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Jul 11 2011

A POSSIBLE UNORTHODOX SOLUTION

Publicado por VB a 11:02 em Artigos Gerais

Em 6 de Dezembro último escrevi este texto, destinado a uma publicação internacional, mas que, na altura, acabou por não consegui ser publicado. Deixo-o aqui por memória, uma vez que o tema parece não ter perdido actualidade :

In 1995, the Exchange Rate Mechanism (ERM) was at the brink of collapse. Market pressure was forcing some countries to raise interest rates to domestically unbearable levels. A succession of devaluations – or even withdraws from the Mechanism – have failed to calm down the markets. And so have the orthodox set of instruments contemplated by the Mechanism.

Collapse was eventually avoided by a bold adoption of a very unorthodox response. Fluctuation margins – set at 2.25% from the central parities – were then allowed to widen to 15%, which, in practice, meant that the Mechanism was suspended in favor of a temporary regime of floating exchange rates. But the solution, unorthodox as it was, succeeded in removing from the system any possible focal point for a speculative attack. (A massive intervention by the Bundesbank in favor of the French Franc – not an orthodox procedure of the German central bank, either –, also helped do deal with the situation).

Without any focal point to polarize possible speculations, market pressures eventually abated and the ERM gradually reverted to its normal rules. Moreover, the nominal convergence required to start the European Monetary Union (EMU) was able to pursue and the euro was created on schedule.

The EMU is now living another exceptional circumstance that can only be properly addressed by getting out of the orthodox framework and resorting to an unorthodox solution.

A group of countries, from the so-called EMU periphery, are now facing an unsustainable financial situation – not only on their public finances, but also on their whole economy –, which is virtually shutting them down from the capital markets. The more unsustainable their situation is perceived, the more their debt yields increase. And the more yields increase, the more unsustainable the situation becomes, replicating the same vicious circle, and self- fulfilling prophecy, faced by the ERM by the mid 90s.

If not contained in time, such a vicious circle will easily spiral and soon most of the system could be driven into its vortex. A cascade of likely sovereign defaults – its end known to none – can then be easily triggered.

Under the present circumstances, and like in 1995, such a vortex can only be stopped if all possible focal points for speculative attacks are removed from the system. And such a purpose can only be achieved by pooling all government financial needs for the next 12-36 months into a single entity, while domestic adjustment programs are given time to work and convince the markets of a reverse of the situation.

For that purpose, a European Fund, guaranteed by all the EMU governments, should be allowed to issue debt on behalf of the European Union up to a very large amount (v.g. €2 trillion). Governments that so wish, and subject to the meeting of certain goals of medium term macroeconomic adjustment programs – previously agreed upon with the European authorities –, could draw quarterly on the Fund to serve their current needs. Failing to meet the goals on time, and until they were met, would disqualify the Government for drawing on the Fund and eventually lead to its “invitation” to restructure their debts. Fund financing should be granted at rates not seen as merely compounding the unsustainability of the underlying situation.

Given such possibility, the number of countries actually resorting to the Fund would end up being relatively limited, turning the Fund’s financial needs much smaller than its authorized borrowing limits. But the destructive vortex could be contained without spreading out of the periphery, the peripheral countries would be allowed time to “clean up” their financial situation and the European authorities would have the time and the peace to prepare a more resilient institutional architecture for the future.

12 comentários até agora

12 Comentários para “A POSSIBLE UNORTHODOX SOLUTION”

  1. Pedro S.a 11 Jul 2011 as 12:55

    Um dos pontos é saber se o quadro conceptual denominado de Ortodoxo, poderia sustentar uma construção de zona monetária de modo não ortodoxo.

    A solução preconizada parece capaz de resolver o problema, não fosse:

    1) a questão da resolução do Euro, ser uma questão de resolução política.
    2) o quadro de financeirização dos players actuais mundiais ser muito diferente hoje de 1995.

    O Vítor Bento consegue entender porque a Europa não se protege face ao dumping social e à manipulação do câmbio baixo do Yuan?
    O Vítor Bento acredita que é possível em zonas polarizadas aumentar a competitividade (e as economias de escala?) nas periferias?
    O Vítor Bento acredita que sem fundos estruturais constantes as periferia Europeia tenderá sempre a ter zonas mais pobres que as centrais?
    O Vítor Bento acredita que a solução dar-se-ia se os Portugueses fossem Americanos da Vírginia que abandonariam o seu Estado para emigrar para zonas mais polarizadas? E a cidadania Europeia? É ela possível com culturas e falantes tão distintos?
    O Vítor Bento acredita na autoregulação interna regional?

    A globalização (inevitável) trouxe sem dúvida uma concentração da produção num número cada vez menor de players. Nunca como hoje o mundo precisou tanto de diminuir o tempo de trabalho, de melhor repartição, de bens culturais (turismo incluído) e bens sociais.

    Ao invés, diminui-se o bem estar em nome duma competitividade que só destrói?
    E o problema da sustentabilidade ambiental planetária? Resolve-se com uma pressão maior sobre os recursos escassos?

  2. PMPa 11 Jul 2011 as 16:56

    Bastaram 6 meses para o tempo dar razão ao Vitor Bento.
    .
    Quando é que os restantes economistas percebem que não é possivel uma moeda única sem divida única (pelo menos em parte significativa) ?
    .
    Bastaram 10 anos para este EURO exótico (ou estúpido) mostrar a incompetência de quem o criou.

  3. PMPa 11 Jul 2011 as 18:54

    http://www.zerohedge.com/article/italian-mia-culpa-big-time

    You might say, “Who cares about the stupid bondholders”. The problems are much deeper than that. Italy is being forced out of the Short Term capital markets as well. Look what has happened to six-month yields. If we are not at the crisis point, we are very close, based on this:

  4. VBa 11 Jul 2011 as 19:09

    Caro Pedro S.

    Eu só procurei dar um contributo para os problemas financeiros da zona euro. Confesso, todavia, que não tenho solução para os problemas do mundo.
    Muitas das questões que sugere darão, certamente, discussões muito interessantes (não estou a ser irónico). Mas se pretende significar que só conseguiremos resolver os problemas prementes que estão à nossa porta se resolvermos todo o elenco de problemas que apresenta, receio que acabaremos por não resolver nenhum.

  5. PMPa 11 Jul 2011 as 21:20

    Os nossos economistas vão continuar a insistir que o problema de Portugal, Grécia, Irlanda , Espanha são questões particulares, sem nunca porem em causa a parvoice de uma moeda única sem divida pública única.

  6. JP Santosa 12 Jul 2011 as 0:05

    Acho que funcionaria, pelo menos no curto prazo, até pelo forte sinal de determinação política que transmitiria, mas é provável que esse sistema tivesse que vir a assumir um carácter mais permanente.
    Mas, infelizmente, duvido que existam as condições políticas para uma solução dessa dimensão.

  7. Pedro S.a 12 Jul 2011 as 9:46

    Caro V.B.

    Oiço-o normalmente com atenção, porque penso que vale a pena ouvir os seus pontos de vista, fruto da sua experiência, estudo e do capital de empatia que emana. Agora que não haja dúvidas que só com a contribuição de todos conseguiremos ultrapassar os problemas que nos são colocados. Um dia houve um professor que me disse: um ponto de vista é apenas a visão de um ponto. No caso deste post, concordo consigo que a solução preconizada para este problema específico poderia resolver a questão. Não nos esqueçamos que os problemas sociais são problemas holísticos e a nossa história mostra-nos que grandes economistas – não sendo o seu caso – levaram-nos até à situação que vivemos actualmente. Em Portugal, normalmente, temos esta incapacidade de separar as águas e de congregar na diferença. Talvez por isso só em momentos de grandes dificuldades, como diz o PR, mostramos o melhor de nós.

    O VB coloca e muito bem uma visão técnica ao serviço da resolução dos problemas actuais. Mas como sabe tão bem como eu, a economia não é uma mera disciplina isolada. Talcott Parsons migrou da economia para a sociologia porque acreditava que a economia deixava de fora e era uma pequena parte dos problemas sociais. Como não sou marxista nem aparentado, mas não tendo uma visão fixista, mas variável dos problemas, tento olhar para os problemas como um todo e não apenas no seu foco imediato.

    Mas em Portugal adoptou-se uma fórmula muito avulsa e centrada na resolução dos problemas – não veja isto como uma menção pessoal, que não é! É apenas a constatação da nossa incapacidade de termos um visão mais ampla e interdisciplinar – o país das capelinhas!

    Quando lhe falo do problema da polaridade regional num quadro de espaço interno é porque ela existe e não se autoregula. A Europa da periferia nunca conseguirá viver num quadro de zona monetária sem o apoio contínuo de fundos estruturais. Há na actual crise mundial e Europeia essa vontade? Não me parece, mas posso humildemente estar enganado (não se esqueça do raramente me engano de um dito grande economista, quando a factualidade dos números demonstra um período de grande aumento de despesa).

    Todos sendo, assim, responsáveis, (o problema da democracia “mais” representativa) é na diferença pontual que nos podemos encontrar, sintetizando algo de verdadeiramente útil e que não sustente a opinião que dezenas de responsáveis já passaram e tudo está na mesma “como a lesma”.

    Sendo o VB um economista com prática de gestão, sabe que todos os problemas são de dimensão macro mas começam como um riacho pela dimensão micro – e, para além do problema imediato da nossa sobredespesa – é essa que temos de combater no imediato, sem esquecer que em simultâneo temos de envolver todos na grande organização que é Portugal.

    Entretanto concordo com PMP quando fala na impossibilidade de uma zona monetária sem os mecanismos completos de uma zona monetária. Já alguém pensou o que acontece se todos os Portugueses retirassem agora os (inexistentes) 160 mil milhões de poupanças de empresas e particulares do sistema nacional transferindo-o (em Euros) para bancos Europeus ou neutrais?

  8. PMPa 12 Jul 2011 as 11:50

    Pedro S.,

    É preciso resolver primeiro a questão da divida unica europeia, senão vai tudo ao charco.
    .
    Depois vai ser preciso resolver a questão do deficit corrente português.
    Isso só lá vai com politicas fiscais e desenvolvementistas que reorientem a despesa pública para a ajuda às empresas dos BTS. Incluindo universidades e autarquias.
    .
    Ou seja : Soluções nada ortodoxas para o chamada consenso ideologógico actual (o que eu chamo de neotontismo)
    .
    Em simultâneo são precisas soluções nada ortodoxas para a questão do desemprego e para a pobreza : colocar as pessoas a trabalhar em vez de irem para o RSI e para a pobreza.

  9. Pedro S.a 12 Jul 2011 as 12:34

    Concordo consigo PMP que a questão da dívida é questão urgente e necessária mas não suficiente, embora não veja muito bem como vai convencer os Alemães que a dívida também é deles. Há que adicionalmente também perceber a raiz do neotontismo, porque a evidência dos factos pode esconder outros interesses que se sobrepõem às evidências.
    Concordo também que só através da ortodoxia reinante não se conseguirá resolver os problemas. Só com uma ligação muito prática à realidade se conseguirá inverter o declínio nacional, porque no fim estão sempre os homens e os seus interesses individuais que convêm tornar “minimamente” colectivos.

  10. PMPa 12 Jul 2011 as 13:34

    A proposta do VB é que todos os paises que quiseram podem usar fundos da divida pública comum, incluindo a Alemanha.
    .
    Agora a Alemanha não entende ou não quer entender que os juros da divida alemã são baixos também porque os seus titulos servem de refugio para particulares, empresas, fundos de pensões, seguradoras e bancos.
    .
    Mas eu gostava de saber o voto do Vitor Constâncio no BCE para o aumento dos juros.
    .
    Sobre o neotontismo, pelo que leio é um misto de repulsa emotiva/irracional pelo Keynesianismo, um pouco de sound-money e austrianismo, e muita crença nos deuses dos mercados perfeitos, racionais e eficientes.
    .
    Não sou muito dado a teorias da conspiração, até porque este debate tem décadas.

  11. jorgr bravoa 12 Jul 2011 as 21:57

    Meus Caros
    Tambem não sou dado a teorias da conspiração,

    Mas ignorar algo tão elementar e evidente como o facto de se estar desde 2006 em plena guerra económica, parece-me um pouco a denegação da realidade geostrategiaca actual.

    É que o George Soros já anda a alertar para isso, desde 2007 e pelo menos á cerca de dois meses anda a alertar para o que se passa na Europa, parece que niguem liga,

    A américa tambem negou a possibilidade de uma agressão Japonesa até Pear Harbor!

    Negar o que está encoberto neste momento, mas tão já á vista de todos, é puro suicido.

    Declarações completamente autistas como as da Srª Merkel no caso de Itália nos ultimos dias, simplesmente destinadas a ganhar tempo interno por questões eleitorais suas, e por sua própria inépcia como politica europeia, como já foi denunciado na própria alemanha pelo SPD.

    Como PMP muito bem diz, não ter num sistema de moeda unica e divida unica, é Neotontice e perfeito desconhecimento histórico, só é possivel uma moeda unica, com divida unica, digam o que disserem, e com uma união politica forte, pelo que a federação é a unica solução possivel!

    O que já tarda!

  12. jorge bravoa 12 Jul 2011 as 22:15

    Mais um viso á navegação, neste caso de Nialll Ferguson

    http://janelanaweb.com/trends/economia-mundial-sera-agosto-o-mes-da-tempestade-perfeita/