dois.

    Na realidade as frase citadas tem haver com :

    A Apologética da Livre Iniciativa e da Liberdade.

    Concordo consigo, que é realmente revolucionário, estavámos em 1861, porque já na altura foi, (ver original na Biblioteca do Congresso, http://www.loc.go/index.html procurar em Lincoln) .

    É um banho de alma, que a todos fará bem nos dias que correm.

    Maximizante nem por sonhos, ou tanto como Jesus Cristo 1861 anos antes, nada tem nada a haver com o Max, com muita pena dele, (1871).

    Quanto ao resto concordo consigo.

  28. jorge bravoa 17 Mar 2011 as 22:54

    Ou em http://www,alplm.org/

  29. jorge bravoa 17 Mar 2011 as 23:05

    Desculpem, mas não resisto a por a questão, esta da quadratura* dos economistas não tem nada haver com a Santa Sebenta do Norte?

    *procura da quadratura do circulo, não da mente!

  30. jorge bravoa 18 Mar 2011 as 0:31

    Ups! não queria maximizar o Max, Maxizar…. já é de mais para ele o Max coitado!

  31. jorge bravoa 18 Mar 2011 as 2:22

    Ups! lá se perdeu a primeira parte.

    Não devem ser só os economistas a apontar o designio nacional, até porque com a sua proverbial tendencia de procurar a quadratura do circulo, quando chegam as previsões, já lá estão 100 concorrentes todos com o mesmo conselho, esta estranha homogeneidade de soluções não ajuda nada o apontar de um caminho original.

    O que precisamos é de ideias originais, singulares, que possam aportar valor singular ao País.

    PS:

    Desculpem, mas não resisto a por a questão, esta quadratura*. dos economistas não tem a haver com a Santa Sebenta do Norte?

    *procura da quadratura do circulo, não da mente

  32. PRa 18 Mar 2011 as 17:27

    “PR, à medida que os países se industrializam, os que ficam para traz cada vez têm mais dificuldades em o conseguir, pois o seu mercado interno ou próximo fica saturado de produtos dos competidores externos.”

    Eu até diria que é o contrário. Quando o “gap” é grande, é fácil crescer através da imitação, atracção de IDE, trocas comerciais, etc. É por isso que os processos de convergência actuais são muito mais rápidos do que há 100 ou 200 anos [China de Xiaoping vs. Japão Meiji, por exemplo].

  33. PMPa 19 Mar 2011 as 11:57

    Sim, isso pode acontecer como no Japão, Coreia, Taiwan, China precisamente porque esses países adoptaram Politicas Industriais sistemáticas e consequentes.

    Os outros países atrasados que não adoptaram este tipo de politicas continuaram atrasados.

  34. Anunesa 21 Mar 2011 as 20:10

    Caro PMP
    Um pouco tardiamente:
    Se o problema está na Moeda Ùnica, então porque é que, depois da forte depreciação da Libra o Reino Unido nunca mais recupera? A não ser nos niveis crescentes de inflação e desemprego.
    Espero que a culpa não seja também do Euro?
    E porque é que algumas economias do Leste com peg ao Euro já estão a recuperar? Deveria ser impossível “dentro” do Euro.
    A única coisa que a depreciação monetária permite é impôr, de forma automática e sem ónus politico, o empobrecimento relativo e rápido de um País, tornando-o competitivo de forma artificial e não obrigatóriamente sustentada no tempo.
    A Balança externa melhora (temporáriamente) porque sem dinheiro não há palhaços e as importações caem a pique. As Exportações melhoram via preço.
    De uma maneira geral a inflação sobe, monetariza-se a Divida (ou seja aplica-se-lhe um hair-cut sem chamar o boi pelo nome) e, com um bocado de “sorte”, reduzem-se os salários reais, tornando as empresas mais lucrativas e competitivas por via do empobrecimento dos trabalhadores, mas melhorando os niveis de emprego.
    Ora, todos estes resultados podem ser obtidos em Moeda Única. Só é preciso é querer.
    A Moeda não é um elemento imprescindivel, e muito menos suficiente, da equação.
    Já a coragem e visão Política são condição necessária.

  35. Pedro A. P.a 25 Mar 2011 as 0:06

    A divida publica de 90% não abrange certamente o deficit deste ano nem o do ano passado, pois não ? …. nem o debt dos floreados contabilísticos e desorcamentações, nem o debt das principais EPs com enormes passivos nem as responsabilidades que as PPPs (principalmente depois de renegociadas) acarretam para o Estado nem… o BPN!
    Somado isto tudo deverá andar entre os 110% e os 115%.
    Ou seja, para além de termos necessariamente de reduzir o deficit…. teremos também que reduzir o excesso de divida publica para níveis aceitáveis (60%… não era)
    Ora como é que isto se vai fazer ? Em quantos anos ?
    Ou seja, 50% do PIB para amortizar o mais depressa possivel. Quanto vai custar a cada uma das 3.300.000 familias portuguesa?
    É só fazer as contas… a 10 anos ! E mesmo a um juro simpático (4,5%)… implica uma redução substancial no rendimento liquido familiar mensal.
    E mesmo que queiramos vender os aneis para amortizar … os aneis pouco valem.
    A solução passa necessariamente (aliás como sempre) é começar por dizer a verdade sobre quanto é de facto o excesso de divida publica portuguesa.