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Set 29 2011

UMA EUROPA SEM FUTURO? III

1. Para além da problemática orçamental, a Europa tem de repensar o seu crescimento. Tem de abandonar o actual modelo que é responsável por grande parte do sobreendividamento da maioria dos países europeus, o qual privilegiou o investimento em infra-estruturas em detrimento da inovação nas áreas agrícolas, ambiental e energias limpas. Por outro lado a política de subsidiação de alguns produtos agrícolas imobilizou, durante demasiado tempo, grande parte dos recursos do Orçamento Europeu, sempre em benefício dos mesmos, impondo fortes entraves à modernização e competitividade do sector agrícola. Num tempo em que se consignam, sem estratégia, centenas de milhares de milhões para salvar o sistema financeiro europeu, é de igual modo necessário e vital aportar novos recursos para outros sectores que transformem a economia europeia num espaço mais sustentável e com futuro, onde “as fibras ecológicas e biológicas”1 sejam mais respeitadas.
Convém frisar que o apoio ao sistema financeiro é indispensável e a Europa devia ter acompanhado a solução americana. Mas a diferença é assinalável não só no modelo como principalmente na rapidez de actuação. Na Europa ainda está quase tudo por fazer…Por outro lado a grande maioria dos bancos europeus está cativa da dívida soberana de países como a Itália, Espanha, Irlanda e Grécia. Este facto implica que para se resolver o problema da viabilidade e sustentabilidade dos bancos se tenha de arranjar rapidamente uma solução para a dívida soberana europeia, sejam eles os eurobonds de tanta má fama (para alguns) ou outros instrumentos financeiros de longo prazo. A recente intervenção de Soros numa sessão do F.M.I. sobre os eurobonds cobre de ridículo os principais responsáveis pela actual situação europeia.
Para implementação de uma solução de longo prazo para o sistema financeiro terá de recorrer-se a receitas do próprio sistema, criando taxas sobre determinadas operações.
2. Com uma envolvente externa desta dimensão e indefinição, a resolução dos nossos problemas atinge um elevado grau de dificuldade, problemas esses que só podem ser superados num clima de pragmatismo e de bom senso.
Temos como primeira acção: renegociar. Não a dívida nem os objectivos definidos no acordo da Troika mas determinados pressupostos aceites numa “negociação” em clima de “estado de necessidade” que nos conduzirão “a um circulo vicioso de elevada dívida e austeridade”2 que nos impedirá qualquer tipo de crescimento.
O nosso processo de ajustamento, defendo-o há muito 3, deverá ser feito num período mais longo. Repito, não está em questão a redução dos nossos défices, mas o ritmo desse processo.
O longo período de excessiva alavancagem permitido pelas instituições europeias e por uma supervisão laxista não pode ser corrigido em pouco mais de 2 anos. Para que hajam condições para que a nossa banca financie os investimentos do nosso sector produtivo, terá de ser negociada a irrealista e suicida medida que obriga os bancos em ajustar o rácio de crédito/depósitos (para 120) em pouco mais de um ano. Esta e outras medidas que foram aceites na negociação de Maio/Junho têm de ser renegociadas. Não há que ter medo das palavras. Renegociar faz-se em todo o mundo quando as circunstâncias exigem. É uma atitude de inteligência. O contrário é de um autismo de elevada perigosidade.

22 comentários até agora

22 Comentários para “UMA EUROPA SEM FUTURO? III”

  1. Pedro S.a 29 Set 2011 as 22:02

    E que tal fazer o que Cavaco diz: imprimir moeda! Há alguém na Europa preocupado com a inflação?

  2. PMPa 29 Set 2011 as 22:03

    Concordo .

    Acrescentaria que a fixação puritana e purificadora na austeridade e nos juros altos é colocar a economia ao serviço de uma ideologia que é contrária aquela que se iniciou em 1946 e que levou a Europa e o Ocidente em geral ao maior desenvolvimento economico e social da historia da humanidade.

  3. quelhas motaa 30 Set 2011 as 7:36

    Parecendo ser a moeda uma «ficção» nem entendo porque se fala em Crise! Agora, que em tempo de Crise, a Banca goste que se encare a moeda como moeda-ficção, não tenho dúvidas, afinal uma ficção de uma ficção sempre ajuda a transferir as suas más decisões para os contribuintes enquanto se arruma a casa com algo bem mais sólido que uma moeda-ficção.
    Parece que a Noruega não acredita muito nessa de moeda-ficção – também talvez nem seja grande exemplo. Há cerca de dois anos que os Noruegueses estão por todo o mundo a comparar imóveis nas cidades mais importantes, passando a expor menos o seu Fundo-de-petróleo ao risco da moeda. parece que também não acreditam muito na moeda-ficção (e hoje talvez pensem se terá sido bom tirar tanto petróleo do fundo do mar ou se só o devem fazer à medida das suas necessidades – afinal, o petróleo é uma moeda não-ficção, talvez até melhor que os imóveis que andam a comparar).

  4. PMPa 30 Set 2011 as 8:24

    QM,
    Como os governos e os economistas insistem na parvoice de encarar o dinheiro como uma “coisa” fisica em vez de ser um simples registo contabilistico as crises acabam por se tornar reais e bem reais, até porque se mistura o crédito bancário com a moeda-estado, quando são registos bem diferentes.
    A teimosia é irritante, basta ver o downgrade dos EUA pelo S&P que teve o resultado oposto : os juros baixaram e o dolar subiu um pouco, comprovando que os sistemas monetários modernos são fechados.
    Veja que até a Islândia conseguiu manter a sua moeda própria e reabilitar a sua economia, apesar de ser um estado minusculo, e isto apesar da crise financeira. Que grande lição para Portugal !
    A Noruega está presa ao seculo XIX e em vez de consumir apenas o petroleo que necessita está a gastar o máximo que pode e depois compra activos de utilidade futura duvidosa por esse mundo fora.
    O mesmo se passou no R.Unido que vendeu a grande parte do seu petroleo nas decadas de 80 e 90 à pressa, a preços baixos.

  5. julio moreiraa 30 Set 2011 as 9:09

    Carlos Oliveira Cruz
    Absolutamente de acordo com a necessidade de renegociar e dilatar os prazos para que possamos gerar recursos que nos permitam crescer e solver as nossas responsabilidades.
    Mas, atenção, nós temos que fazer, antes de tudo, o trabalho de casa.
    Por uma vez temos que deitar para trás das costas o laxismo, a falta de rigor, a falta de programação estrategica a nivel económico.
    E a Justiça, a Educação e a Saúde têm que melhorar e, gastando menos, assegurar melhor trabalho.
    É dificil? Admito que sim. E o quadro em que as pessoas e as empresas estão obrigadas a enfrentar, também, não é ele, dificil?
    Porque se fizermos o trabalho de casa, então temos autoridade para negociar a renegociação, passe a redundancia.
    De outra forma acho impossivel.
    Cumprimentos

  6. Carlos Oliveira Cruza 30 Set 2011 as 10:24

    Por dificuldades de comunicação, não foram publicadas, neste texto, as seguintes referencias:
    1. In “O Crepúsculo da economia mágica” de Viriato Soromenho Marques
    2. In a crise da imaginação orçamental” de Dani Rodrick
    3. Ver “ Uma Europa sem futuro I” no blog SEDES

  7. Carlos Jorge Morais Louresa 30 Set 2011 as 10:24

    Senhor Carlos Oliveira Cruz

    Excelente artigo. Os comentários acompanham a qualidade do texto principal.
    Como Engenheiro Técnico Electrotécnico formado há 27 anos só posso agradecer a possibilidade de ler estes documentos.

    O meu comentário ao artigo é:

    1º Colocar os mais competentes nos lugares de chefia na administração pública, como por exemplo: escolher o melhor jardineiro para chefe do serviço dos jardineiros, pelas suas competências técnicas, valores humanos e princípios de educação e não pela sua cor partidária ou por outros motivos que não sejam os superiores interesses de Portugal; depois é aplicar o mesmo algoritmo por aí acima;

    2º Como pressuposto do ponto 1º retirar todos os incompetentes dos lugares de chefia; caso seja uma medida dura, e para quem justificar dar uma oportunidade a esses cavalheiros de estudar mais e mostrarem as suas capacidades. Mas eu duvido disto.

    3º Trabalharmos todos mais;

    4º Levar a tribunal e condenar os responsáveis pelos escândalos de roubo dos dinheiros públicos nos últimos dez ou mais anos;

    5º Com a excepção do dia de Natal suspender por um ano todos os feriados nacionais; o Natal para os católicos e os outros dias santos para as restantes religiões. País que não paga o que deve não honra a si mesmo. E o país somos todos;

    6º Apostar verdadeiramente tudo na Educação da nossa população; noto que a Educação não é só formar Engenheiros, Médicos, Enfermeiros etc . Mas antes de se atingir este patamar solicitar aos “ Mestres da Vida “ que ensinem desde o pré-escolar até ao último ano do ensino superior os seguintes valores: respeito, carácter, honestidade, dedicação, idoneidade, competência técnica e humana, coragem, isenção, defender os superiores interesses de Portugal entre muitos outros;

    7º Haveria mais alguns pontos a considerar mas apenas apresento um:
    Como Edmund Burke ensinou: que os ” bons ” de Portugal não cruzem os braços e assim será mais fácil vencer o mal.

    Para tudo isto são precisos dois condimentos: Força de Vontade e Coragem dos “bons” com capacidade para se passar à fase do “ fazer “.

    Jorge Luís Borges escreveu um livro intitulado “ Os Fazedores “ . É isto que Portugal precisa, dos “ Bons Fazedores “ começarem a “ fazer “.

    Ou então seguir os ensinamentos de uns dos maiores escritores do mundo, na minha opinião claro está, Eça de Queiroz.

    Obrigado e Bem Hajam todos

    Carlos Jorge Morais Loures

    Aluno Externo do Mestrado de Energia no ISEP

    Ex-aluno do IMPE

  8. PMPa 01 Out 2011 as 14:18

    Concordo com o Carlos Jorge Morais Loures.

    Um dos grandes desafios de uma sociedade é encontrar os mecanismos para colocar os mais competentes nos lugares de chefia do estado, quer nos lugares politicos que na Adm. Publica quer nas Empresas Publicas.

  9. PMPa 02 Out 2011 as 11:32

    “To return, however, to the specific problem of preventing what I have called the secondary depression caused by the deflation which a crisis is likely to induce. Although it is clear that such a deflation, which does no good and only harm, ought to be prevented, it is not easy to see how this can be done without producing further misdirections of labour. In general it is probably true to say that an equilibrium position will be most effectively approached if consumers’ demand is prevented from falling substantially by providing employment through public works at relatively low wages so that workers will wish to move as soon as they can to other and better paid occupations, and not by directly stimulating particular kinds of investment or similar kinds of public expenditure which will draw labour into jobs they will expect to be permanent but which must cease as the source of the expenditure dries up.” (Hayek 1978: 210–212). “

  10. PMPa 03 Out 2011 as 10:58

    http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=509297

    O governador do Banco Central de França, Christian Noyer, disse hoje num discurso em Tóquio que está “aberto” a uma alavancagem financeira do fundo de resgate europeu.
    Christian Noyer repetiu hoje que está “aberto” à ideia de se recorrer ao endividamento para aumentar a capacidade de actuação do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), de modo a tornar mais robustas as defesas do euro, reduzindo os riscos de contágio da crise da dívida soberana.

    “Seria irrealista esperar um aumento do próprio FEEF”.
    “Mas pessoalmente estou aberto a qualquer esquema que permita a existência de compromissos para alavancar o fundo e proporcionar-lhe uma maior capacidade de intervenção”, disse num discurso em Tóquio, citado pela Bloomberg.

  11. PMPa 03 Out 2011 as 13:53

    http://www.pimco.com/EN/Insights/Pages/SixPackin.aspx

    •Long-term profits cannot ultimately grow unless they are partnered with near equal benefits for labor.

  12. julio moreiraa 03 Out 2011 as 15:02

    Caro PMP
    Mantenho a ideia que os responsaveis europeus tudo farão para não deixar caír ninguém. Pelo efeito dominó, pelo deteorar de uma imagem que foi construída.
    Agora o que se poderá perguntar é se a imagem teve algum fundo de sustentação, traduzido, por exemplo na criação de um “Governo europeu” com efectiva determinação das politicas Económicas e Financeiras dos varios estados membros. E uma rigorosa fiscalização das contas de cada um, devidamente acompanhadas por orgãos europeus de supervisão.
    Porque não faz sentido ter uma moeda única se não tivermos uma politica unica.
    Não se infira daqui que sou a favor dessa moeda única. Apenas estou a dizer que se devia ter feito, e não se fez, um aprofundamento a nivel Institucional da CE.
    Repare, que influencia e utilidade tem tido, no tornear desta crise, o Parlamento Europeu, para além de ser um enorme sorvedouro de dinheiros comunitários?
    Agora, e mais uma vez, lembro que nada do que acima escrevo nos iliba de fazermos o nosso trabalho de casa.
    Cumprimentos

  13. PMPa 03 Out 2011 as 16:47

    Caro JM,
    A questão que se põe é :
    Já que fez a asneira de criar esta pseudo-moeda única que está a destruir a Zona Euro é urgente remediar a asneira, antes que a crise atinja proporções incontroláveis. E para isso é preciso intervir no mercado de divida publica em larga escala.
    Mais do que o Parlamento Europeu, para que serve a mega-cara estrutura que é o BCE e as delegações de cada país , os bancos Centrais nacionais que demonstraram várias vezes a sua incompetência.

    Por outro lado é preciso desmistificar de uma vez que o que os governos controlam mai sou menos é o nivel da despesa publica , não o deficit, porque este depende das receitas fiscais e das despesas sociais que aumentam numa recessão. É por isso que não funciona uma politica austeritária por si só .

  14. PMPa 03 Out 2011 as 16:57

    http://www.spectator.co.uk/coffeehouse/7283463/full-text-of-osbornes-conference-speech.thtml

    “But because banks are damaged they won’t lend at the current low rates.

    It’s like putting your foot on the accelerator but because the transmission mechanism isn’t working properly, the car wheels don’t respond.

    So this is the second part of our plan.

    We’ve got to get credit flowing in our economy.

    Credit means investment. Investment means jobs.

    We’re making sure that British banks are strong enough, holding enough capital to cover loans in an emergency.

    We’ve expanded loan guarantees.

    We’ve struck a deal with the big high street lenders to increase lending to small businesses by 15 per cent this year.

    But all this may not be enough.

    Of course the Bank of England have their own independent judgement to make on quantitative easing.

    I’ve said many times before I will follow the procedures of my predecessor and give Treasury approval if they ask.

    But there is more the Government itself can do to get credit flowing and encourage investment.

    David Cameron and I have always said we would be fiscal conservatives and monetary activists.

    Everyone knows Britain’s small firms are struggling to get credit and banks are weak.

    So as part of my determination to get the economy moving I have set the Treasury to work on ways to inject money directly into parts of the economy that need it such as small businesses.

    It’s known as credit easing.

    It’s another form of monetary activism.

    It’s similar to the National Loan Guarantee Scheme we talked about in opposition.

    It could help prevent another credit crunch; provide a real boost to British business;

    and over time help solve that age old problem in Britain: not enough long term investment in small business and enterprise.

    And if this party is anything, it is the party of small business and enterprise”

  15. julio moreiraa 03 Out 2011 as 17:13

    Caro PMP
    Mas nós sabemos que só há Estado Social se houver Economia saudável que o sustente.
    De contrario sucede o que aconteceu em Portugal que foi ter-se criado um Estado Social gerador de aumento de Deficit porque tinhamos e temos uma anémica economia.
    Infelizmente criámos um Estado Social que não conseguimos suportar.
    Repare eu não digo, nem pouco mais ou menos, que os Portugueses não devam ter um Estado Social que lhes proporcione até maior qualidade de vida que a que temos.
    Mas o que não podiamos nem podemos esquecer é que os meios financeiros para tal têm que provir do tecido economico produtivo.
    De contrario continuamos a fazer a casa pelo telhado.
    E um dia a casa vai abaixo. Se é que já não foi.

  16. PMPa 03 Out 2011 as 17:30

    Caro JM,
    Se ler o discurso do Primeiro-Ministro Conservador do R.Unido verifica que ele põe mais enfâse nas politicas para o crescimento económico e criação de emprego do que na austeridade.
    Em Portugal temos um PS que gasta dinheiro em despesa pública inutil e um PSD que não tem politicas económicas.
    Vamos fazer um movimento para pagar um bilhete de avião ao Passos Coelho para ele ir aprender com o o Osborne.
    O nosso Estado Social é fraco e suportável, o que não é suportável é o aparelho de estado inutil, que é anti-social.
    Vamos reduzir o Estado Anti-Social em primeiro lugar e ajudar as empresas a produzir, essa é que é a ordem correcta.

  17. julio moreiraa 03 Out 2011 as 17:58

    Caro PMP
    Exacatamente como conclui. Aqui a ordem dos factores não é arbitrária.
    Primeiro produz, depois distribui.

  18. PMPa 05 Out 2011 as 21:25

    OS RICOS COMEÇAM A LEVANTAR-SE CONTRA OS PURITANOS :

    http://ftalphaville.ft.com/blog/2011/10/05/693506/

    Presenting French fund manager Edouard Carmignac’s valedicton to European Central Bank president Jean-Claude Trichet, in full:

    Dear Sir,

    Farewell, you certainly won’t be missed! During your career you will have dealt a fatal blow to the French industry with your strong franc policy in the 90s, deepened the impact of the 2008 crisis by underestimating its scale and, more recently, endangered the euro with ill-considered rate hikes and clearly inadequate support for the debt of weakened European countries.
    …..

  19. julio moreiraa 06 Out 2011 as 11:45

    Caro PMP
    Obviamente que a crise porque passamos não é apenas Portuguesa.
    Já por diversas vezes aqui sublinhei, contudo, que isso de modo algum alivia as nossas responsabilidade e nos deve fazer esquecer o documento que assinamos e as obrigações que assumimos.
    E, neste particular, gostaria de sublinhar a urgente importancia que deve ser dada á concessão de ajudas ao sector exportador de bens transaccionáveis.. Carecemos, acima de tudo, de crescer, sem o que não conseguimos saír do buraco em que estamos metidos.
    Posto isto considero-me á vontade para criticar a politica de Trichet no que á sua obstinada luta pela manutenção de um euro forte diz respeito.
    Enquanto do outro lado do Atlantico se optava por uma sistemática desvalorização do dolar, nós aqui optamos pelo contrario, invocando o perigo da inflacção.
    Deu no que deu. Também , deve sublinhar-se, a meu ver pela ausencia de uma liderança europeia forte a nivel politico.
    Ausencia essa que urgentemente deve ser colmatada.
    Sob pena de ouvirmos e lermos ás 2as., 4as. e 6as. que a Grécia vai cair, e nos restantes dias que tudo vai ser feito para a manter no zona Euro.
    Ora isto é insustentável.
    Quanto a mim o caminho da Federação Europeia há muito devia ter sido trilhado.
    Ou então não tinham criado uma moeda única.
    Uma coisa sem a outra é que, na minha opnião, não faz sentido.
    Cumprimentos

  20. PMPa 06 Out 2011 as 15:55

    Caro JM,
    Concordo consigo.
    O problema é conseguir construir em Portugal um consenso sobre como pode o estado ajudar a economia a crescer, independentemente do que for decidido a nivel da U.E.
    Eu diria que nas elites temos uma divisão forte entre os defensores do laissez-faire ou uma intervenção minima. e os que defendem uam intervenção mais forte ao nivel do apoio aos sectores transacionavais, quer para o aumento das exportações quer para a substituição de importações.
    Mas este problema nem sequer consegue ser discutido porque vem logo a questão do corte na despesa publica.
    Ora em termos teóricos são duas questões muito diferentes e até opostas.
    é urgente discutir o tema do crescimento económico por si só, em termos do que podemos fazer nós em Portugal.

  21. julio moreiraa 06 Out 2011 as 16:51

    Meu caro PMP
    Quando eu escrevo que temos que fazer o nosso trabalho de casa passa exactamente por conseguirmos crescer económicamente dentro do quadro restritivo de austeridade que nos foi imposto pelo resgate que solicitamos.
    Ou, no minimo, reduzirmos o quadro recessivo em que vivemos e que se irá acentuar segundo os dados que nos vão fornecendo.
    PMP é evidente que haverá sempre grupos que estarão contra, ou não soubessemos nós que estando uns a perder estarão outros a ganhar. Mesmo no quadro de crise que atravessamos.
    Se o Governo fôr forte, capaz de estabelecer prioridades e seguir o seu rumo, que certamente que não será muito diferente daquilo que vamos escrevendo e diariamente lemos e ouvimos, seguramente que haverá margem para apoiar os sectores exportadores que funcionarão como motor. É só aproveitar o que de bom já conseguimos fazer e potenciar isso.
    É tudo uma questão de fazer prevalecer a vontade de mudança.

  22. BonnerLorene20a 06 Out 2011 as 23:10

    I propose not to wait until you earn big sum of cash to order different goods! You can just take the credit loans or car loan and feel yourself free