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Set 20 2011

Finalmente Europa?

Publicado por Anunes a 8:31 em Artigos Gerais,Europa

Do meio da turbulência e do ruido dos mercados algo de novo parece emergir: E esse algo chama-se consciência Europeia.
Nunca as sociedades que integram este atribulado universo discutiram tanto, analisaram tanto, opinaram tanto, sobre os seus parceiros Europeus. Nunca no passado se deram a conhecer tão bem. Nunca antes se observaram e escrutinaram nus, desamparadamente expostos nas suas limitações culturais, históricas e económicas.
Jamais qualquer iniciativa da Comissão Europeia esteve tão perto de colocar a Europa em discussão aberta. Estes ultimos dois anos ultrapassam, de forma esmagadora, o débil, estéril e politizado debate sobre a Constituição Europeia de há alguns anos.
Não tenhamos dúvidas, se de tudo isto saír alguma Europa, ela será definitivamente mais forte e consciente da sua identidade.

11 comentários até agora

11 Comentários para “Finalmente Europa?”

  1. fvroxoa 20 Set 2011 as 9:09

    Porreiro Pá!!!
    Gostei e Concordo.
    Recuperando o saudoso Ernani Lopes: “a demografia é que nos mata (na Europa)!”
    FVRoxo

  2. julio moreiraa 20 Set 2011 as 9:33

    Caro Antunes.
    Absolutamente de acordo com a situação descrita.
    Tal mostra a fragilidade da construção europeia, as suas debilidades, que a situação que de há algum tempo a Europa atravessa
    coloca a nú.
    Se, uma vez tomada conscienc ia dessa fragilidade, partiremos para uma União mais forte e engolabadora, é o que veremos nos capitulos seguintes.
    Uma coisa parece ser consesual. Ou se reforça esta que existe ou a União Europeia, nos moldes em que foi concebida, desaparece. Uns ficarão outros sairão. Mas nada voltará a ser como antes.
    A propósito gostaria de verberar o discurso de Passos Coelho que nuns dias apela á solidariedade de todos os 27 e noutros tenta desesperadamente fazer passar a mensagem que “não somos como os gregos”. No que ficamos? E não seria preferivel ficarmos calados e, pela acção, mostrarmos que somos diferentes?
    Bem com esta história da Madeira e de outros “esqueletos” que eventualmente possam aparecer começamos a não ser tão diferentes quanto pensamos.
    Cumprimentos

  3. quelhas motaa 20 Set 2011 as 10:11

    Anunes

    Estou plenamente de acordo com o que diz. Para bem ou para mal – e, penso que será sempre para bem, independentemente do resultado, nomeadamente o que virá para nós – será sempre muito bom a «consciencialização» do estado da Europa, quer enquanto um todo como enquanto ponto de confluência de vários povos com culturas diferentes. A falta de referendos que até agora imperou na construção europeia, de algum modo forçando-a, de repente desembocou numa discussão universal e, até, «popular» referendável através de eleições nacionais – o que, não sendo bom sinal, é contudo a forma de se construir algo com alicerces.

  4. Jorge Bravoa 20 Set 2011 as 11:14

    Q: Finalmente Europa ?

    R: Insha’Allah !

  5. Jorge Bravoa 20 Set 2011 as 15:32

    Será que com mais um buraquinho de 200 Milhões nas contas da madeira se vai a algum lado.

    Como estão em Itália? Com aquele executivo será que não há buraquinhos

    Como estão em Espanha? Com tanta autonomia está mesmo tudo certo

    Como estão na França? A ver pelas trapalhadas do caso Loreall, será que está bem?

    Como estão na Alemanha? Com a integração da Alemanha de Leste que gerou um pequeno buraquinho de que não se fala, está mesmo tudo bem?

    Como está a Belgica? Com governo e parlamento a funcionar em 1/12, está mesmo tudo bem?

    E como está….

    Não quero ser desmancha prazeres, mas…

  6. julio moreiraa 20 Set 2011 as 16:25

    Meu caro Jorge Bravo
    Com as pertinentes perguntas que levanta, e cuja resposta está nas mesmas implicita, o caminho a seguir só pode ser o de reforço da União.
    Há muito isso deveria ter sido feito. E se tal tivesse acontecido talvez não estivessemos, nós e a Europa, na situação em que estamos.
    E digo nós porque, infelizmente, tem que vir gente de fora para que os esqueletos comecem a saltar dos armários. Bastou uma visita da troika aos Bancos e veja no que está a vir á tona.
    Quanto á Europa, querer ter uma moeda única sem que a isso tenha correspondido, ou corresponda, um organismo de Governo e controle monetário também únicos, é um grave falha. E o BCE não chega porque não tem poderes Governativos.
    Podem falar-me em perca da soberania nacional. Eu questiono. Há quanto tempo ela já desapareceu?
    Cumprimentos

  7. Jorge Bravoa 20 Set 2011 as 16:51

    Com uma moeda unica, há sempre perda de soberania, tentar passar entre os pingos da chuva desde 2008 é que é puro autismo.

    Se o objectivo era, como tudo leva a crer, tomar a condução dos designos europeus e ganhar na chancelaria o que se perdeu na guerra, então foi da mais pura inabilidade não ter posto logo de inicio da crise de 2008 a necessidade de Eurobondes e uma maior partilha de soberania.

    Depois foi só trapalha de quem não tem estofo para se meter onde meteu e acabar o que começou.

    Nos governos, como nas empresas, quando o passo é maior que a perna a espargata é garantida.

    Se formos gente de fé diremos: Deus nos livre desta gentinha.

    Se não, diremos como Delores: estão a dar cabo da minha Europa.

    E lá como cá, a unica coisa que se sente é o pungente grito do silêncio

  8. PMPa 20 Set 2011 as 22:22

    Bem alguns demoraram cerca de 1 ano a perceber que uma moeda única exige divida pública única, mas a maioria ainda não percebeu que é uma questão técnica e não politica.

    O BEI e o FEEF já emitem divida unica e o BCE está autorizado a fazê-lo.
    É só alargar o conceito e entretanto continuar com o BCE a comprar divida, que não é mais do que trocar titulos por moeda, não tem qualquer efeito inflactionista ao contrário do que as lendas dizem.

    Não é necessário uma reforma de fundo da U.E., alías nem há tempo para isso.
    É preciso é perceber o problema do EURO, da estupidez da sua concepção.

    É de rir a supresa dos economistas e analistas sobre o crescimento nulo na EuroZone, como se o PIB crescesse apenas porque gostariamos que isso acontecesse ao contrário de ser apenas uma simples contabilidade, um resultado do consumo, do investimento e do saldo externo.

  9. PMPa 21 Set 2011 as 17:56

    http://pragcap.com/a-fiscal-union-for-the-euro-some-lessons-from-history

    Lessons from the history of fiscal federalism

    Our survey of the evolution of the five federal states in our sample leads to the following conclusions:

    First, all the fiscal unions have evolved in close interaction with the political unions forming the ultimate basis for their fiscal cooperation. Federalism is not a static pattern, characterised by a precisely defined division of powers between governmental levels. It is a continuous process by which a number of separate political communities enter into arrangements for working out solutions and making joint decisions on common problems. Thus, each federation is an evolving entity shaped by economic and political events.

    In particular, fiscal policy arrangements are driven by exceptional events, often by deep economic crises. The most prominent example is the Great Depression of the 1930s which affected in a fundamental way the institutions of the five federal states. During and after the Great Depression, the American, Canadian, Argentine, and Brazilian federations underwent a process of centralisation. This centralisation made it easier for the federal governments to either introduce (as in the Canadian case) or extend (as in the US example) measures aiming at equalisation of incomes across regions. Such measures were part of the stabilisation process, since the regions which were more harmed by the recession received larger financial transfers. Thus in case of a major negative shock the federal state learned to implement measures to improve the conditions of the most harmed regions.

    History also suggests that the most appropriate way to finance interregional transfers in distressed times is by a national (union-wide) bond market. After the American War of Independence, Alexander Hamilton, the first Secretary of the Treasury, introduced a stabilisation plan to get the new Republic on its feet. The war had been largely financed by the issue of paper money and the resulting hyperinflation plus the default by the states on their debt left the new nation in a fiscal shambles. Hamilton consolidated the state and federal debt in a new national bond which was to be serviced by customs duties and excise taxes. The new bond issue was a success which allowed for the financing of future wars and secured tax revenue at the national level.

  10. Anunesa 22 Set 2011 as 8:55

    Oh FVRoxo
    Desde miúdo que vejo os filmes de terror com tendência para o encolhido e os cabelos em pé.
    Essa do “porreiro pá” até me deu um arrepio na espinha, livra!

  11. rui fonsecaa 24 Set 2011 as 20:33

    “Não tenhamos dúvidas, se de tudo isto saír alguma Europa, ela será definitivamente mais forte e consciente da sua identidade.”

    Aquele se é que lhe defende a tese.
    Porque da consciencialização dos obstáculos nem sempre resulta a capacidade para os ultrapassar.

    Houve muitos erros e há muitos culpados. Pelos erros pagaremos todos quantos não puderem esquivar-se aos ónus que eles impõem. Quantos aos culpados, se houver processos, prescreverão com o tempo. Os que comeram, comeram e não vão ser obrigados a regurgitar.
    Nos que forem chamados a pagar inculcar-se-á um sentimento de revolta que pode desmoronar a Europa.

    Os bancos, por ganância, emprestaram mais do que a razoabilidade do risco envolvido consentia. A reestruturação ordenada das dívidas soberanas (a única via possível que se perfila para evitar o desmoronamento do edifício europeu) far-se-á, se chegar a fazer-se, contra a apresentação da factura aos contribuintes.

    Mas é uma factura demasiado pesada para ser digerida sem ressentimentos.
    Uma união que resultar de uma inevitabilidade transitória será sempre uma união precária e esse, se for o caso, será o pior destino que espera pelos europeus.

    Sem um governo federal mínimo a Europa desintegrar-se-á em consequência deste rombo que lhe abriu profundamente o casco e não se safa com baldes para expulsar a inundação que a está a afundar.