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Set 10 2011

O último fôlego da desvalorização fiscal

Publicado por Ricardo Reis a 14:29 em Artigos Gerais

O suplemento Dinheiro Vivo, que saiu hoje com o Diário de Notícias e com o Jornal de Notícias, tinha um artigo meu sobre as desvalorizações fiscais. No entanto, o artigo foi muito editado no jornal, pelo que algumas partes não fazem o sentido que eu desejava. Fica por isso abaixo o ensaio original que eu submeti. Comentários bem vindos, como sempre.

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O último fôlego da desvalorização fiscal

O memorando de entendimento com a troika era tão exaustivo que, à partida, era de prever que nem todas as medidas fossem aplicadas à letra. Alguns dos desvios não causaram grande controvérsia, como o adiamento da privatização da RTP. Outros são cruciais e estão a causar tensão, como o compromisso de cortar a despesa duas vezes mais do que o aumento na receita fiscal.

Uma medida que está a cair no esquecimento é a chamada desvalorização fiscal. Infelizmente, as razões para este abandono não são as melhores. Têm sido muitas as falácias e as falsas críticas a esta medida. Antes que ela vá ao tapete, importa esclarecer o que está em jogo.

O objetivo da desvalorização fiscal

Os programas típicos de ajustamento do FMI, incluindo as duas intervenções em Portugal nos anos 80, assentam em duas pernas. A primeira perna é o saneamento das finanças públicas para reduzir o endividamento do Estado e, por arrasto, do país. Uma consequência nefasta deste ajustamento é que o aumento de impostos e a descida da despesa pública empurram o país para a recessão. A segunda perna é uma expansão monetária que aumente a inflação e desvalorize a moeda. Ao penalizar as importações e promover as exportações, esta desvalorização ajuda as contas externas e, mais importante, estimula a economia. Por isso, permite combater o efeito recessivo da contração fiscal e evitar que o país mergulhe numa espiral depressiva em que mais impostos retraem a economia, que por usa vez reduz a receita fiscal, e assim em diante.

No caso de Portugal, a desvalorização por via monetária não é possível por não temos moeda própria. Mas ela pode ser feita por via fiscal, manipulando as taxas de impostos de forma a taxar importações e subsidiar exportações. Crucialmente, tal como na desvalorização monetária, isto não custa um tostão aos cofres públicos. A desvalorização fiscal é uma medida para pôr a economia portuguesa a crescer que, por definição, não põe em causa os objectivos do défice mas antes os reforça ao combater a recessão. Por sua vez, criticar a medida por ela ter sido defendida por este ou aquele economista amado ou odiado também falha o alvo: não há nada de original numa desvalorização num programa do FMI.

Como desvalorizar fiscalmente?

A resposta é simples: subindo os impostos sobre tudo o que consumimos e baixando os impostos sobre aquilo que produzimos. No caso português, a implementação passaria por baixar a TSU e subir o IVA e o IMI, em proporções que garantem que a receita fiscal não se altera.

Para ver como funciona, pense nos bens que exportamos. Para estes, descem apenas os custos de produção via a TSU, pois o IVA aplica-se apenas no local de venda. Logo, os nossos produtos tornam-se mais competitivos. Para os bens que importamos, só aumenta o preço via IVA, logo reduzindo o seu consumo. Por fim, para os bens que produzimos e consumimos cá dentro, desce a TSU mas sobe o IVA, pelo que o preço final para o consumidor é exatamente o mesmo.

Mais algumas falácias caem por terra. Primeiro, que as empresas não vão refletir no preço a baixa da TSU. Mas não há nada a refletir: desce a TSU e sobe o IVA, pelo que o preço não tem que mudar. Sé para quem exporta é que há uma queda de preço, e estas empresas operam em mercados bem competitivos. Segundo, que esta medida aumenta os lucros das empresas. De facto, diminui o que elas pagam em TSU, mas aumenta o que pagam em IVA, pelo que no total ficam na mesma. Terceiro, a subida do IVA não está aqui para “financiar a descida da TSU”: são as duas pernas da desvalorização fiscal, cada uma tão importante como a outra.

Porquê também o IMI?

Em Portugal, o sector imobiliário, quer na venda de novas habitações quer nas rendas de imóveis, estão isentos de IVA. A desvalorização fiscal exige que se aumentem os impostos sobre todo o consumo. Se não, estaremos a penalizar alguns sectores em detrimento de outros. Subindo o IMI, sobe o custo dos imóveis para o proprietário que o deverá refletir sobre as rendas cobradas e no preço pago ao construtor. Mais fácil seria, claro, começar a cobrar IVA neste sector. Outra alternativa era não baixar a TSU neste sector.

Mas, apesar de eu ter descrito este problema quando introduzi a desvalorização fiscal no debate em Portugal em Março de 2010, ela tem sido esquecida por todos. Não se trata de um detalhe. A habitação é quase um quinto do consumo em Portugal. Novamente, a desvalorização fiscal não é uma redução na TSU, mas requer que o imposto sobre todo o consumo aumente.

Terá a desvalorização algum impacto?

Muitos argumentaram que o peso dos salários nas nossas exportações é pequeno. Logo, a descida da TSU não teria grande impacto na competitividade. A dificuldade em fazer estes cálculos é que a maquina usada num sector exportador e produzida em Portugal também baixou de preço quando a TSU desceu. Felizmente, o Banco de Portugal e vários ministérios que têm informação detalhada sobre o sector produtivo português responderam a esta questão. Para uma redução na TSU de 3,7%, o IVA teria de subir 2,2%. Ora, a subida do IVA corresponde exatamente à desvalorização efetiva. Logo, o estudo confirmou que mais de metade da baixa do TSU se traduz em aumento de competitividade.

Nesse mesmo estudo estima-se que, depois de um ano, a medida terá um efeito positivo entre 0,5% e 0,6% do PIB. Este resultado é tão bom que me deixa de pé atrás. Se descermos o TSU em 7%, como sugeriu o FMI, podemos aumentar o PIB em 1%. Não conheço nenhuma outra política económica que tenha um impacto tão grande no curto prazo na nossa situação. Claro que não resolve por si os problemas da economia portuguesa, que precisa de reformas profundas. A desvalorização fiscal pode é antes ajudar na transição.

Na imprensa, o estudo do Banco de Portugal foi apresentado como mostrando que a desvalorização fiscal não funciona. Porquê? Em primeiro lugar, mais de metade do estudo é sobre “como financiar a descida da TSU”. Como expliquei acima, isto não é uma desvalorização fiscal. Em segundo lugar, muitos acharam que um impacto de 0,5% no PIB é pouco. Exigem bolos e rejeitam o pão para matar a nossa fome. Em terceiro lugar, o estudo só estima efeitos positivos no PIB após um ano. Mas, olhando para os detalhes, o impacto nos primeiros trimestres depende muito de premissas acerca da velocidade de ajustamento de preços e salários que são muito discutíveis. A estimativa de 0,5% após um ano ou dois é menos sensível a estas premissas e por isso é mais credível.

Conclusão

A desvalorização fiscal é uma medida para estimular o nosso crescimento económico no curto prazo através das exportações. Praticamente nenhuma outra medida no memorando de entendimento preenche este papel. Se o governo não quer cumprir esta parte do acordo, então tem de pensar a sério, e rápido, noutras medidas que evitem uma recessão profunda. Seria uma pena se a desvalorização fiscal tivesse dado o seu último fôlego, mas seria uma tragédia se fosse a economia portuguesa a perder o fôlego.

43 comentários até agora

43 Comentários para “O último fôlego da desvalorização fiscal”

  1. vbma 10 Set 2011 as 15:04

    Especialmente, nunca vi comentado o factor da elasticidade-preço da procura! Porque me parece evidente que nos casos de procura elástica, o ónus do iva vai ser substancialmente assumido pelos produtores que o financiarão pela diminuição do custo do trabalho; e no caso dos bens de procura inelástica, a consequente elevação de lucros ou se aplica nalgum útil (re)investimento ou simplesmente é aforrado e mais irc pagará.

  2. Paulo Correiaa 10 Set 2011 as 15:46

    Mais um artigo teórico muito interessante, e reforço o «teórico».
    Na minha opinião talvez se aplique num país diferente de Portugal, as boas intenções cá no burgo não passam disso mesmo.
    Teoricamente as acessibilidades reforçam a competitividade, teoricamente os fundos estruturais dinamizam as empresas, teoricamente a formação reforça a competividade do país, teoricamente a liberalização reforça a competitividade e melhora os serviços prestados pelas empresas.
    Olhe agora para Portugal e veja que a prática «supera em larga medida e no sentido inverso» as teorias.

  3. julio moreiraa 10 Set 2011 as 19:33

    Apenas um telegráfico comentario.
    Porquê tanta hesitação na baixa da TSU?????????
    Porque será de dificil avaliação o seu impacto?
    Não compreendo quando se aventam previsões macroeconómicas.
    Não bate uma coisa com a outra no meu modesto entendimento.
    Talvez que seja apenas o deixar-se que, antes da baixa, há tanto tempo falada, as empresas tenham ocasião de pagar os subsidios de férias de Natal na taxa actualmente em vigor. Sempre é mais uma receita que entra nos cofres do Estado, digo eu.

  4. Ricardo Reisa 10 Set 2011 as 21:31

    Caro vbm,
    Para os produtos nao-transaccionados, o preco nao muda, logo a elasticidade da procura nao e’ relevante. Para os produtos que exportamos e importamos, essa elasticidade e’ importante, mas nao tenho razoes para suspeitar que seja muito maior para as nossa exportacoes do que para as importacoes, ou vice-versa.

    Caro Paulo Correia,
    Mas espero que concorde comigo que entre tomar medidas apoiadas pela nossa teoria falivel e por algumas evidencias, ou tomar medidas que vao contra o (pouco que) sabemos na teoria e na pratica, a primeira opcao sera a melhor.

    Caro Julio Moreira,
    A desvalorizacao fiscal nao gera receita, nem a perde: e’ neutra porque a receita que se perde com a baixa da TSU e’ exactamente compensada pela receita com a subida do IVA+IMI.

    Obrigado aos tres pelos comentarios.

  5. julio moreiraa 10 Set 2011 as 22:24

    Caro Ricardo Reis
    O comentario que fiz foi apenas a de alguem que cohece as práticas.
    Da compensação que existe não duvido e agradeço o esclarecimento.
    Talvez, e não me leve a mal a ousadia de pensar assim, os timings de execução é que poderão ser diferentes.
    Olhe o aumento do IVA sobre a energia já foi. Trata-se apenas do exemplo mais há mão.
    Gato escaldado…..

  6. C.E.M.a 11 Set 2011 as 0:35

    A Ricardo Reis não faltam certezas quanto à eficácia duma desvalorização fiscal desta natureza (baixa da TSU por contrapartida de alta do IVA).
    As ciências económicas têm natureza empírica. Para que algo se constitua uma verdade, terá que ser baseado em resultados positivos da experiência.
    Onde foi experimentado este método, para analisarmos os seus resultados? Nunca ouvi falar em nenhum caso.
    Mas ouvi falar num caso de sucesso: a Irlanda, ao baixar o IRC para 15%, atraiu com isso muitos capitais estrangeiros que lhe exponenciaram o desenvolvimento da economia nas duas últimas décadas.
    Porque não é considerado este caminho em vez de baixar a TSU? Será porque esta é a medida preferida pelas microempresas em Portugal, que não lhe escapam, enquanto que o IRC nem sabem o que é e a sua redução não teria qualquer efeito para elas?
    Não sei …
    O que sei é que se a taxa de IVA passar a 25% a metade oriental do país passa a abastecer-se em Espanha.
    Daqui de Estremoz já muita gente vai abastecer-se ao Corte Inglês a Badajoz. Portanto é preciso ter muito cuidado com novos aumentos de IVA, pois poderão ter efeitos perversos. Acabaremos no exagero de assistir a contrabando de … vestuário e calçado, só para exemplo.
    Outra via seria aplicar-se uma taxa aos trabalhadores que aufiram mais de 1500 euros, semelhante à aplicada aos funcionários públicos. Com a mesma insensibilidade com que foi aplicada estes e vai ser aplicada aos reformados. E até mereceu aplauso e satisfação da generalidade dos “opinion makers” e dos mais de 9 milhões de portugueses que não foram atingidos por essa medida.
    Aposto que nenhum dos comentadores deste blogue aplauda esta sugestão.

  7. PEDRO PINHEIROa 11 Set 2011 as 7:23

    Na minha modesta opinião a descida da TSU devia ser realizada segundo um esquemas de incentivos,isto é, quem exportasse mais ,veria a taxa mais reduzida, assim como o IRC, a despenalização devia ser para aqueles que realmente vão trazer beneficios para o país e talvez para esses o corte na TSU fosse efectivamente mais longe.

  8. Antónioa 11 Set 2011 as 7:42

    “Segundo, que esta medida aumenta os lucros das empresas. De facto, diminui o que elas pagam em TSU, mas aumenta o que pagam em IVA, pelo que no total ficam na mesma.”

    O IVA é um imposto neutro não se reflecte nos custos das empresas, são os consumidores finais que o suporta. Ao contrário a TSU reflete-se nos custos das empresas. Todas as empresas por via da redução da TSU vêm os seus custos diminuir e portanto, os seus lucros aumentarem.

  9. quelhas motaa 11 Set 2011 as 8:24

    Está «complicado».
    Uma coisa é olhar a proposta de Ricardo Reis em si-mesma e outra se é ou não a que resolverá a Crise do Défice. Como parece evidente «pouco acrescentará», ainda que possa acrescentar alguma coisa – o que afinal é o que o Governo até agora tem vindo a fazer (espero que venha o «resto»).
    A única coisa que pode «acrescentar» de facto – penso eu – é fazer o contrário daquilo que nos levou à Crise: Estado gigantesco e economia sustentada no Estado – daí que Paulo Correia tenha apelidado tudo isto de «teórico», de facto Portugal nem tem «mercado» – como pode ele reagir?; em Portugal grande parte do PIB é gerado no «mercado do Estado». Por isso, igualmente, não existe sociedade civil; só existe Estado e, bem …, trabalhadores (muitos, funcionários públicos). Em certo sentido, a dívida pública portuguesa até é uma «dívida odiosa» – um caso de polícia.
    Apesar de tudo, penso estarmos todos de acordo que por aumento de Impostos não se vai lá. Nem é «linear» que um défice público controlado – após um risco sério de insolvência – vá, qual varinha mágica, abrir os cordões à bolsa dos credores. Ou se actua urgentemente sobre a diminuição da Despesa do Estado e na recuperação e «normalização» do mercado (retirando-o ao Estado), nomeadamente com o término de subsídios, protecção «de mercado» e extinção de serviços públicos e privados criados para criar emprego-fictício, ou, então, o País não crescerá – e, esperar por investimento estrangeiro, agora sem subsídio nem garantias públicas, é capaz de ser acreditar em «fadas».

  10. Outroa 11 Set 2011 as 11:01

    A questão Ricardo Reis é que garantias tem que a reduçao da TSU na pratica vai reduzir o preço (sem imposto) dos produtos pertugueses? Eu teoricamente percebo o exercicio ja na pratica tenho muitas duvidas que tenha esse tal efeito positivo, visto estarmos bem longe de termos sectores concorrencias, pelo que a nivel interno acho que toda a reduçao da TSU ficaria retida como receitas, e o preço final do produto acabaria por encarecer!

  11. PMPa 11 Set 2011 as 16:24

    O maior problema do aumento do IVA serão as compras em Espanha, mas uma outra vantagem da descida da TSU é que seria um passo no sentido correcto de baixar os custos do trabalho e assim desincentivando a deslocalização de empresas.

    Na minha opinião a descida da TSU deveria ser compensada apenas através de cortes na despesa pública, num plano de médio prazo :

    – todos os anos a TSU desceria 2% nos sectores transacionaveis até chegar aos 11% , sendo compensado por cortes na despesa, como por exemplo a fusão da S.Social com as Finanças.

  12. julio moreiraa 11 Set 2011 as 17:03

    Meu caro PMP
    Absolutamente de acordo com a sua visão, alternativa á versão corrente que,
    a cada vez mais longinqua descida da TSU, será compensada pela subida do IVA.
    A questão, a meu ver pertinente, é que já se percebeu que o Governo hesita, nesta como noutras medidas, e não consegue romper com a teia dos interesses estabelecidos.
    Fala em adoptar medidas. Na sequencia, surge o habitual e concertado alarido, uns a favor outros contra e fica tudo na mesma.
    É impressionante como sabendo os partidos do actual Governo o Estado em que estava a Economia e o sector Financeiro do País, em ambos os casos a requerer imediata e correctiva intervenção, se deixam enredar em discussões, talvez justificáveis noutro contexto, não, seguramente, neste em que por cada dia de adiamento é mais um passo que se dá na estagnação e no desperdicio dos sacrificios que se estão a pedir ás pessoas.
    Ja não vou como Manuela Ferreira Leite que aqui há tempos dizia que se devia interromper, por momentos, a Democracia, mas há que perceber, ou fazer perceber, que o momento exige tomadas firmes de decisões e que as mesmas obedecem a uma clara e credivel linha de rumo.
    Vejam-se os meses de “negociações” com os professores. Horas e horas de “esclarecedores” debates. No final metade dos Sindicatos para u m lado a outra metade para o outro.
    É no que dá querer agradar a gregos e troianos. Mas será que Nuno Crato não tem uma ideia para a avaliação? Que siga com ela e responderá no final do seu mandato. Agora não tem mais que fazer que andar em interminaveis reuniões em vesperas do começo das aulas?
    PMP desculpe mas uma pessoa começa a escrever e, por vezes, não consegue ser tão suncinto porque o incomodo que todo este circo provoca é muito grande. Será que ainda não perceberam que cada vez estamos a bater mais no fundo? E os aumentos de impostos não podem ser panaceia para tudo.

  13. M. Guimarãesa 11 Set 2011 as 20:26

    Há algo que não compreendo. Diz a certa altura: “Segundo, que esta medida aumenta os lucros das empresas. De facto, diminui o que elas pagam em TSU, mas aumenta o que pagam em IVA, pelo que no total ficam na mesma”, ora, tanto quanto julgo saber, o IVA para as empresas não é um custo porque deduzem o IVA suportado ao IVA liquidado, pelo que a baixa da TSU será realmente um acréscimo directo dos lucros das empresas.

  14. PMPa 11 Set 2011 as 21:05

    Caro Julio M,

    Este governo , tal como os anteriores, tem dificuldade em cortar na despesa quer por causa dos interesses instalados, mas sobretudo pela confusão que existe entre o que é o Estado Social.

    O corte na despesa pública é fácil de se conseguir desde que se perceba que o Estado Social não necessita de uma mega-organização burocrática para conseguir os seus objectivos.

    Por exemplo, não é necessário para nada existir uma S.Social separada das Finanças. São apenas registos contabilisticos diferentes.

    Não é necessário para nada existir o IAPMEI, AICEP, AdInovação, Compete, Umic, etc., basta o Ministério da Economia com três ou quatro departamentos.

    Não é necessário para nada um Ministério da Defesa desenquadrado da Proteção Civil e da Administração Interna, etc. etc.

    É possivel reduzir em 50% o numero de entidades públicas sem diminuir, antes pelo contrário, a eficácia do sector público.

    Por isso a baixa da TSU pode e deve ser feita por cortes na despesa não social do estado.

  15. Ricardo Reisa 12 Set 2011 as 1:48

    Caro Julio Moreira,
    Mais escaldados que os contribuintes portugueses no último ano, é difícil. Tem toda a razão em desconfiar que lhe vendam um aumento do IVA como “desvalorização fiscal” com a descida da TSU adiada apara “logo se vê”. Também por isso, achei importante escrever este artigo para por os pontos nos i.

    Caro C.E.M.
    As evidências empíricas que admira (e ainda bem!), no caso do IVA mostram que não há assim tantos portugueses que comecem a atravessar a fronteira quando aumenta o IVA. Sempre achei esse facto surpreendente. Mas, talvez tenha razão, e a partir de certo ponto, vamos todos em massa para Badajoz.

    Caro Pedro Pinheiro,
    Isso seria ilegal, pois contra a nossa participação no mercado único europeu. Melhor que descer a TSU e subir o IVA+IMI, era taxar as importações e subsidiar as exportações, como refere. Mas isto está expressamente proibido na União Europeia, que antes se ser o enorme projecto que é hoje, era uma zona de comércio livre.

    Caro quelhas mota,
    Como digo no ensaio a medida: “Claro que não resolve por si os problemas da economia portuguesa, que precisa de reformas profundas. A desvalorização fiscal pode é antes ajudar na transição.”

  16. M. Guimarãesa 12 Set 2011 as 14:22

    Será que me podem informar sobre o que é necessário para que um comentário seja aprovado? É que ontem fiz aqui um comentário que continua a “aguardar aprovação” quando outros posteriores já mereceram a respectiva atenção. Creio não ter dito qualquer disparate no referido comº. Muito obrigado.

  17. Jgomesa 13 Set 2011 as 7:53

    A questão do aumento da produtividade é fundamental, sendo que a desvalorização fiscal não é o principal instrumento mas que evidentemente na actual conjuntura deve ser previligiado porque é a forma mais rápida de atingir o objectivo (urgente) de aumentar o crescimento da economia.
    Concordo em absoluto que não se pode continuar a adiar um dos compromissos definidos no programa de ajustamento. No entanto a questão da perda de receita fiscal e de negócio transfronteiriço não deve ser minimizado. Assim, parece-me que a neutralidade da redução da TSU deveria passar por um aumento reduzido do IVA e ser centrada sobre bens não transaccionáveis o que podendo levantar problemas ao seleccionar-se determinados sectores da economia poderia ser ultrapassado através de aumentos cirurgicos em impostos especiais e que teriam externalidades positivas – exemplos são aumentar substancialmente o IMI sobre imóveis devolutos ou sobre 2ª habitação e taxar as transações imobiliárias.

  18. ACGa 13 Set 2011 as 14:57

    O artigo de Ricardo Reis é do mais esclarecedor que já li sobre o assunto e alimenta “virtuosamente” a necessária discussão. Contudo, tenho dois comentários.
    Ricardo Reis afirma que “que esta medida (não) aumenta os lucros das empresas. De facto, diminui o que elas pagam em TSU, mas aumenta o que pagam em IVA, pelo que no total ficam na mesma”.
    Julgo que não é bem assim, uma vez que a baixa da TSU faz baixar os custos de produção, tanto para os produtos consumidos internamente, como para os que exportamos. Por outro lado, a empresa apenas paga mais pelo consumo dos produtos portugueses, por via do aumento do IVA desses produtos. Se fica na mesma, ganha ou perde, depende da estrutura de custos de cada empresa e do impacto das alterações nas suas vendas. Estou a ver bem, ou escapa-me algum aspecto?
    O segundo comentário é dirigido às consequências do aumento do IVA, dando de barato que a sustentabilidade da SS é mantida, no mesmo nível, pela transferência, do IVA para a SS, das verbas perdidas por esta.
    De facto, como não sabemos qual o impacto que o aumento do IVA terá no consumo, todo o cálculo que relacione equivalência, em verbas, entre TSU e IVA comporta incerteza. Esta incerteza aumenta porque, em paralelo ou antes, haverá outras mexidas de IVA e uma conjuntura recessiva, com impacto desconhecido em futuros acréscimos de receitas por via do aumento do IVA.
    Mas, assumindo que a relação “redução na TSU de 3,7% equivalente a subida de 2,2% do IVA”, ainda teremos de equacionar qual o valor da descida da TSU e se é para todos as empresas e se a subida do IVA é idêntica para todos os produtos.
    Se se opta pela selectividade, quais os critérios a adoptar. No IVA, favorecem-se grupos de produtos com forte incorporação nacional (sem violar regras da EU), e/ou com maior impacto nos grupos sociais mais débeis, e/ou com impacto no emprego (veja-se a reacção a CCP à ideia de descer a TSU com subida de IVA), e/ou…? Na TSU, favorecem-se sectores (ou empresas?) exportadores, e/ou que geram emprego, e/ou, etc…? E como se evitam oportunismos ou distorções à concorrência?
    O que pensa disto, meu caro Ricardo Reis?

  19. PEDRO PINHEIROa 13 Set 2011 as 18:31

    Caro Ricardo Reis

    Penso que teria mais impacto na vida economica das empresas fazer fluir dinheiro( os bancos financiassem a baixo custo os projectos de investimento baseados na exportação), resolvendo os problemas de liquidez, mas também dos custos financeiros que no balanço de uma empresa de uma forma geral tem muito mais impacto que a TSU. Até porque com dinheiro talvez fosse possível renovar o imobilizado, com ganhos de eficiência e competitividade. Os bancos especialistas em análise economica-financeira deviam ajudar-nos a escolher os melhores investimentos, ou seja, os que possuem maior retroactividade. Penso que os bancos descuraram o aspecto económico em detrimento do financeiro. O nosso poder político deve apelar para uma banca responsável, que se preocupe verdadeiramente com os projectos de investimento viáveis economicamente, e o estado deve suspender todos os projectos para evitar que a banca não tenha dinheiro para o tecido produtivo exportador. Este problema parece-me mais grave, muitos empresários “fecham portas”, por falta de liquidez, e de crédito e não por falta de escoamento dos seus produtos(mercados). Descer a TSU não resolve este problema, ainda à pouco tempo a falar com um pequeno empresário, dizia-me que a banca só estava a conceder crédito, mas um juro que lhe era insuportável para os projectos. Penso mesmo, que sem resolver em primeiro lugar este problema, descer a TSU e aumentar o IVA ,terá um impacto pequeno na redução dos custos das empresas, e um efeito recessivo, pois duvido seriamente na redução do preço dos produtos(aos consumidores) pela baixa da TSU, mas uma certeza eu tenho, os produtos para o consumidor vão ficar mais caros( falo para o consumidor português). Contudo, é legitimo pensar que em termos de exportação, os produtos produzidos ganham competitividade, “uma lufada de ar fresco”. Espero é que não seja aniquilada pela a austeridade dos estados.

  20. Tiago Rochaa 13 Set 2011 as 21:58

    de ecónomia entendo zero, mas se uma descida da TSU em 7% permite uma melhoria do PIB em 1% pq não descer em 70% para ter uma melhoria do PIB em 70%? :-)

    onde está o limite e porquê?

  21. PMPa 13 Set 2011 as 21:59

    A redução da TSU ao longo de vários anos , até que atinja valores muito baixos é essencial para o aumento da competitividade das empresas de bens transacionáveis.

    Se existisse outra forma para esse aumento já teria sido descoberto e aplicado nos ultimos 20 anos, quando parou a desvalorização do escudo.

  22. Tiago Rochaa 13 Set 2011 as 21:59

    EDIT: descer em 70% para ter uma melhoria de 10%?

  23. julio moreiraa 14 Set 2011 as 8:36

    Caro PMP
    É exactamente o que diz. E deixemo-nos de teorias, mais ou menos, bem elaboradas.
    A hora é de agir, e a TSU já devia ter beixado, até por imposição da troika, há dois meses.
    Claro que é uma medida que tem reflexo imediato na baixa de custos de produção das empresas. Isso é inegável. Se calhar também por isso foi referida no acordo com a troika.
    Mistério. Porque ainda não baixou?
    Cumprimentos a todos

  24. lxoila 14 Set 2011 as 11:02

    “No caso português, a implementação passaria por baixar a TSU e subir o IVA e o IMI, em proporções que garantem que a receita fiscal não se altera.”

    Subir o IMI concordo totalmente, sobretudo se incluir o fim das isenções actualmente existentes.

    Aumentar do IVA… bem… estamos em portugal
    A economia paralela já é grande, e com o IVA a aumentar para lá dos 25%, dois sintomas crónicos da nossa sociedade irão aumentar:

    1- aumento da fuga ao IVA, podendo aumentar a taxa de IVA e no entanto os proveitos deste imposto nao aumentam, podendo mesmo vir a diminuir

    2- compra de bens de consumo em Espanha. Nós temos +- 1000km de fronteira com espanha. Quem está perto da fronteira só compra gasolina e botijas de gás em portugal como solução de ultimo recurso. Não desejamos que o IVA provoque a compra de ainda mais equipamentos (sobretudo dos bens de consumo mais dispendiosos) do outro lado da fronteira. Mais capital a sair do país

    Descer a TSU

    1 – Na maior parte das empresas exportadoras de facto faz toda a diferença. Correspondem, na generalidade a empresas sérias que querem crescer a aproveitar todos os ganhos de competitividade possíveis. Houve a ideia de se aplicar só a estas a descida da TSU e não percebo porque a ideia não foi avante.

    2 – Para a maior parte das PMEs que andam por aí é ridículo baixar a TSU. Esse dinheiro que o estado irá libertar irá direitinho para os gastos dos patrões que normalmente aparecem como despesa da empresa.

    3 – Para as empresas grandes, nao sei avaliar…

  25. vbma 14 Set 2011 as 15:27

    Se 8 pontos percentuais da taxa social única
    são 2 pontos percentuais do produto interno bruto,

    significa isso que a proporção do factor trabalho
    no valor da produção é de 25%?

    Tinha a ideia de que era cerca do dobro!
    Onde está o meu erro?

  26. PMPa 14 Set 2011 as 18:37

    É irrelevante tentar calcular o impacto da baixa da TSU na economia dos bens transacionáveis.

    Sabemos que será positivo porque temos deficit corrente, e sabemos que em 20 anos o deficit corrente passou de zero para 10%, por via do fim da desvalorização da moeda.

    Sabemos também que o capital fixo não paga TSU e sabemos que o desemprego subiu e que o desemprego gera deficit.

    Logo o unico caminho viável é baixar a TSU para já nas empresas de bens transacionáveis de uma forma gradual, por exemplo 4% ao ano e monitorar o seu impacto no crescimento das vendas e do emprego nesses sectores.

  27. julio moreiraa 15 Set 2011 as 7:59

    Caros Amigos.
    Pela enésima vez ainda a TSU.
    Eu vi aqui há meses, durante a campanha eleitoral, Passos Coelho “apertar” com Socrates, não pela baixa da TSU, que seria indiscutivel, uma vez que constava do documento assinado com a troika, mas sim porque o leader do
    Governo dizia que seria uma baixa minima e Passos Coelho insistia que não era isso que estava escrito. E fazia-o com a convicção de quem sabia o que estava a dizer.
    Pois. A descida, de acordo com o documento deveria ter cocorrido em Julho passado.
    Estamos em meados de Setembro e ainda não se vislumbra a aplicação que, garantidamente, não vai ocorrer antes das empresas pagarem o 13º. mês com a correspondente entrega na Seg.Social de 23,75% sobre a massa salarial, parte que é da sua responsabilidade.
    Já antes pagaram a sua parte nos subsidios de férias.
    Isto é gestão de Tesouraria, no meu modesto entender, por banda do Governo.
    É inacreditavel, para mim, que pessoa com competencia Técnica, que concorde-se, ou não, com a sua actuação, indiscutivelmente Vitor Gaspar possui não saibam o impacto da descida da TSU.
    Se nalguns casos ele foi além do exigido pela Troika por que será que neste particular fica aquém?
    Cumprimentos

  28. Anunesa 15 Set 2011 as 18:21

    Caro Ricardo Reis
    Recomendo vivamente o envio do seu post para a redacção do Jornal de Negócios.
    O Editorial de hoje, visceralmente contra a redução da TSU, demonstra bem o quão longe de entender os mecanismos da desvalorização fiscal estão a maioria dos jornalistas económicos deste País.
    Pessoalmente tenho algumas reticências, mas não pelas (pseudo-)razões que vão surgindo nos media. As minhas dúvidas têm mais a ver com o timing para a implementação das medidas, cuja eficácia depende bastante da procura externa, ou seja do momento de crescimento dos principais mercados exportadores, que se deverão estar a contrair nestes próximos tempos. Em fases destas será bem mais provável assitir a uma mera apropriação dos ganhos pelos accionistas, sem qualquer impacto ao nível do investimento e da criação de emprego no sector exportador.
    Também não me agrada a “promiscuidade” permanente entre orçamento geral do estado e gestão da SS. Do ponto de vista da transparência económica, factor essencial ao desenvolvimento saudável de uma sociedade, esta mistura de TSU e IVA não aponta, mais uma vez, o “bom caminho”.
    Mas entendo que, na conjuntura certa e com a amplitude suficiente, o “pacote” da desvalorização fiscal poderá ser um (o único ?) contributo, nesta fase, para alimentar alguma esperança ao crescimento económico.

  29. vbma 16 Set 2011 as 20:11

    Eu acho que deveria aplicar-se uma faixa de flutuação fiscal aos bens e serviços do comércio externo dos países com défices ou superávits graves da balança de pagamentos.

    Algo que simulasse a desvalorização cambial, justamento numa margem de + e – 15% como quando ainda não havia moeda única, mas sim uma vontade comum de harmonizar as políticas económicas dos estados-membro.

    Défice da balança? Exportações mais baratas até 15% e importações mais caras na mesma percentagem. Superávit da balança? Exportações mais caras 15% e importações mais baratas 15%.

    Porque é que havemos de tentar descobrir o que David Ricardo já explicou há 200 anos!?

    E a moeda europeia continuaria única, o euro, quem quisesse comprar títulos de dívida pública ou privada em euros que compre e quem quisesse vender que venda,

    mas

    deixem respirar os países em dificuldades para valer a pena esforçarem-se a trabalhar e bonifique-se o bem-estar e a descontracção dos povos dos países superavitários proporcionando-lhes um merecido descanso!

    :)

  30. PEDRO PINHEIROa 17 Set 2011 as 9:07

    Caro VBM
    Subscrevo por completo as suas palavras, pelo menos evitariamos a subida do iva e do Imi, com consequências desastrosas no consumo interno. A descida da TSU devia ser feita em correlação com o emagrecimento do Estado, e devíamos ter a possibilidade de premiar as empresas que criam postos de trabalho e beneficiam o país economicamente.
    Sem essa alternativa, devíamos desde já reformular toda a Autoridade responsável pela concorrência, é preciso denunciar que os nossos produtos não são competitivos não apenas pela TSU, mas também pelo custo energético que as nossas empresas estão sujeitas, que por sua vez tem uma parcela em impostos para o Estado elevadíssima. Se queremos ser competitivos pelos custos também teremos de tratar deste problema. Reparei uma vez o carro em Espanha, supreendentemente em Portugal pagaria cerca de mais 25 por cento, eu perguntei porquê?
    Na factura, o iva era cerca de mais 5 por cento em Portugal, ainda assim, a diferença era muito grande. Por outro lado, os mecãnicos em Espanha( alguns portugueses, percebi) auferiam cerca de 300-400 euros mais que em Portugal.
    Ou seja, não é pelos salários que perdemos competitividade. Pareceu-me que o problema reside essencialmente na base energética, custos energéticos mais baixos(necessidade de uma reforma das leis da concorrência) ,menos carga de impostos(necessidade de emagrecer o estado), e um outro factor decisivo que é a organização da empresa em termos de eficiência e eficácia( urge a necessidade de contratar pessoas especializadas em gestão e não apenas uma pessoa que perceba do assunto).
    Enquanto não resolvermos estes três problemas não podemos competir com o mercado espanhol. Eu acrescentaria outro, que é a cooperação que existe em Espanha contrapondo ao nosso individualismo.
    Como é óbvio não basta baixar a TSU, pode ser uma “lufada de ar fesco”, contudo deve ser acompanhada por outro tipo de medidas(acima referidas) essenciais ao desenvolvimento económico do país.

  31. julio moreiraa 17 Set 2011 as 10:29

    Caro Pedro Pinheiro.
    Óbvio que não basta baixar a TSU. Nem carece de discussão. Não é apenas com medidas isoladas que se resolvem problemas de natureza estrutural.
    Mas, no meio de notorias hesitações, que se tome essa medida. Tantas vezes, e com razão, que os empresários portugueses são acusados de ousarem pouco, neste particular é o Governo que hesita, depois de se terem comprometido com a troika, e terem assumido uma data para o fazer.
    Medidas complmentares? Claro que sim.
    Penso que a reforma da legislação laboral, conferindo-lhe ainda maior ousadia no que respeita á possibilidade de rescisão contratual por parte da entidade patronal, é uma das vertentes a contemplar. Temos que tornar o mercado de trabalho mais móvel. Penso que isso será um factor de maior incentivo á assumpção de risco por parte dos empresários. Há sempre projectos de investimento que não correm bem. Porque será que uma vez constatado isso os empresários deverão ficar agarrados aos custos laborais derivados desse insucesso? Há que incentivar o investimento e perceber que, nesta altura, é preferivel a precaridade de emprego á sua ausencia.
    A carga fiscal sobre as empresas tem que diminuir!!!!!!!!! E a TSU quer queiramos ou não, é um encargo fixo para as empresas.
    Já li aqui que, nesta conjuntura, a sua baixa resultaria num aritmético aumento dos lucros a distribuir. Poderá não ser tão liquido assim se mexermos na legiaslação laboral.
    Os empresários não podem ter medo de investir. E não o terão se o Governo assumir que são uma classe absolutamente necessária á recuperação economica que o País tem de encetar.
    Cumprimentos

  32. julio moreiraa 17 Set 2011 as 10:39

    Meus caros.
    Off topic.
    Inadmissivel, já de há muitos anos, a situação na Madeira. Nesta ocasião dificil que o País atravessa, ficamos descridibilizados face ao exterior, quando se detectam sucessivos “esqueletos no armário” do orçamento daquela Região.
    Numa medida profilatica o Governo não pode ficar á espera de uma qualquer decisão saída das eleições Regionais, e deve afastar João Jardim.
    As contas devem ser auditadas e pedidas responsabilidades. Ele foi longe de mais.
    E nem coloco em causa que tenha havido apropriação indevida de fundos por parte da sua pessoa ou entourage.
    Mas isto não é forma de desempenhar funções públicas e de lidar com o dinheiro público.
    Acho que teria que ser afastado, já.

  33. PMPa 17 Set 2011 as 10:45

    A indecisão na baixa da TSU e a discussão que só agora se faz, revela bem a falta de credibilidade do conhecimento económico e da sua falta de soluções concretas.

    Vão ser precisas todas as medidadas e mais algumas para aumentar as exportações e diminuir as importações, senão é o empobrecimento continuado, emigração forçada e destruição do futuro de duas gerações pelo menos.

    A baixa da TSU nos sectores transacionaveis, a reorientação do crédito da CGD e do capital de risco do estado para os transacionáveis, os seguros de crédito públicos, as compras públicas para viabilizarem start-ups nesses sectores, o QREN desviado para os transacionáveis, tarifas alfandegárias em ãlgumas situações invocando os casos de excepção , etc.

    Se em 20 anos de moeda forte não conseguimos com politicas economicas laissez-faire temos de tentar medidas não convencionais.

  34. PEDRO PINHEIROa 17 Set 2011 as 13:02

    caro PM

    Plenamente de acordo consigo, desviar uma boa parte dos recursos financeiros disponíveis para o sector dos transacionáveis, vamos ver se há essa coragem, pois como sabemos é um sector concorrencial. Esse é o grande desafio, mais do que descer a TSU.

    Caro Júlio Moreira
    Um dos aspectos que eu queria focar é que em Espanha os trabalhadores auferem salários superiores aos portugueses, o custo do trabalho é superior, ainda assim, mais competitivos que nós. A TSU é uma das componentes dos gastos de uma empresa entre muitos outros( como a energia), os custos financeiros, os impostos, as remunerações, etc Os estímulos podiam ser realizados por diversos enfoques,não necessariamente pela TSU. Compreendo que é uma medida que pode obrigar o Estado a emagrecer, mas, tendo como contrapartida o aumento do iva,estamos a compensar enfraquecendo o consumo interno, será mobilizador para dedicar-nos à exportação? Tenho muitas dúvidas, parece-me que a exigência da Troika fosse obrigar o estado a reduzir drásticamente a carga fiscal nas energias, teria um efeito directo no custo de produção e em todo o processo até chegar ao consumidor, com ganhos mais signicativos em termos operacionais. Beneficiaria não apenas as empresas exportadoras, assim como todos os consumidores, e seria uma forma de esbater o aumento do Iva. Estou convencido que é uma das grandes vantagens competitivas das empresas espanholas. Para isto, concordo com muita gente que afirma que o Estado deve deixar de ter interesses no sector não transaccionável.

    cumprimentos

  35. julio moreiraa 17 Set 2011 as 17:56

    Caro Pedro Pinheiro
    Não quero ser maçador. Mas, insisto, o acordo que se assinou com a troika, e num momento de grande dificuldade de tesouraria para o País, não o podemos olvidar, contemplou a baixa da Tsu. Foi a essa conclusão que chegaram e temos que ser pragmáticos. Não estavamos, nem estamos em condições de negociar. Porque não tinhamos liberdade para o fazer. Porque, no meu entendimento do que é um negócio, ele não é obrigatorio que seja feito. Só se tornará efectivo se tal fôr vantajoso para ambas as partes.
    Caro Pedro Pinheiro e que tinhamos nós para dar em troca? Sequer que capacidade para argumentar, trocando a baixa da TSU por outra qualquer medida?
    Temos que ser realistas e perceber a precaridade da situação e que nos deixamos chegar.
    Vitor Gaspar disse que deviamos ter negociado com a troika em 2009. Ora se o fizemos com dois anos de atraso apenas perdemos capacidade para negociar.
    Não quero ser fundamentalista, mas concordo com o PMP. Se estamos a ter sucesso nas exportações porque não, apenas nesta situação de dificuldade que se pretende transitória, facilitar a vida ao sector exportador e tomá-lo como fonte geradora de riqueza?
    Nós temos que crescer a nivel económico. Se já estamos bem nesse sector porque não aproveitar o momento, tornando-o ainda mais competitivo?
    Cumprimentos

  36. vbma 17 Set 2011 as 19:00

    Oiço vagamente referido que as regras da União Europeia consentem medidas especiais em caso de graves desequilíbrios da balança de pagamentos… mas nunca ouvi especificadas que medidas são permitidas e quais as que se mantêm interditas. Ora, este é um ponto e um direito de protecção que merece activação imediata junto das autoridades europeias pois não é suficiente evitar(=adiar) ruptura de pagamentos sem viabilizar a recuperação económica para conseguir o desendividamento.

  37. PEDRO PINHEIROa 18 Set 2011 as 10:46

    Caro Júlio Moreira

    Maçadores são os imbecis que querem soluções e nunca se esforçaram sequer para perceber os problemas.
    A medida do corte da carga fiscal nas energias, colocaria provavelmente o governo na emergência do emagrecimento do Estado tal como a diminuição da TSU. Na minha visão limitada parece-me que tinha mais impacto na promoção das exportações, sobretudo por que permitia reduzir os custos de produção, de transporte, aprovisionamento e toda uma logística enorme. Repare que na podução do que seja, ganharíamos em cada fase do processo. Por outro lado, ao incidirmos o iva sobre um valor de produção mais baixo os produtos ficariam na realidade mais baixos para o consumidor nacional. Outra vantagem, seria evitar hipotecar as futuras pensões ao iva,no fundo todos os consumidores a pagar as pensões e a cercear por este acréscimo no iva o poder de compra dos portugueses, alimentando a economia paralela.
    Não sei, mas parece-me que o esforço para emagrecer o Estado teria de ser maior e conseguiríamos mais uma etapa do Estado ao desvincular-se do sector energético, deixando e promovendo a concorrência. Penso que estas contrapartidas seriam bem aceites pela Troika se mostrassemos que tinha mais impacto não só para a redução da despesa( obrigaria a tal) mas sobretudo um incentivo sério ao almejado crescimento económico.
    Neste momento crítico seria bem vindo todas as possibilidades de o Estado incentivar as exportações penalizando as importações, daí que a baixa da Tsu, a redução ou eleminação da carga fiscal nas energias deviam ser direccionadas ao sector exportador. Se reparar nunca nas minhas palavras eu fui contra ao incentivo a este sector, pelo contrário.
    Não estou com a presunção que é a medida mais adequada, mas mostrar um ponto de vista que nos poderá ajudar a pensar alternativas sobretudo ao crescimento económico.
    Cumprimentos

  38. julio moreiraa 18 Set 2011 as 12:01

    Caro Pedro Pinheiro
    Grato pela sua observação.
    Meu caro eu apenas me limito a ser pragmatico e a ter em conta um “acordo” que assinamos e que, passamos o dia a ouvir o Governo a dizer que tem de ser cumprido.
    Apenas isso. E manifesto, neste nosso blogue, a minha estranheza pelo não cumprimento do acordado.
    Parece-me pertinente a questão que coloquei num dos meus ultimos posts.
    Se houve a preocupação, no que toca ao aumento de impostos, de ir além da troika, porque razão neste particular estamos aquém?
    Cheira-me a mais do mesmo. Só que já deviam ter percebido que não há volta a dar quando se assina um acordo deste tipo e que mais não reflecte que a situação de debilidade económica e financeira a que o País chegou.
    Meu caro até concordo com a sua visão, de muito maior impacto a nivel estrutural que a baixa da TSU.
    Mas se foi esta a escolhida, e não o foi por nenhum de nós, que seja seguida.
    Conhece seguramente a nossa ancestral táctica de, para que tudo fique na mesma, se crie o enésimo grupo de estudo.
    Só que agora os tempos são de acção. E cheira-me que é isso que pretende a troika.
    Cumprimentos

  39. C.E.M.a 21 Set 2011 as 0:04

    Afinal parece que governo e FMI tiveram juízo e não se meteram pelo perigoso caminho de aumentar o IVA para 25%. Vão mexer nas taxas mais baixas e assim esbate-se o risco do desvio do abastecimento maciço em Espanha (por deslocação directa ou por interposta pessoa).
    E eu tinha razão quando disse que nada garantia que esta “teoria” da desvalorização fiscal desse os resultados esperados. O que o FMI pretendia era fazer uma experiência (releve-se a declaração de Passos Coelho a 20/Set de que não permitiria que Portugal fosse transformado num laboratório). Para ver os resultados. Esta experiência já foi em 2010 ensaiada na Hungria (ainda não há resultados cientificamente utilizáveis), mas não pertence ao euro e tem moeda própria, pelo que é um laboratório diferente. O seu aumento do IVA não torna os produtos mais caros que os equivalentes nos países vizinhos, como aconteceria inevitavelmente com Portugal.
    Mas tudo isto é um erro porque o efeito da baixa da TSU no valor do produto final é ínfimo. Sugiro uma leitura de um economista fora da escola “Universidade Católica” no endereço seguinte:
    “http://www.eugeniorosa.com/Sites/eugeniorosa.com/Documentos/2011/36-2011-Reducao-TSU-aumetará-lucros-empresas-2.pdf”
    Pouco mais vamos vender em quantidade, por força desta desvalorização, mas arriscamo-nos é a arrecadar menos receita.

  40. julio moreiraa 21 Set 2011 as 9:42

    Meus caros
    Não vamos estar a matar a cabeça. Sequer estar a pensar em situações alternativas á baixa da TSU, ou, suprema da ousadia, antever o montante da sua redução.
    Perante a “entrevista” de ontem do Primeiro Ministro, o mesmo que apertou Socrates, durante o debate de campanha a propósito da baixa da TSU, eu percebi que o ideal mesmo era que tudo ficasse na mesma e não se falava mais nisso.
    Óbvio que existe essa “chatice” do acordo assinado mas, á boa maneira portuguesa de adiar para nada fazer, pode ser que eles sejam “flexiveis” e não se mostrem intransigentes nesse ponto. Até porque, descobrimos AGORA, iriamos ser cobaias. E a malta não gosta disso. Que diacho somos uma Nação multisecular e nenhum balão de ensaio.
    Não vamos perder as cenas dos proximos capitulos da novela “como mudar para que tudo fique na mesma”.
    Meu caro Roxo,em particular para si. Anda para aí uma pessoa indignada porque os politicos não devem ceder o lugar aos “homens dos números”.
    O grande esquecimento dessa tão ilustre quanto vetusta figura é que foi a maneira como exerceram a politica que nos conduziu a este estado de coisas.
    Essa maneira, meu caro Roxo, nada tem a ver com noção que tão bem nos transmitiu aqui há tempos, num dos seus deliciosos escritos, sobre o que é a Politica.
    Temos pena.
    Cumprimentos

  41. PMPa 21 Set 2011 as 16:50

    Fico espantado com o facto de existir tanta indiferença para o facto do investimento em imobilizado não pagar TSU , promovendo o aumento do desemprego.

    É perfeitamente possivel optar por reduzir a TSU gradualmente nos sectores dos transacionaveis à custa no corte da despesa e simplificação das funções burocráticas do estado.

  42. vbma 21 Set 2011 as 18:18

    Mas a ideia de reduzir a TSU segundo alguma proporção ao aumento de emprego é uma aritmética interessante, particularmente por equivaler a nada experimentar nesta matéria posto que não se prevê qualquer aumento de emprego nos próximos dois anos!

    De qualquer modo, o que ensina a teoria económica sobre as relações comerciais internacionais é que os desequilíbrios da balança de pagamentos carecem de estímulo de preços diferenciais para (des)favorecer as razões de troca entre países superavitários ou deficitários respectivamente. Ora isso, no quadro de uma moeda única, tem de fazer-se através de impostos diminuidos sobre os bens de vocação exportadora e de substituição de importações, e aumentados sobre os bens de maior componente importada.

    Para lá deste estímulo monetário – e por muito proibido que o seja na zona euro, ele é lógico e não censurável, – e que eu saiba ainda não há perda da soberania fiscal -, pode e deve apoiar-se alguma estratégia de longo prazo na economia real, delineando pelo menos as grandes linhas de um plano de fomento das indústrias mais convenientes ao país.

  43. julio moreiraa 22 Set 2011 as 8:17

    Perguntas de um pobre ignorante que sou.
    Mas não assinaram, e garanto que não fui eu, um documento onde estava contemplada a descida da TSU? E, descida acentuada como contraditou Passos Coelho, que também assinou o documento, em relação a Socrates?
    Não passam a vida a azucrinar os ouvidos ás pessoas a dizer que o acordo é para ser cumprido?
    Não repararam na altura da assinatura do acordo que estavam a ser COBAIAS, como de repente desatou a dizer toda a panoplia de entendidos?
    Agora até argumentam que os problemas das empresas são de tesouraria que não de natureza económica.
    Eu pobre ignorante não consigo ser tão taxativo. Problema meu seguramente.
    De modo que de TSU, para mim, já chega.
    Cumprimentos