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Jul 06 2011

A SAGA DOS RATINGS

Publicado por VB a 10:33 em Artigos Gerais

Mais uma decisão inesperada de uma agência de rating. Mais uma grande comoção nacional. Mais uma falta a serenidade analítica. E mais uma vez erra-se o alvo do problema.

A decisão da Moody’s é inconveniente? É. Suscita uma sensação de injustiça, quando o governo – e não só – se mostra totalmente empenhado em cumprir e ultrapassar os objectivos acordados com a Troika, tendo já mostrado esse empenho através de decisões difíceis? Sim. Mas centrar a discussão nestes aspectos e maldizer as agências de rating por estas consequências é atirar ao alvo errado.

As agências de rating regem-se por regras próprias e a sua missão é oferecer aos investidores uma classificação de risco dos devedores, para os orientar nas decisões de investimento. Ninguém é obrigado a seguir as suas classificações, mas é um facto que muitos investidores se orientam voluntariamente por elas e isso tem consequências para o acesso dos devedores ao mercado.

A reestruturação da dívida grega está a ser abertamente discutida, com o “estímulo” das autoridades europeias, e com a perspectiva de o seu resultado implicar perdas para os credores. Esta reestruturação, que acompanha o aumento da ajuda comunitária, está a ser activamente promovida pelas autoridades europeias, sinalizando que estas autoridades só se envolverão em mais ajudas, desde que os credores privados também participem e aceitem perder parte do valor investido. Neste quadro – que constitui, de facto, uma novidade – surpreende que as agências de rating, tendo em conta a sua missão, alertem que aumentou o risco dos investimentos em devedores soberanos em situação problemática? Dificilmente…

É justo que os credores privados, que foram investidores irresponsáveis no passado, também paguem os custos do ajustamento dos países em dificuldades (para as quais contribuíram com a sua irresponsabilidade)? A minha opinião sobre isto está expressa no Nó Cego, publicado há quase 1 ano: “seria de toda a justiça que os credores fossem chamados a pagar parte da factura, já que a sua irresponsabilidade creditícia também contribuiu para a presente situação”. Mas as agências de rating não se pronunciam sobre justiça (moral). Pronunciam-se sobre riscos de investimento e é um facto que o risco de perda destes investimentos aumentou (o que não quer dizer que esse risco se materialize necessariamente).

Podemos achar que a decisão agora publicada é exagerada, injusta, precipitada, etc. Mas, como disse, este não é o ponto essencial que deveríamos estar a discutir, porque esse tem pouco para discutir. O problema não está nas agências de rating, está nas autoridades!

Se se acha que as decisões das agências são inconvenientes e dificultam, desnecessária e desmesuradamente, os processos políticos (e financeiros) de ajustamento, porque é que as autoridades lhes dão a importância que dão e lhes permitem condicionar as suas próprias políticas. Mais concretamente, porque é que o BCE condiciona a sua política de financiamento à avaliação das agências de rating, em vez de usar a sua própria avaliação e/ou a das demais autoridades de supervisão? Porque é que, para o BCE, o rating da dívida dos países membros do euro tem mais valor do que o juízo dos órgãos comunitários? Porque é que, para o Sistema Europeu de Bancos Centrais, o juízo das agências de rating é mais importante do que o dos supervisores financeiros, a maioria dos quais integra directamente aquele Sistema?

Mesmo que tenha parecido justificável montar o sistema em cima de avaliações independentes produzidas pelas agências de rating, a situação que a Eurolândia hoje tem pela frente é uma situação excepcional e, como tal, tem que ser tratada num quadro de excepcionalidade. E uma das primeiras medidas que deveria fazer parte desse quadro de excepcionalidade deveria ser precisamente tirar as agências de rating da equação dos decisores políticos (onde se inclui o BCE).

Agora quanto a nós, Portugal. A decisão é inconveniente, como já disse. Mas não adianta desperdiçar energia a discuti-la, porque tal não terá consequências. E muito menos deixarmo-nos desmoralizar. O que temos é que concentrar a energia em fazer o que é preciso ser feito – estabilizar as finanças e promover a competitividade e o crescimento – e cerrar os dentes até que os resultados comecem a manifestar-se. Pois só quando isso acontecer é que poderemos esperar que os juízos externos comecem a mudar.

Temos um governo determinado em cumprir (e ultrapassar) o programa de ajustamento acordado com a Troika; temos o principal partido da oposição comprometido com o mesmo programa e disposto a uma atitude responsável; temos a compreensão da sociedade que, recentemente, votou esmagadoramente nos partidos que tinham subscrito o programa de ajustamento, apesar de todos os cantos de sereia da campanha. Existe, pois, uma vontade colectiva de lidar com o problema com a dureza que ele requer, coisa que nunca existiu na Grécia. Isto é uma diferença assinalável e essa diferença vai acabar por se materializar em resultados.

Há que manter a convicção e a determinação; ter paciência e ter esperança. E daqui por seis meses vamos ver se temos resultados ou não. Se os tivermos, vamos ver que as coisas poderão começar a dar a volta. Até lá… cerrar os dentes!

25 comentários até agora

25 Comentários para “A SAGA DOS RATINGS”

  1. quelhas motaa 06 Jul 2011 as 11:42

    Estou inteiramente de acordo. Há que serrar os dentes e ir em frente.
    A única «coisa» de que tenho dúvida, ainda que compreenda que o Governo dificilmente possa fazer diferente a curtíssimo prazo, é se «o» em frente, que está definido, é o necessário.
    Seguir o que a Troika manda, parece suficiente para obter o dinheiro da Europa-e-FMI, mas não é o necessário para o mercado; e, como disse: compreensivelmente. Contudo, seguindo o que a Troika manda, Portugal estará com uma Dívida maior daqui a três anos do que a que tem hoje. Ou seja, enquanto o País não crescer, não há «remédio», já que a receita dos impostos é já hoje fonte de retracção económica e, pior, de contínua e crescente des-capitalização. «Esperar» o investimento estrangeiro, com o Estado (administração) que temos e com a globalização em que nos encontramos, parece ser utopia.
    «Há que serrar os dentes e ir em frente», mas seria bom que o fizéssemos correctamente. Enquanto a despesa do Estado não descer tão radicalmente que os impostos possam descer para níveis minimamente razoáveis e, até, eticamente aceitáveis, não haverá impulso ao crescimento – sobrar-nos-á a imigração ou a miséria. De igual modo, não me parece prematuro que o Governo comece a estudar o reescalonamento da Dívida, mas sem prejudicar os Credores – como quer a Alemanha, já que os credores, ainda que «interessados» nos negócios, não foram eles que decidiram nem são eles que têm de «moralizar» os Governos a quem emprestam dinheiro.

  2. Jose Lapalicea 06 Jul 2011 as 14:03

    Nesta balbúrdia, fico sem perceber como as mesmas pessoas que falam que Portugal não consegue pagar a dívida e que é necessário reestruturar a dívida desde já, consigam estar contra uma agência de rating que diz que, surpresa das surpresas, Portugal não é capaz de se financiar para pagar a dívida.

    Até porque vejamos:
    - défice do 1º trimestre 2011 em 7,7%;
    - os génios do costume a falar em renegociar já a dívida;
    - A primeira medida do governo para reduzir o défice reside em aumentar impostos;
    - Não se conhece nenhuma medida que vá aumentar o crescimento económico de Portugal.
    - Dívida pública e défice externo brutais.

    Sim, sem dúvida, a culpa é da Moody’s.

    Ps: Já agora, sabendo o que se passou em Portugal, tenho dúvidas da capacidade do BCE fazer uma boa supervisão

  3. Camachoa 06 Jul 2011 as 14:51

    Só com a “casa bem arrumada” poderemos estar suficientemente fortes para nos indignarmos com os outros.

  4. Joao Ra 06 Jul 2011 as 15:03

    “equação dos decisores políticos (onde se inclui o BCE).”

    Parece-me que são duas coisas que não deveriam combinar.
    Politica e BCE .

  5. Madalena Lelloa 06 Jul 2011 as 16:14

    O facto das agências de rating terem errado demasiadas vezes nas suas opiniões sobre riscos de investimento, (da crise asiática à falência do Lehman), parece não dissuadir os investidores de continuarem a considera-las de uma credibilidade intocável. O “rool-over” que os bancos franceses e alemães estão a engendrar para aumentar a maturidade da dívida grega é de uma complexidade que tem como único objectivo tentar que as agências não considerem a operação como um incumprimento. Prefere-se análises, mesmo que tantas vezes erradas, ao vazio.

  6. J.a.Azevedoa 06 Jul 2011 as 16:22

    Ao mesmo tempo que o navio se vai afundando a orquestra continua a tocar.
    Só lamento é que os primeiros a irem ao fundo -os milhares de trabalhadores que já perderam o seu emprego e os milhares que nos próximos meses vão caír no desemprego – sejam aqueles que menos têm culpa da situação que nos foi criada, por todos aqueles que continuam a apelidar o comportamento das agências de rating de simplesmente inconveniente, injustificado a até mesmo de terrorista. Tão ingénuos que eles são! Tão cuidadosos que eles são a adjectivar o comportamento destas centrais de especulação que são alimentadas pelos Governos e pelos grandes grupos económicos e financeiros.
    Incrédulos dizem, logo agora que nos estamos a portar também, serrando os dentes, decidindo cortar nos salários dos trabalhadores e nas pensões dos reformados, acabando com as golden shares e acelerando as privatizações, logo agora que temos um Governo de técnicos e independentes de 1ª água, logo agora que estamos quase todos a puxar para o mesmo lado…
    Mas nós não desistiremos e daqui a 6 meses estaremos quem sabe no pelotão da frente a dar cartas ao resto da Europa.
    Tenhamos paciência e esperança e pelo caminho participemos em mais uma campanha do Banco Alimentar, pratiquemos a caridade, sejamos bons samaritanos prontos a curar as feridas materiais e espirituais dos nossos irmãos.
    Tanta hipocrisia, tanta insensibilidade social!

  7. PMPa 06 Jul 2011 as 16:42

    Sem crescimento económico vamos bater na parede, com rating ou sem rating !

    Como conseguir crescimento económico ?

  8. julio moreiraa 06 Jul 2011 as 18:21

    PMP
    Pode parecer ideia fixa. Mas, nesta altura, acho que só com a antecipação os fundos do QREN, já prometida pela CE, poderemos ter capacidade financeira para conseguir, senão o crescimento, pelo menos a baixa significativa da recessão. Por mim essas verbas seriam de canalização prioritaria para o sector exportador.
    Se, entretanto, conseguirmos cumprir com os compromissos assumidos com a troika, teremos a credibilidade necessaria á renegociação da divida, que a meu ver será inevitavel, mas feita depois de mostramos que fomos capazes de cumprir com os compromissos assumidos.
    Tudo isto exige um Governo competente, rigoroso e com visão estrategica.

  9. PMPa 06 Jul 2011 as 18:28

    Sim concordo.
    .
    Com este murro dos ratings esperemos que o governo se deixe de neotontices de vez.
    .
    É que nem as agencias de rating já não acreditam nessas lengalengas.
    Sá austeridade não dá. É preciso repetir 1000 vezes.
    .
    É preciso produzir e importar menos e simplificar a máquina do estado e não andar a criar mais comissões e tretas dessas.
    .
    Apoiar a industria e a agricultura rápidamente e em força.
    Reorientar a CDG, as universidades e politécnicos e as Cãmaras municipais.
    .
    Estudem a Coreia dos anos 60 e 70.

  10. anunesa 06 Jul 2011 as 19:51

    Caro VB
    Concordo plenamente. Há que cerrar os dentes e fazer o que é preciso.
    O problema é que estas decisões custam dinheiro. Muito.
    Por exemplo, uma descida de 4 niveis no Rating da Moodys tem um impacto de quase 1 p.p. na taxa de desconto utilizada em avaliações, por exemplo da EDP ou da REN.
    Ou seja, desde ontem, a perspectiva de encaixe das privatizações baixou de forma significativa. Ou, no minimo, o vendedor ficou bastante fragilizado quanto à negociação do preço.
    E aí entra o bolso de todos nós.
    Um bom exemplo da forma leviana, diria mesmo incompetente ou desonesta, como as agências lidam com estas questões pode ser vista na forma, descrita neste link, como a Moodys lidou com a análise da dimensão dos governos regionais na China.
    Fica bem claro como a “coisa” é feita.

    http://blogs.ft.com/beyond-brics/2011/07/06/china-debt-moodys-flying-debt/#axzz1RLyg3YPO

  11. jj.amarantea 06 Jul 2011 as 22:30

    Será mesmo que “Ninguém é obrigado a seguir as suas classificações,…”, julgo que existem muitos fundos cujas estratégias de investimento foram “capturadas” pelas agências de rating, tendo incluído nos seus estatutos por exemplo que têm que sair de aplicações com um rating inferior a um certo nível. Trata-se de substituir o mercado por instituições que mais de assemelham a comités políticos, prescindindo da diversidade de opiniões dos agentes de mercado que se encostam, quais mandriões copistas, às opiniões de um oligopólio.

  12. jorge bravoa 07 Jul 2011 as 8:22

    Sabendo como se sabe que as agencias são juizes em causa própria, ao serviço e pagas pelos investidores especulativos que têm interesse na descida de rating, para em ultima análise comprar barato empresas na bolsa; veja-se o interesse da Moodys e S&P nas acções da PT via Capital Group e vice versa; não entendo nem como, nem porquê o BCE e a UE em geral liga a elas, só se for para fazer o jogo da USA, ajudando a minar o possivel peso da EU no xadez económico mundial.

  13. PMPa 07 Jul 2011 as 8:46

    As acções da PT são trocos nos 190 mil milhões de divida do sector publico.
    .
    O governo que trabalhe em vez de vir com lamentações.
    .
    Ninguém obrigou o Passos e os ministros a irem para o governo.
    .
    Mexam-se.

  14. PEDRO PINHEIROa 07 Jul 2011 as 10:08

    O interesse possível do Banco Central Europeu conferir credibilidade às agências de rating s, poderá estar nos pressupostos em que ambas se baseiam. Senão vejamos, qual o perigo maior para um investidor financeiro? Soros, Warren Buffett respondem a esta questão de forma taxativa a inflação, ou seja, temem a desvalorização do seu investimento ao ponto até de perderem dinheiro. Toda a política do Banco Central Europeu visa o controlo da inflação, dando a imagem que estão a proteger os devedores( quer empresas, pessoas e estado) contudo estão a proteger na verdade quem financia, ou seja, os credores. Esta defesa, eu diria abusiva, sem regulação séria, faz com que os pressupostos dos financeiro estejam incólumes, ou seja, inquestionáveis, permitindo a todo o mercado financeiro aprisionar o mercado de bens e serviços e os próprios estados. É uma questão de poder, sem dúvida, “Acção de efeitos pretendidos” disse Russel,o mundo financeiro quer o poder a girar a sua volta, ditar as leis e colher os seus frutos, só que não regulada essa avidez torna-se despótica. Penso que devemos reflectir que a defesa de circulação de capitais, criando um mercado financeiro que de livre pouco tem, pois é manobrado por um mundo financeiro, que valoriza ou desvaloriza empresas, estados,etc. Exige-se pensar um mundo em que o financeiro tenha a sua importãncia na economia real, mas, deve reparti-lo e sobretudo também ser obrigado a guiar-se por fundamentos da produção, de quem produz. O que estou afirmar um pouco à maneira hegeliana, o mercado financeiro tem de negar-se a si próprio perceber o mercado de bens e serviços, e nesta zona tem de aceitar os pressupostos de quem produz, para que na última fase equilibre ambos os pressupostos, e divida o seu poder de uma forma livre e responsável.

  15. Carlos Meloa 07 Jul 2011 as 10:14

    Considero que tem toda a razão.
    Mas por motivos diferentes: Portugal é demasiado pequeno para enfrentar estas agências.
    Veja-se o que se passa com os EUA. Foram ameaçados por uma das agências de rating de que estariam sob observação por causa da dimensão da sua dívida.
    Ignoraram completamente a ameaça, e preparam-se para a aumentar a fim de evitar uma recessão.
    Imagine-se a Moody’s a fazer este downgrade aos EUA. No dia seguinte eram alvo de uma campanha de tal forma poderosa que não se aguentariam de pé!
    De resto não é por acaso que as autoridades chinesas vêm criticando esta submissão das agências aos interesses do estado americano.

  16. Luisa Pintoa 07 Jul 2011 as 12:20

    Estou inteiramente de acordo: com o diagnóstico, com o comentário, e com a percepção de injustiça. Mas isso serve de pouco. Tenho dúvidas sobre se teremos 6 meses para impedir o “cruch do Euro”, sobretudo com um poder político tão hesitante como aquele que temos na Europa.

    Por isso, a minha questão é: O que pode ser feito, já HOJE, para garantir que as medidas sugeridas são tomadas?

    Eu pessoalmente não tenho o contacto dos decisores Europeus. Mas muitos dos que lêm este blog têm. Onde está a possibilidade de fazer um “Conselho de Sábios”, reunindo o talento Europeu para responder à “escala Europeia”, como a emergência do assunto merece?

    É que quem está convencido que o problema é Grego, ou Português, ou Irlandês, ainda não viu o filme todo…

    Cada um que contacte quem conhece e tem influencia na Europa. E influencie. Não há outra maneira.
    E já não temos 6 meses!
    Luisa Pinto

  17. Carlos Meloa 07 Jul 2011 as 15:29

    De facto, quando analisamos os accionistas destas empresas de “rating” descobrimos que os principais são também accionistas de uma série de empresas e fundos, detentores de grandes somas de dinheiro. O que confere àquelas empresas um papel privilegiado na estratégia desses accionistas. Baixam o “rating” de uma empresa que lhes interessa, sediado num qualquer país mais vulnerável, com isso provocam a descida do valor das suas acções, compram-nas então barato, melhoram o “rating” de seguida, as acções sobem de valor e então vendem-nas. Com grandes margens de lucro.
    Elas hoje são mais um instrumento ao serviço de duas dezenas de grandes potentados financeiros mundo, do que agências imparciais capazes de avaliarem com rigor a situação das empresas. É bom enquanto durar o embuste. Porque mais tarde ou mais cedo o sistema financeiro (que não se deve confundir com aqueles potentados) perceberá o “golpe” e entrará em ruptura com elas, exigindo uma reformulação do seu comportamento.

  18. Nuno Agostinhoa 07 Jul 2011 as 18:11

    SR Vitor BEnto,
    Como compreendo…
    Visto ser cumplice deste sistema tentar tapar o sol com a peneira, não atribuindo qualquer valor ao que esta a acontecer e ao duvidoso funcionamento das “agencias” de Rating.
    PAra o Sr. Vitor Bento o importante é apertar mais o cinto e não questionar qualquer tipo de medida, do genero sermos todos robots programados para trabalhar mas não para pensar nem para questionar.
    O Sr. Vitor BEnto talvez pudesse então apontar as suas soluções… Pois não vejo uma unica ideia praticavel!
    Aposto que o caminho mais obvio seria com certeza e novamente pedir mais sacrficios a quem não teve responsabilidade de governação, nem do descalabro financeiro em que estas mesmas agencias que o Sr. Vitor Bento tanto se esforça por defender.
    PAra não me alongar no que penso ser uma tomada de posição ridicula e vergonhosa, só me resta dizer que esperava de si mais e melhor.

    Nuno Agostinho

  19. Telmo Azevedo fernandesa 08 Jul 2011 as 18:44

    Como é hábito, uma análise certeira e fundamentada de Vitor Bento.
    Gostaria no entanto de trazer à discussão um aspecto que não tem sido referido no âmbito deste assunto e que me parece muito perigoso: alimentar subtilmente a “guerra” América vs Europa atribuindo a “maldade” das agências de rating à sua condição do pais de origem (EUA), não só é mais um tiro ao lado como só pode ser prejudicial aos europeus.

  20. ricardo saramagoa 09 Jul 2011 as 13:16

    Fazendo o ponto da situação, sem o ruido político-jornalístico diário
    Temos um país que em 15 anos passou de uma posição líquida externa de 0 para 120% do PIB, sem crescimento económico.
    Uma moeda sobrevalorizada, sem instrumentos de política monetária próprios.
    Governos sucessivos, que há anos prometem diminuir o défice público, sem o conseguir.
    Desde há um ano, cortado o crédito pelos mercados, o país sobrevive apenas pela assistência de liquidez do BCE.
    No princípio do ano, perante a iminência da bancarrota, recorreu à assistência externa, tendo acordado um programa de ajustamento insuficiente para diminuir a dívida e garantir o acesso aos mercados.
    Os últimos dados disponíveis de execução orçamental mostram que a despesa pública continua fora de controlo.
    Os governos da França e da Alemanha, pressionam os credores da Grécia em público para aceitarem “perdas voluntárias” na dívida grega.
    Os mercados pensam que, se forem obrigados a aceitar perdas com a dívida grega, provavelmente terão que fazer o mesmo com Portugal.
    Como podem as agências de rating manter a notação do país em Investment grade?

  21. Pedro S.a 09 Jul 2011 as 22:14

    Baixar os impostos para o nível Espanhol, deixar de perseguir os contribuintes, dar garantias ao empreendedorismo.
    É isso que se faz em Portugal?
    Não!
    Será que alguém pensa que face à falta de credibilidade nacional o investimento vem de fora? Não!
    Então como se pensa afastar os “carros parados” das 2 das 3 faixas?
    Concordo com Vítor Bento na perspectiva macroeconómica do deficit estar do lado da oferta, mas não duvido que só represtinando a liberdade de empreender, aumentando factualmnete a concorrência e segurando algum risco, Portugal voltará a crescer!
    Isto e cortar em 20 ou 30% as reformas e salários a partir de um determinado patamar.
    Afinal o problema pode estar mesmo na nossa razão salarial, no nosso miserável desigualitarismo!

  22. PMPa 10 Jul 2011 as 0:01

    O VB na SIC Noticias manteve uma postura de clareza e responsabilidade face à histeria bacoca contra a Moddy’s.
    .
    Este país não quer progredir, apenas quer conversa mole.
    .
    Nem sequer se percebe o que se passa nas contas públicas com a divida a disparar para valores insuportáveis em Maio.

  23. Pedro S.a 10 Jul 2011 as 12:38

    A SIC notícia vai hoje apresentar o documentário debtocracy.
    Documentário que é passado com atraso relativamente às redes: no YouTube já por lá anda há muito.
    Nada que não saibamos: a Alemanha andou a travar os salários, sendo que nos últimos anos compara 7% com 27% da média Europeia.
    A competitividade perdida, assim, tem de ser reconquistada.
    O que não se entende é como se teima em melhorar contas públicas por via da receita, matando a economia e recebendo globalmente cada vez menos receitas, em vez de fazer o óbvio: cortes adicionais de salários e pensões mais elevados no Estado de 20 ou 30%! Diminui o deficit, diminuem os impostos, dá-se oxigénio à economia, melhora-se os índices de desigualdade e mantêm-se a economia à superfície.

  24. PMPa 10 Jul 2011 as 15:24

    http://www.igcp.pt/gca/?id=86

    Em 5 meses apenas vejam o descalabro da divida :

    Divida Publica Directa em 31/12/2010 – 151 775 milhões
    Divida Publica Directa em 31/05/2020 – 164 348 milhões
    Aumento da divida em 5 meses = 12 573 milhões

    Será que foi isto que a Moddy’s viu e que ninguém denuncia ?

  25. PMPa 10 Jul 2011 as 15:32

    Erro , o ano é de 2011 e não de 2010 !!
    Em 5 meses apenas vejam o descalabro da divida :
    Divida Publica Directa em 31/12/2011 – 151 775 milhões
    Divida Publica Directa em 31/05/2021 – 164 348 milhões
    Aumento da divida em 5 meses = 12 573 milhões
    Será que foi isto que a Moddy’s viu e que ninguém denuncia ?
    http://www.igcp.pt/gca/?id=86