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Jul 18 2011

MAIS UMA ILUSÃO…

Publicado por VB a 16:31 em Artigos Gerais

Fundo da Segurança Social não quer dívida pública
Há mais de 10 anos que mantenho esta polémica, mas será que, ao fim deste tempo todo, ainda ninguém percebeu que este Fundo é equivalente a fazer PPRs financiados com dívida? E que a única solução sensata, para o Estado, é que o Fundo esteja TOTALMENTE investido em dívida pública nacional? Que investir noutros activos é colocar o Estado a intermediar financiamento e risco? E que quanto mais o Fundo investir noutros activos, mais aumenta o rácio da dívida pública (efeito de des-consolidação)?

11 comentários até agora

11 Comentários para “MAIS UMA ILUSÃO…”

  1. vbma 18 Jul 2011 as 17:30

    Bem como se procede mal não facilitando aos particulares subscreverem eles próprios directamente obrigações do Tesouro, libertando-os da obrigação de aderirem à mera subscrição a retalho de outros fundos e obrigações dos bancos e outros obrigacionistas.

  2. quelhas motaa 18 Jul 2011 as 18:31

    Há uma irracionalidade «tão» sistemática na relação do Estado português com (contra) os cidadãos portugueses que me leva frequentemente a perguntar se Portugal possui mesmo um Governo Português.

  3. Fernando Campos Monteiroa 18 Jul 2011 as 18:39

    Caríssimos,

    Certamente que a apreciação feita tem a sua lógica. A esse propósito o Tesouro dos EUA, ao invés de emitir dívida pública no mercado, tem sido financiado pelo FED, que tem impresso USD. Qual o risco para o investidor?

    O problema de investimentos seguros, ou em activos AAA, não existe liminarmente. Já nem a expressão “sólido como uma casa”, pois o mercado imobiliário também oscila, e… muito.

    Podemos sempre fazer o inverso, que é, expormo-nos demasiado ao risco, … como foi o caso do FSS.

    Estes investimentos têm regras, de nível de exposição ao risco, pois um Fundo Gestor de PPR, informa previamente o subscritor das escolhas possíveis, com mais ou menos risco e mais ou menos rendimento possível… ou perda possível também.

    Ora,

    Os nossos reformados não são chamados a escolher o nível de risco das aplicações do FSS, pelo que estima serem de menor risco possível.

    Ainda assim,

    Este Fundo tem investido em acções, num claro desrespeito pelas regras de prudência na gestão da coisa pública.

    Ao invés deste tipo de apelo “válido” para que o FSS subscreva dívida pública portuguesa, seria “qui ça” de dar as mesmas condições aos particulares de subscrever dívida pública, e que, actualmente só está disponível para estrangeiros.

    Isso sim, é contraditório. Até porque, os valores possíveis de “encaixar” são muitíssimo superiores ao FSS.

    Atentamente

    Fernando Campos Monteiro
    Conselheiro BPC

  4. Anunesa 18 Jul 2011 as 19:50

    Caro VB
    Tem toda a razão.
    Mas é por essas e por outras que me repugna que se reduza TSU com compensação no IVA. Mesmo considerando que a TSU nem sequer deveria existir logo à partida.
    Mas misturar SS com Orçamento de Estado foi, é e, infelizmente, será, uma péssima forma de gerir duas realidades públicas com necessidade de soluções completamente diversas.
    Mas, como sempre, a solução “tudo ao molho e fé em Deus” continuará a fazer escola na gestão das Finanças Públicas nacionais.
    Por isso não me admira que se emita Divida para dotar um fundo que depois vai … comprar Divida estranjeira com os mesmos Euritos. Faz todo o sentido, assumindo que a nossa Divida é … bem mais barata do que … a dos outros. Pressuponho que o Prof. Baganha esteja a pensar em comprar … Divida Argentina, ou de outro País da América Latina ou de Àfrica. È isso não é? :)

  5. PMPa 18 Jul 2011 as 21:52

    Caro VB,

    Esta polémica não será idêntica à polémica pré-Keynesiana de que a poupança vem primeiro que o investimento ?
    .
    Mas num sistema monetário sem moeda própria com o nosso , não é tão descabido pensar que o Fundo da Segurança Social pode ser gerido como se pertencesse ao sector privado, o que não acontece de facto num país normal com moeda própria, onde a S.Social pode ser consolidada no orçamento e na divida publica.
    .
    E bem vistas as coisas esta é mais uma contradição deste EURO, a primeira moeda estatal sem estado.

  6. Jose Lapalicea 19 Jul 2011 as 13:35

    Devo ser eu que não me devia ter ficado pela licenciatura em economia e tirado um mestrado, mas não percebo qual seria a utilidade de ter um fundo (detido pelo Estado) a comprar totalmente dívida a si próprio. Porque se tem dinheiro para emprestar (a si próprio), então mais vale reduzir logo parte da dívida.
    Mas pronto, eu também não percebi como o dentro do próprio Estado se consegue vender um imóvel a uma entidade pública e, posteriormente, arrendado aos serviços do Estado que sempre o ocuparam, e pensar que isto é um sale and lease back…..
    Vou ter de ler mais livros de economia, está visto.

  7. vbma 19 Jul 2011 as 13:53

    Bom, aparentemente, o Lapalice tem razão. No entanto, se uma tesouraria (recebimentos / pagamentos) tem de manter algum saldo, aplicá-lo parcialmente em obrigações do seu “patrão” é uma forma de lhe diminuir o endividamento efectivo e, pelos juros devidos, reduzir a sua contribuição complementar para as depesas sociais.

  8. ricardo saramagoa 19 Jul 2011 as 18:55

    Parece que já ninguém se pergunta para que serve o dito fundo da Seg. Social.
    Esquecida a sua finalidade, podemos especular sobre o tipo de engenharias financeiras possíveis e imagináveis.
    Não me parece no entanto que tenha grande utilidade para alguém, emprestar dinheiro do bolso esquerdo das calças para o bolso direito, depois o bolso direito paga juros ao bolso esquerdo, e depois os contabilistas apuram activos e passivos, …
    Enquanto se entretêm nestas manigâncias, o dinheiro que entrou no fundo era dinheiro que se vai transformando em papel com valor duvidoso, e que se vai esfumando em nada à medida que o Estado gasta o dinheiro e pôe um “vale na caixa”.

  9. Carlos Meloa 19 Jul 2011 as 19:06

    Fala-se de fundos da Segurança Social e não do Fundo da Segurança Social. Depreendo, pois, que se pretende aplicar os saldos da SegSoc em dívida nacional. Ou seja, por as poupanças dos trabalhadores a financiarem o Estado. Como a SegSoc é Estado põe-se o Estado a financiar o Estado. À primeira dificuldade de tesouraria o Estado, na pessoa de um qualquer governo, não devolveria os fundos aplicados pela SegSoc, esta entraria em crise e … nova reforma da SegSoc (diminuição das constribuições) para lhe garantir solvência.
    Muito arriscado misturar as águas … embora pudesse parecer muito patriótico. Hoje tenho muitas dúvidas sobre a honestidade dos nossos políticos. Não duvido que seriam capazes de prejudicarem as pensões dos reformados, traindo em absoluto as suas expectativas (andaram uma vida inteira a descontar para a reforma, e agora cortam-na). Quem é capaz de violar este elementar princípio de direitos adquiridos não merece muita confiança …

  10. Joao Ra 20 Jul 2011 as 15:53

    Uma problemática que tem a ver com a essência desse tal Fundo da SS.

    Se o considerarmos como um fundo com efectiva autonomia/independência e com a finalidade estrita de estar ao serviço dos actuais e/ou futuros pensionistas parece-me perfeitamente normal e aconselhável que diversifique a sua carteira de investimentos e até “fuja” da div. portuguesa.
    Nesta óptica considera-se esse dinheiro como dinheiro que não é do estado (embora possa ser gerido por…)

    No entanto se aceitamos este fundo da SS como mais um bolso ao serviço do estado português aí, de facto, não faz sentido andar a brincar aos fundos de investimento e aí devia-se acabar de vez com este fundo da SS.

    A minha opinião ( independentemente do montante de entregas que é exigido e a rentabilidade que depois assegura , isto é: impostos pagos e a pensão recebida ) é que um Fundo deste tipo – a existir -deveria estar vedado a sete chaves a qq intervenção do poder político .

    Posto isto …
    e por que fiquei ao admirado com as sua considerações sobre este tema Pergunto-lhe meu caro VB .qual deve ser a optica mais correcta de considerar um fundo deste tipo?

  11. JP Santosa 22 Jul 2011 as 1:41

    Parece-me que quer o vb quando diz que o Fundo da SS é equivalente a ter PPR’s financiados com dívida pública quer o lapalice quando diz que de um pon to de vista agregado se o Fundo comprasse apenas dívida pública em base consolidada o efeito agregado do Fundo seria nulo, tendo apenas como o vbm salienta um efeito nas “contas individuais”.