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Ago 13 2011

Tudo bem, portanto.

Publicado por Anunes a 11:09 em Economia,Política Nacional

“As for the whole job creators thing: lots to say about that, none of it favorable, but let’s just point out that right now corporations are sitting on huge piles of cash; why imagine that making those piles bigger would lead to more job creation?”(Krugman).
“Piles of cash” não é bem o caso Português, mas para o efeito vai dar ao mesmo.
E aqueles que pensam, baseados em modelos com hipóteses simplistas, que reduzir a TSU vai criar emprego, preparem-se para criar mais um problema sem qualquer tipo de resultado.
A função investimento, entre outras coisas, depende dos niveis de taxas de juro e das expectativas sobre o nivel de procura dos produtos de uma empresa.
Em Portugal, as primeiras são altissimas e as segundas são negras a nivel interno e em desaceleração a nivel externo.
Possivelmente tinha mais impacto aumentar na mesma o IVA e começar a pagar aos bancos as dividas das empresas públicas e do próprio Estado. A probabilidade das taxas de juro começarem a caír seria bem maior e certamente as expectativas sobre a recuperação económica melhorariam bem mais depressa. E aí o Investimento aparece e o desemprego começa a baixar.
Noto também a displicência como os modelos que por aí andam sobre a TSU lidam com o grau de “racionalidade” na formação de expectativas e respectivas decisões económicas dos Portugueses. Básicamente assumem sempre que o impacto da redução da TSU na estabilidade do sistema de SS não tem qualquer reflexo nas decisões dos agentes. Ora sendo a função consumo dependente das expectativas sobre o rendimento permanente (isto é, a expectativa sobre o seu rendimento disponivel actual e futuro) dizer que reduzir a TSU não terá impactos no consumo e na poupança é o mesmo que assumir que os agentes económicos são todos “tapadinhos”, ou em linguagem mais económica, “muito lentamente adapativos”.
Mas salta-se fácilmente da elegância limitada dos modelos teóricos para a realidade. Os académicos perdem-se na elegância fácil da coisa, os politicos adoram, a Troika sorri agradada e a eterna CIP … rejubila.
Portanto, parece que está tudo bem.
(PS1: Como Empresário e Gestor que sou, baixem lá a coisa. Vai-me dar imenso jeito…)
(PS2: Por estranho que pareça, considero a TSU uma aberração que nunca deveria ter existido e que, um dia, terá de ser liquidada por completo. Mas isso já é outra “estória”.)

21 comentários até agora

21 Comentários para “Tudo bem, portanto.”

  1. ricardo saramagoa 13 Ago 2011 as 12:08

    A pergunta que temos que fazer é:
    Porquê investir em Portugal?
    O Investimento que temos tido ou é público(de rentabilidade negativa), ou forçado pelas alterações regulamentares e pela pressão das fiscalizações(rentabilidade duvidosa), ou ainda destinado a deitar a mão aos subsídios públicos, camarários e comunitários.
    A verdade é que quem tîver ideias, projectos e iniciativa, fará melhor em rumar a outras partes onde o ambiente seja mais fértil, a fiscalidade previsível e a administração colaborante.
    A maioria das empresas, mais do que projectar investir, luta para não morrer às mãos do fisco, das asaes, dos caloteiros e da concorrência(muitas vezes desleal).
    Se pudessem muitos desinvestiriam em vez de investir.
    Restará por aí algum investimento residual ditado pelas regras de mercado e destinado exclusivamente a obter rendimentos em concorrência.

    Expliquem-me como é que os modelos econométricos reflectem estas realidades.

  2. PEDRO PINHEIROa 13 Ago 2011 as 14:35

    Estou plenamente de acordo com Ricardo Saramago.
    A questão é económica, sem dúvida alguma, contudo é essencialmente política, desde os entraves à aprovação de projectos de toda a ordem, que muitas vezes beneficiam os senhores autarcas, os impostos altíssimos, o proteccionismo nacional a algumas empresas que em pouco beneficiaram o povo português, julgo mesmo pelo monopólio que detém praticam preços muito longe da livre concorrência,etc,etc
    Preocupa-me a descentralização do poder central para as autarquias, que são autênticos feudos,desde aprovação de um loteamento para construir um casita, até aprovação de investimentos de empresas e grande superfícies, como utilizaram os dinheiros comunitários etcetc. Parece-me que este bloqueio é um factor afastado pelo menos em termos de relação causal, dos factores de investimento , contudo decisivas para eu investir ou não( logo dentro das expectativas do empresário, mas que não passa directamente pelo o aumento da procura). Concerteza que a taxa de juro do mercado tem uma relação directa inversa no investimento. Contudo, nas expectativas do empresário, penso que aqui se abre um campo muito vasto de condições subjectivas fundamentais para o investimento. Desde logo o acolhimento, as leis laborais e a sua estabilidade, a celeridade da justiça, e um factor que subjaz a todos estes que é o respeito efectivamente por aquele que quer investir com igualdades de condiçoes com todos os outros empresários. Sermos imparciais, respeitar o outro no seu valor, não pedirmos favores para que tal investimento não aconteça porque coloca em causa a minha empresa etc,etc . Enquanto não acabarem com a política dos favores estaremos com grandes problemas de competitividade. Esta mentalidade subjaz também na educação.
    Na educação é de bradar aos céus a quantidade de Politécnicos pelo país fora sobretudo a partir dos anos noventa, que só formam professores ou áreas afins sem grande retroactivdade em termos de resultados. Porquê tantos politécnicos dessa natureza?’ Muita gente sabe a resposta, não foi para servir o país mas para alimentar interesses, até professores universitários sem nenhuma qualidade.
    O problema do país é da produtividade, sem dúvida, contudo com esta mentalidade, salvo algumas excepções é extremamente difícil ser produtivo.
    Procura-se mais investimento é preciso que os bancos nacionais passem a emprestar a um juro baixo, o que na análise do investimento tem muito mais impacto que a descida da TSU em 20%, é preciso dinheiro a fluir para a economia( neste aspecto concordo em pleno com o nosso comentarista). Contudo, volto a salientar as oportunidades e os riscos devem ser iguais para todos.

  3. quelhas motaa 13 Ago 2011 as 17:52

    Estou plenamente de acordo com Ricardo Saramago e Pedro Pinheiro.
    É impressionante o «emaranhado» em que o Estado colocou este país. Des-«emaranhar» isto tudo é um bico-dobra. De facto, a questão nem se deverá colocar ao nível de cativar novos investimentos, mas de evitar que as empresas não descapitalizem como forma prévia de preparar a sua saída do país.
    As únicas actividades que parecem interessar são as protegidas pelo Estado, praticando preços de quase-monopólio, para já não referir que o País está cheio de empresas fictícias, que só existem porque se criaram Leis para que pudessem existir, como a empresa do «Magalhães», as empresa de montagens de painéis solares subsidiados, as empresas de certificação – pois, por tudo e por nada têm-se de estar certificado -, as empresas de inspecção automóvel, empresas «associadas à asea» – que prestam serviços especiais para que os padrões da asea se cumpram -, etc. Simultaneamente, criaram-se taxas para tudo e para todos, desde para um furo e, depois, ter autorização para utilizar a água encontrada até uma licença para fazer uma fogueira para queimar os detritos e limpezas dos campos agrícolas. As próprias multas e coimas passaram a «impostos», já que os seus montantes são escandalosos – até os polícias são avaliados pelo volume de multas que trazem para «casa».
    O peso dos impostos, taxas e coimas, preços monopolistas, custos (obrigatórios) de serviços sem ou de duvidoso interesse nacional, etc. associados à inexistência de Justiça, de Educação, etc. tornam excepcionalmente difícil mudar uma situação que, apesar de tudo, tem os seus «ganhadores».
    Ou seja, para além daquilo que disseram, o País parece está «armadilhado» por todo o lado, nos mais pequenos «pormenores» daquilo que poderia constituir algum espaço de Liberdade e Iniciativa fora do Estado. Só um incauto investe aqui, a não ser que o seu investimento seja um PIN, e, como tal, subsidiado pelos contribuintes-líquidos portugueses – afinal, para que lhes arranjem aí algum emprego ao salário mínimo.
    Sinceramente que gostaria de ver aparecer algum «Nacionalismo» por esta terra.

  4. Jorge Bravoa 13 Ago 2011 as 18:04

    Mais uma vez, mais bem diagnosticado é impossivel!

  5. PMPa 13 Ago 2011 as 18:45

    Para quê simplificar se podemos complicar !! :

    a) o maior problema português é o deficit corrente .
    É preciso que os economistas e politicos repitam esta frase cada umm pelo menos cem vezes até que a entendam e as suas consequências.
    Como um menor deficit corrente o deficit publico seria menor.

    b) Nenhum paíse desenvolvido atingiu esse estádio sem politicas industriais/agricolas. Esta afirmação era consensual na OCDE até há 30 anos, mas depois o dogmatismo neoliberal enterrou esta ideia.

    c) Portugal não vai conseguir parar de empobrecer sem politicas industrias e agricolas. Medidas de asuteridade por si só não levam a lado nenhum.

    d) Os recursos financeiros para essas politicas vêm da eliminação da despesa publica superfula, que ficará bem à vista com a redução para metade do numero de entidades do sector público.

    e) As universidades públicas têm estar profundamente envolvidas nas politicas industriais e agricolas , porque têm grande dimensão, organização e potencial, desde que direcionadas para objectivos concretos de interesse nacional.

    f) Estar à espera que o sector privado carregue o país às costas é acreditar no Peter Pan.

  6. quelhas motaa 13 Ago 2011 as 19:25

    PMP
    «Teoricamente», concordo consigo. Mas, não foi isso que o Estado fez «antes» e «depois» do 25 de Abril? Se há algo de comum ao longo da História, sempre foi o forte poder do Estado em Portugal, e, não de uma estado qualquer (ainda menos liberal); sempre tivemos um Estado-timoneiro (sebastianista), e, muito em especial, nos últimos 50/70 anos. «Teoricamente», o comunismo, com o seu homem «novo», é um maravilha, mas o resultado foi a barbárie – este foi o resultado do Estado omnipresente e omnipotente.
    Ou seja, parece que devemos «desconfiar» do Estado e das suas «boas intenções» – afinal, estamos numa Crise provocada pelo Estado com as suas políticas (ditas) desenvolvimentistas às quais «obrigou» (pela subsidiação directa e indirecta) o sector privado a aderir. Se o «velho» Estado nos conduziu ao caos, quem nos garante que o «novo» Estado – com o seu «novo» programa desenvolvimentista – não aumentará o caos?
    Até agora foi o sector privado – com os subsídios dos contribuintes-líquidos – que carregou o País ao colo, já que o Estado transferiu a riqueza nacional (recolhida em impostos e …) para tal sector. O que se quer é que continue a ser o sector privado a carregar ao colo o País, mas, agora, sem o mando omnipresente e omnipotente do Estado e, desejavelmente, sem os subsídios suportados (e reflectidos na baixa qualidade de vida) dos cidadãos contribuintes-líquidos.
    É sempre o sector privado – e a sociedade civil, que lhe corresponde – que leva o País ao colo – a não ser que houvesse em Portugal um sector público economicamente significativa e rentável.
    Infelizmente para todos nós que o Estado não é a «solução» – pelo menos, é isso que a História nos mostra.

  7. Carlos meloa 13 Ago 2011 as 23:14

    Penso que Anunes não tem razão no que diz.
    Vamos por pontos.
    Ponto 1: a redução da carga fiscal que incide sobre as empresas tem sempre um efeito positivo no crescimento da economia e, consequentemente, na criação de emprego. O mundo está cheio de exemplos que o atestam irrefutavelmente. O crescimento acelerado, por exemplo, da Irlanda está muito ligado à sua baixa taxa de IRC. A Polónia é outro bom exemplo. Não faltam mais, principalmente nos países do oriente. E todos sabem que, sendo o deficit crónico da balança de transações correntes o problema principal da nossa economia, compensar a baixa da TSU com um aumento do IVA, é uma estratégia economicamente adequada, pois força a correcção daquele problema estrutural da nossa economia. Mas claro, no curto prazo vai trazer contração à economia. Contas simples, o que se ganha em exportações (a ver vamos) não compensa o que se perde em consumo interno (mais que assegurado). E daí pode ocorrer, num período de 2/3 anos, até um aumento do desemprego.
    Mas não há alternativa. Porque já ninguém nos empresta dinheiro para vivermos “acima das nossas possibilidades”, ou seja, continuarmos a importar grandes quantidades de produtos alimentares, combustíveis fósseis, ou material automóvel. Portanto com baixa ou não da TSU o consumo está “condenado” a contrair-se. Pelo menos na sua componente importação.
    Recordo-me de em 1973 Marcelo Caetano ter-se dirigido à população com um ar pungente dizendo que se “acabara o tempo das vacas gordas”. Referia-se à crise que se avizinhava. Hoje estamos a viver o mesmo filme de então. Só que naquele tempo sabíamos que era um apertão de cinto transitório, até que o preço das matérias-primas baixasse e pudéssemos de novo recuperar a “gordura” perdida. Receio bem que esta tendência ondulatória que caracterizou a economia mundial durante os últimos 50 anos (crescimento, contração, crescimento) acabou. A não ser que se encontrem alternativas mais baratas para as matérias-primas essenciais (estou a pensar principalmente no petróleo), ou se descubram novas jazidas abundantes que restabeleçam o equilíbrio oferta/procura.
    Ponto 2: a TSU não é uma aberração. É praticada em quase todo o mundo civilizado. O que certifica a sua correcção e utilidade. Só não se usa onde impera a exploração do trabalho, em proveito do capital. É este modelo que defende?

  8. Pedro S.a 14 Ago 2011 as 9:15

    O que dizer, depois do que está dito por Quelhas da Mota e Ricardo Saramago?

    Só isto.

    Não há um “raio” de um ministro que sente estes senhores à mesa a ouvir a verdade da verdade.

    Ou recorrentemente preferem a verdade da mentira?

  9. PMPa 14 Ago 2011 as 12:15

    quelhas motas,

    Daqui a 10 anos vamos estar mais pobres , pois vamos esperar que o sector privado desenvolva o país.
    .
    Nunca nenhum país se desenvolveu sem uma forte associação entre o sector publico e o sector privado.
    .
    Manter a crença neoliberal de que o mercado tudo resolve só vai dar maus resultados.
    .
    Mas o interessante é que muitos “neoliberais” estão bastante interessados em manter o status-quo de um sector público ineficaz e gordinho.

  10. PEDRO PINHEIROa 14 Ago 2011 as 13:21

    Para PMP

    O problema é o estrangulamento que o sector público faz ao privado.Por outro lado, os factores essenciais para o crescimento de uma economia, deve ser baseado numa optica de eficiência, que no Estado fica muito a desejar, vejam a Refer, o Metro, a RTP,etc,etc. O Estado não deve intervir na economia real, como tem acontecido na nossa débil economia, correndo toda a população o risco de pagar um mau investimento público( caso BPN), assim como, os Bancos emprestarem dinheiro não na análise real das capacidades económicas-financeiras de uma empresa, mas sabem que o Estado terá de pagar-lhes o empréstimo, faltando dinheiro para aqueles projectos realmente eficientes e que fossem verdadeiros investimentos. Penso que seria uma das primeiras condições para maximizar a disponibilidade dos recursos limitados. O Estado inquina a verdadeira corrida.
    O verdadeiro mercado, seria a corrida verdadeiramente eficiente resolveria os problemas, contudo foram sempre as intervenções(Estados, BCE) com as constantes distorções que provocam na economia que inquinaram o processo de desenvolvimento.
    Gostaria que dissesse qual a natureza do Estado para o progresso económico do país.

  11. PMPa 14 Ago 2011 as 18:27

    Para Pedro Pinheiro

    É uma tese superficial dizer que o sector público em geral estrangula o sector privado.
    .
    O sector privado não pode funcionar eficazmente sem um sector publico eficaz. Dizer o contrário é não conhecer nada de história nem de macro-economia.
    É mera propaganda libertária/anarquista sem qualquer substância economica ou politica. Mesmo que essas balelas estejam na moda nem deixam de ser balelas fantasistas.
    .
    Portugal precisa de exportar mais e importar menos, este é o problema principal.
    A tese que defendo, baseada na história dos ultimos 60 anos, é que baixando os impostos de uma forma não direcionada o sector privado não conseguirá por si só exportar mais e importar menos num prazo relativamente curto.
    .
    A Alemanha, a França, a China, os EUA, a Coreia, etc. todos eles têm politicas industriais e várias estratégias públicas que ajudam o sector privado a ser mais competitivo.
    .
    Por outro lado concordo que a grande intervenção quase totalitária que foi a criação deste EURO é um intervencionismo de estado intolerável para os povos que a ele aderiram , arrastados por economistas e politicos incompetentes e ignorantes.

  12. PEDRO PINHEIROa 15 Ago 2011 as 16:15

    Para PMP

    O melhor modelo que conheço de economia planificada foi o japão, sobretudo entre os anos cinquenta e oitenta, tornou-se o maior exportador de aço e automóveis,aparelhos electrónicos, semicondutores,até aos computadores e aviões( indústrias estratégicas para o desenvolvimento), as empresas estavam protegidas pelo estado do investimento estranjeiro. Contudo, nos anos noventa passaram toda a década em crise, porquê? Se tinham apostado, como defende na exportação e sobretudo em áreas essenciais ao progresso e desenvolvimento económico.
    porquê uma década em crise??
    Segundo Krugman, “as estreitas relações entre o governo e as empresas, a extensão do crédito fácil concedido por bancos garantidos pelo governo a empresas com quem tinham fortes ligações – a ser apelidadas capitalismo de compadrio e inculcadas de mal estar económico.” E bem vindos à especulação e ao risco moral.
    E neste sentido, uma economia bem planeada pelo Estado( enquanto todos trabalharam para o grupo, característica psicológica inexistente em Portugal), vai directamente um década de crise pelo feudo, compadrio, agrilhoando,asfixiando, uma boa parte do seu tecido produtivo. Volto a frisar o dinheiro deve ser alocado onde existe maior rentabilidade, um verdadeiro economista percebe isto, porque o dinheiro é escasso.
    Reforço a minha posição que ao Estado não cabe produzir, nem determinar a forma e o que produzir. Compreendo que o Estado pode efectuar políticas expansionistas para que os estados recuperem de uma recessão, ainda assim, com cuidado para não se afundarem na ajuda. Penso inclusivamente, pela globalização da economia que são os conhecedores dos diversos assuntos, pelo estudo que realizam que são os mais aptos para arrancar na linha de partida, é rídiculo o Estado que gere um país, querer produzir, o estado não tem essa função.
    Com todo merecido respeito compreendo a sua posição, parece que o mercado livre é atroz, mas só parece, pois segundo Adam Smith, “Invisible Hand”, permite estabelecer os preços de uma forma justa, em que nem compradores nem produtores conseguem determinar o preço dos produtos, ou seja, são as forças do mercado. Sabe acredito mais na eficiência deste mercado do que qualquer compadrio, feudo que destroi o que é a democracia.

  13. PMPa 15 Ago 2011 as 19:33

    Pois é o mercado funciona sempre, é perfeito, racional e eficiente, pena é que os Alemães, Coreanos, Chineses, Americanos, Japoneses, Brasileiros, etc. não acreditem muito nisso.
    .
    E é uma grande chatice que o nosso deficit corrente tenha iniciado o seu crescimento em 1993 quando começamos a preparar a adesão a este EURO estúpido.
    .
    A crise no Japão é tão grande que o PIB deles cresceu sempre a uma taxa superior à da U.E., e esta (parece que a mitologia tem grandes adeptos na economia em vez da análise dos factos !)
    .
    A conversa de que o Estado não deve ajudar as empresas já vem desde há 200 anos pelo menos, no entanto os governos dos paises com sucesso acabam por fazer o contrário do que pregam aos outros.
    .
    Pensar que o sector privado em Portugal tem capital e capacidade técnica e de gestão para trazer o deficit corrente para zero é acreditar no PETER PAN.

  14. Anunesa 18 Ago 2011 as 14:57

    Caro Carlos Melo
    Obrigado pelos seus comentários, é sempre bom discutir abertamente estas coisas.
    Em relação aos seus pontos:
    “Ponto 1: a redução da carga fiscal que incide sobre as empresas tem sempre um efeito positivo no crescimento da economia e, consequentemente, na criação de emprego.”
    Realmente isso não é verdade sempre. Por exemplo se a economia estiver proximo do pleno emprego a redução da carga fiscal poderá apenas acabar por gerar inflação, mesmo no curto prazo. Por outro lado, a redução de impostos no curto prazo, com déficit orçamental em consequência e respectiva emissão de Divida, poderá signifcar apenas … mais impostos futuros e, por isso, nenhum crescimento economico sustentado ou criação de emprego relevante também no futuro.
    No nosso caso concreto, contudo, o problema surge com as suas especificidades: É que a redução da TSU tem três implicações:
    a) Desiquilibra (ainda mais) o orçamento da SS, o que significa (se os Portugueses forem minimamente “racionais”) uma redução das suas expectativas futuras de rendimento e, por isso uma redução do seu padrão de consumo actual (têm de poupar mais para a sua reforma) e, consequentemente, uma contracção económica e … mais desemprego;
    b) Tem de ser compensada imediatamente por aumento de impostos o que, na actual situação Portuguesa é … contraccionista e gerador de mais desemprego, anulando assim parte do possivel efeito expansionista na actual situação de desemprego;
    c) A sua eventual eficácia ao nivel do investimento (pressuposto assumido no raciocinio da Troika) depende da conjugação de um conjunto adicional de factores (taxas de juro e expectativas de crescimento economico) determinantes no comportamente dessa variável, os quais se encontram longe de estar reunidos neste momento e que, na minha opinião, irão tornar irrelevante qualquer efeito positivo de uma redução da TSU, mantendo-se todos os efeitos negativos.

    “Ponto 2: a TSU não é uma aberração. É praticada em quase todo o mundo civilizado. O que certifica a sua correcção e utilidade.”
    Peço desculpa mas o facto de ser (ou não) praticada “em quase todo o mundo civilizado” faz-me lembrar as historia de quem se atira com quem, ou não, ao poço.
    A poupança para a reforma faz parte da gestão patrimonial de um agente económico que é o trabalhador. Obrigar o empregador a retirar do valor que atribui ao factor trabalho uma fatia desse valor e, em vez de o entregar ao seu “legitimo proprietario” (o trabalhador), o entregar ao Estado para que este, reconhecido pela sua “competencia” na gestão financeira dos seus dinheiros, substitua o trabalhador na sua gestão, parece-me … estranho.
    Não tem qualquer defesa ao abrigo de qualquer modelo (seja de que escola fôr) económico ou financeiro, não tem defesa ao abrigo de qualquer principio social. Mais do que uma “aberração”, na minha opinião é um ROUBO ao trabalhador (o empresário, esse, está-se nas tintas) já que se trata de uma clara transferencia artificial de rendimento de um agente para outro (do trabalhador para o Estado). E só foi criado porque é uma forma de um Estado incompetente e “glutão” disfarçar diligintemente aquilo que na realidade é pura Carga Fiscal. Depois, passados anos de fartura, resolve-se o problema como? Aumentando a idade da reforma dos trabalhadores.
    A TSU é errada, é redutora de valor e, por ser apenas mais uma forma encapotada de tributação e se esconder sob elevados principios sociais, torna-se, na minha modesta opinião … imoral.
    Deveria ser, pura e simplesmente e logo que possivel, exterminada.

  15. Anunesa 18 Ago 2011 as 15:08

    Caros amigos
    Sobre a questão do planeamento vs livre iniciativa, julgo que se podem encontrar exemplos de sucesso e de insucesso para qualquer deles na História.
    A unica coisa que vos posso garantir (por experiência própria) é que:
    1) No actual Mundo globalizado o que hoje é verdade, amanhã já não é e, depois, ninguém sabe;
    2) Face a 1), os principais factores criticos de sucesso para qualquer economia são, cada vez mais, a sua flexibilidade e adaptabilidade;
    3) O agente económico menos flexivel e adaptável que conhecemos é … o Estado.
    A partir daí cada um fará as suas escolhas.

  16. PMPa 18 Ago 2011 as 21:01

    Sobre a TSU ser uma aberração, concordo totalmente.
    É apenas uma forma de aumentar os custos do trabalho face à automatização, o que acelera a perda de emprego nas economias modernas, e beneficia os paises com baixas TSU’s.
    .
    Sobre a questão do planeamento vs livre iniciativa, é uma falsa questão que não serve para esclarecer nada, pelo contrário, é uma forma de desviar a discussão para o campo da crendice / subjectividade .
    .
    O mercado livre não existe por si só. O mercado mais ou menos livrfe só existe na medida que os governos /estados o conseguirem impôr.
    .
    Ainda por cima , a nivel macroeconómico, o mercado livre é intrinsicamente instável, e o sucesso económico e social dos ultimos 65 anos no mundo deve-se à social-democracia e ao regime de capitalismo racional que se estabeleceu a partir da teoria económica de Keynes.
    Neste regime existe uma cooperação estreita entre o sector público e o privado em muitas dimensões, a mais importante das quais é a manutenção de um nivel de procura elevada derivada do elevado nivel de despesa publica.

  17. PEDRO PINHEIROa 18 Ago 2011 as 21:51

    A receita keinesiana, “(…)que a despesa pública é sempre uma das principais fontes do crescimento económico. E é precisamente nessa vulgata que se funda a principal crendice que tem alimentado a política económica dos últimos anos, com os resultados que estão à vista: mais dívida pública,menos crescimento e mais desemprego.” (

  18. PEDRO PINHEIROa 18 Ago 2011 as 21:59

    A receita keinesiana, “(…)que a despesa pública é sempre uma das principais fontes do crescimento económico. E é precisamente nessa vulgata que se funda a principal crendice que tem alimentado a política económica dos últimos anos, com os resultados que estão à vista: mais dívida pública,menos crescimento e mais desemprego.” ( Economista Vitor Bento)
    A ajuda que fala Keynes “seria supostamente transitória e destinada a reactivar a economia e não a suportá-la permanentemente”.
    “Um outro aspecto do nosso problema económico tem a ver com a crendice de que a salvação da economia estará no Estado.”
    Leia o Nó Cego da Economia de Doutor Vitor Bento e compreenderá o estrangulamento que o Estado fez e faz à nossa economia.

  19. PMPa 18 Ago 2011 as 22:18

    Pedro Pinheiro, explique lá como funciona a economia em vez de debitar tretas sem sentido.
    .
    Crendice religiosa é vir com conversa de chacha sem perceber o que está a dizer.
    .
    Olhe para os factos e os numeros na OCDE desde 1946 e estude primeiro e não repita chavões .
    .
    Já reparou que Portugal estagnou desde que entrou neste EURO estúpido que é uma moeda inventada por gente que não percebe como funciona a economia e que agora está a provocar a maior crise na Europa desde há décadas ?
    .
    É óbvio que estando num moeda que não nos pertence e mantendo deficts comerciais elavados, o país teria que estourar ?
    .
    O que é que isso tem a ver com o Keynesianismo que desde sempre percebeu a relação entre o dificit publico e o deficit comercial.
    .
    Estudar só faz bem.

  20. PEDRO PINHEIROa 18 Ago 2011 as 22:49

    Pensei que através de um argumento de autoridade podia reconhecer algum valor, já vi que não. O economista, Vitor Bento explica com base em dados reais, as afirmações acima transcritas por minha pessoa, que o senhor tanto contesta. Já agora, leia, estude porque tem no livro as respostas que procura de forma fidedigna. Sobretudo, que o problema não foi apenas o euro.
    EU continuarei a estudar, sou aluno e continuarei a ler e a aprender com muito gosto. Agora, nunca deixarei de exprimir o que penso de forma crítica e livre.
    Tenho formação em Economia e Filosofia( para os portugueses os tontinhos), e continarei a estudar, sempre na procura de perceber como o mundo pode tornar-se melhor. As frases que retirei dos livros que leio foi para que percebesse o contrário de que afirma, é que não são chavões, são factos.
    Só mais uma para perceber o funcionamento da economia é necessário alguns anos de estudo, e não um conjunto de frases soltas sem inicio, meio e fim.

  21. PMPa 18 Ago 2011 as 23:13

    Crendice religiosa é não perceber a gigantesca diferença em como funciona a economia num país com moeda própria e câmbios variáveis (quase todos os países do mundo , incluindo os EUA, UK, Japão, etc,) e Portugal que usa uma moeda que não é própria.
    .
    Por isso vir com frase feitas sobre Keynesianismo sem perceber o que isso quer dizer é uma asneira.
    Já reparou que só após o estouro deste EURO é que se começou a pensar a sério na sua estrutura, nomeadamente a estupidez de ter uma moeda unica sem divida publica unica (caso unico no mundo !)
    .
    Para perceber como funciona a economia convêm começar a ler um livrinho publicado em 1936 e escrito por um economista famoso.
    .
    O que o Vitor Bento diz no livro é 100% correcto, só que não invalida nada do Keynesianismo, desde que se perceba como funciona a economia.
    Compadrio e ignorância não se podem confundir com uma politica Keynesiana.
    .
    Verifique lá as taxas de juros nos EUA, UK e Japão que têm deficis publicos enormes e juros baixissimos.
    .
    Como disse lá atraz , o problema económico português é o deficit corrente e é urgente atacar esse problema, só com austeridade não vamos lá.
    Basta perceber como funciona a economia (macro-economia).