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Out 07 2011

Deixem-me rir!

Publicado por Anunes a 8:24 em Artigos Gerais,Economia,Europa

De acordo com a Moody’s, os politicos Europeus e o BCE, a Banca Portuguesa parece sofrer de três maleitas:
1) Pode ficar descapitalizada devido aos “toxic assets” que tem em carteira, leia-se, aos investimentos que em mau tempo fez em Dividas soberanas Europeias (já agora, à época todas classificadas pela Moody’s como ratings AA ou superior);
2) Devido à imagem de risco resultante dessa situação, a Banca Portuguesa não tem quem lhe empreste dinheiro nos mercados, enfrentando assim graves problemas de liquidez;
3) Devido à recessão que a brutal correcção orçamental nos obriga a enfrentar, espera-se uma deterioração da carteira de activos da Banca (leia-se, aumento dos creditos mal parados).
Uma vez identificado o problema, parece fácil a solução, também em três pontos:
1) Acabar com a crise da Divida soberana, ou seja, emissão de obrigações Europeias;
2) Acabar com os receios dos mercados em relação às questões de liquidez da Banca, ou seja alterar as regras de funcionamento do BCE e permitir-lhe abertamente intervir massivamente da mesma forma que Federal Reserve e Banco de Inglaterra andam a fazer há quatro anos, desde o inicio da crise;
3) Permitir a Portugal um ajustamento fiscal mais prolongado e sustentado no tempo, abrindo margem para alguma recuperação económica.
Claro que é isto que se está a fazer.
Ou não?
Esperem, parece que afinal a solução é … aumentar em 1% o rácio de capital dos Bancos.
Parece que, com isso, os perspicazes mercados vão recomeçar àvidamente a comprar Divida soberana, ao mesmo tempo será um atropelo para voltar a emprestar dinheiro aos Bancos e a economia, irreversivelmente excitada com tanta avidez, vai crescer, e crescer, e crescer.
Deixem-me rir!…

24 comentários até agora

24 Comentários para “Deixem-me rir!”

  1. fvroxoa 07 Out 2011 as 8:47

    Caro ANunes
    Há risos que só o humor inglês consegue aguentar e mais tarde reproduzir em séries televisivas:
    World facing worst financial crisis in history, Bank of England Governor says
    http://www.telegraph.co.uk/finance/financialcrisis/8812260/World-facing-worst-financial-crisis-in-history-Bank-of-England-Governor-says.html
    Por cá,europortugalmente falando, continuamos a não ler o post de Krugman “How Did Economists Get It So Wrong?”
    http://www.nytimes.com/2009/09/06/magazine/06Economic-t.html?ref=paulkrugman
    E parece que temos de ir até Frankfurt acampar tambem com Krugman debaixo do braço “Confronting the Malefactors”
    http://www.nytimes.com/2011/10/07/opinion/krugman-confronting-the-malefactors.html?_r=1&partner=rssnyt&emc=rss
    Estamos perante uma grande risada Ocidental com lágrimas de crocodilo?
    FVRoxo

  2. quelhas motaa 07 Out 2011 as 8:57

    Anunes
    Apesar do «esforço» que tenho feito, não consegui até agora encontrar solidez lógico-conceptual e empírica para crer que a dívida soberana deva (e possa) ser «evaporada» – sem deixar rasto, como se de um milagre se tratasse. O exemplo dos EUA não me convence, e a crise do sub-prime constitui exemplo; aliás, por todo o lado a palavra de ordem é: diminuir despesas públicas e, consequentemente, equilibrar Orçamentos públicos.
    Apesar de tudo, estou de acordo consigo quando diz que Portugal, como aliás outros países cujas economias também andaram a reboque das «barbáries» soberanas – evidentemente, dos «eleitos» -, precisa de margem para o crescimento económico – afinal: margem para vir a «poder pagar»!
    Contudo, e ainda que «acredite» neste Governo e na unidade política-e-social que em torno dele se tem estabelecido, parece-me que ainda não foi feito muito para «dês-aprisionar» a sociedade-civil (e a sua função económica) da omnipresença e omnipotência do Estado-empreendedor (cujo resultado se conhece).

  3. PMPa 07 Out 2011 as 14:51

    Anunes,

    Completamente de acordo.
    É de partir a rir este tipo de racionio que os puritanos pseudo-liberais fazem.
    será por ignorância ou é mesmo vontade de destruir a economia da Zona Euroa, num fogo purificador ?

    QM,

    Você continua a pensar que o dinheiro e a divida publica são duas coisas completamente distintas, mas isso é um erro crasso.
    A divida publica é apenas moeda que paga juros.
    A politica de austeridade á escala de uma zona monetária só pode ter um resultado : recessão, desemprego, mais austeridade, mais desemprego .
    Qual é a dúvida afinal ?

  4. julio moreiraa 07 Out 2011 as 15:03

    Antunes
    Certamente por distracção minha ignoro de onde veio essa medida que aponta na parte final do seu comentario, ou seja o de aumentar em 1% o racio de capital dos Bancos.
    Se tivesse a gentileza de me referir a proveniencia ficava-lhe grato.
    É

  5. julio moreiraa 07 Out 2011 as 15:04

    Antunes
    Peço desculpa pela abrupta interrupção.
    É que gostava de opinar mas, na verdade, desconheço esse facto que refere.
    Cumprimentos

  6. julio moreiraa 07 Out 2011 as 15:06

    Antunes
    Certamente por distracção minha ignoro de onde veio essa medida que aponta na parte final do seu comentario, ou seja o de aumentar em 1% o racio de capital dos Bancos.
    Se tivesse a gentileza de me referir a proveniencia ficava-lhe grato.
    É que gostava de comentar.
    Cumprimentos

  7. Carlos Jorge Morais Louresa 07 Out 2011 as 15:17

    Excelente artigo e bem comentado.

    Carlos Loures

  8. quelhas motaa 07 Out 2011 as 16:12

    PMP
    Obrigado pela sua atenção.
    De facto, eu não considero dinheiro e divida pública como distintos. Eu penso que a nossa divergência – um não entendimento conceptual – está em que eu não considero que dinheiro e dívida pública sejam, um e outro, «ficções» – ainda que se «traduzam» em papeis ou, apenas, em números num Balanço (neste caso, num Orçamento de Estado). A sua tese é defendida por muitos economistas, e nos próprios EUA há um movimento de re-definição do conceito de «dinheiro», pelo menos da forma como ele é tradicionalmente tratado pelo sector financeiro, e que inclusive coloca em causa o próprio FED, ainda que muito «liberal» à emissão de mais-e-mais moeda.
    De igual modo, não concordo inteiramente consigo quando afirma que a política-de-austeridade só traga «desgraça». Se nós estamos no «buraco» em que estamos, isso deveu-se precisamente há inexistência de uma política-de-austeridade – de uma tão «não política-de-austeridade» que até parece que o próprio desvario (e corrupção) passou a ser parte dessa «não política-de-austeridade».
    Ou seja, a tentativa de mudar comportamentos, nomeadamente de mudar a estrutura económica do País – ainda que em realização (!) por força de uma política-de-austeridade imposta do exterior -, teria necessariamente de provocar recessão e desemprego, a não ser que quiséssemos que tudo ficasse a funcionar como «antes». A mudança – o que significa a falência do «mau» e o surgimento do «bom» ou do «menos mau» – exige um período de transição para que os efeitos dos que «falirem» seja compensado pelos efeitos dos novos que «surgirem».
    O meu receio é que se esteja a fazer muito pouco para que os que tenham de falir desapareçam rapidamente do mercado e os que tenham de surgir apareçam o mais rapidamente possível – prolongando-se assim a recessão e o desemprego. Bem…, o meu receio é bem pior: é que se «sustentem» os falidos e, com isso, se preserve a «velha» cultura político-económica, a que gerou este imenso buraco – económico, social e, possivelmente, cultural -, cujos nefastos efeitos sobre o País e os portugueses está longe de poder ser avaliada.

  9. Jorge Bravoa 07 Out 2011 as 16:29

    Desculpem!
    Mas será só impressão minha, ou os raciocínios dos políticos e decisores europeus da área económica e financeira, já está totalmente esquizofrénica e autista?
    Ao ponto de merecer internamento compulsivo?!

  10. PMPa 07 Out 2011 as 17:38

    QM,

    Numa zona monetária completa (Zona Euro ou EUA ou R.Unido ou Jpão ou quase todos os países do mundo ), a austeridade ou seja o corte da despesa pública e/ou aumento de impostos em toda a zona monetária leva forçosamente à recessão económica e ao aumento do desemprego quando o sector privado e as exportações estão estagnadas, isso é um facto contabilistico sem possibilidade de contestação.
    A zona Euro ainda por cima é exportadora e o resto do mundo não vai absorver mais exportações.

    Em termos de Portugal, só a austeridade não resolve o problema porque o PIB desce o desemprego sobe e os rácios de divida detioram-se.
    verifica-se até que as agencias de rating e o mercado de capitais em geral está a dar mais importância ao crescimento do que ao facto do deficit ser de 5% ou 6%.

    Sobre o dinheiro, é inacreditável que economistas profissionais insistam em que o dinheiro não é moeda-estado ou seja que a origem do dinheiro não parte do pagamento da despesa publica e que a emissão de divida publica não seja mais do que um mecanismo para fixar uma escala de taxas de juros ao longo dos vários prazos e que o papel dos bancos centrais não seja o de fazer o “fine-tuning” das taxas de juros por compra e venda de titulos de divida publica para atingir taxas de juro pre-determinadas.
    Pense que os estado poderiam emitir por exemplo só divida a três meses ou menos , ou a 1 mês, ou a 1 semana, ou a 1 dia (moeda ).

  11. quelhas motaa 07 Out 2011 as 19:41

    PMP
    Eu não tenho dúvida alguma no que disse.
    Quanto ao dinheiro, a minha dúvida – que não tem a ver com o que disse – é que «a solução» – da dívida ou do desenvolvimento económico ou etc. – esteja numa emissão «infinita» de moeda, apenas controlada pela taxa de juro. De certo modo, é isso que os EUA tem vindo a fazer – e que, insisto, deu origem ao sub-prime; contudo, os EUA, por detrás dessa política – a da sua moeda -, possuem a economia mais poderosa do planeta, com taxas de produtividade cerca de 20% superiores à alemão, possuem a ciência e a tecnologia mais desenvolvida do planeta e, mesmo, a mais florescente expansão cultural de «hoje». De algum modo a «realidade americana» é diferente, profundamente diferente da europeia, mais ainda da portuguesa; o seu liberalismo cultural, com a sua forte capacidade-de-reacção, envolvendo 400 milhões de habitantes – e não apenas «um» Estado -, constitui uma poderosa ferramenta para corrigir Erros.
    É, pois, dos Erros susceptíveis de serem cometidos por uma emissão monetário infinda que eu tenho medo – quais as suas consequências em sociedades e economias já por si tão desastradas?
    As economias têm de poder-arrefecer, para corrigir Erros – a economia soviética, como nunca pôde corrigir, estoirou – e, assim, deixar surgir o «Novo», o mais eficaz e produtivo, o mais «moderno». Isso é benigno e não maligno; o Erro (a falência na economia) é uma necessidade para que surja a própria possibilidade do Novo. Estar continuamente a aquecer a economia – em geral, para se ganhar eleições – e, em geral, para fazer «mais do mesmo», pode vir-se a revelar a prazo um erro fenomenal. Foi isso que se fez em Portugal, aliás foi isso que fez o Estado português, já que a sociedade civil, não tendo voz na economia (e, mesmo na cultura ou na participação cívica, já que mesmo para isso tem de ser subsidiada pelo Estado), acabou por seguir naturalmente a alavancagem económica-e-financeira definida pelo Estado (auto-estradas, eólicas e fotovoltaico, novas construções escolares, bem…, etc. – até já cansa!).
    Só a austeridade não resolve o problema – estou inteiramente de acordo.

  12. PEDRO PINHEIROa 07 Out 2011 as 22:57

    Caro Quelhas da Mota
    Estou de acordo com o que afirma, acrescento um dado factual, “nos Estados Unidos, os serviços financeiros, incluindo a dívida e a industria do crédito duplicaram, contribuindo para o PIB americano em cerca de 20%, quando a industria transformadora desceu até aos 13 %, criando -se assim graves riscos para a economia.” Kevin Philips, “Dinheiro Tóxico”.
    É óbvio que não basta emitir dívida, sobretudo quando existe um desfasamento no balanceamento entre quem produz e quem financia. Esse é o problema de emitir-se os eurobonds. A austeridade, por muito que custe, é necessária ao ajustamento, levar-nos a produzir, mas sobretudo, levar ao balanceamento. Se vamos continuar a insuflar numa economia com dificuldades de alocar recursos à capacidade de produtiva, lançada em grande parte numa base especulativa, vamos continuar a alimentar o cancro sobre os tecidos saudaveis que ainda restam.
    Repare que a afirmação de Kevin Philips é sobre a economia americana, ou seja, toda a capacidade produtiva americana que fala é questionada, e sobretudo, corre riscos de ser contaminada.
    No fundo, convencendo o escravo( tecido produtivo) a trabalhar podemos apenas emitir moeda, fazê-la circular e controlar a inflação( Senhor-Bancos Centrais), mas o problema é quando passam a exitir mais senhores que escravos, como puderão estes servir aqueles???Como viveram estes, sem quem produza??
    A resposta a estas questões desarma aqueles que julgam que basta emitir moeda e controlar a inflação. Só mais uma controlar a inflação não é controlar todos os riscos reais de uma economia.

  13. PMPa 07 Out 2011 as 23:46

    Caro Pedro Pinheiro, você coloca uma grande questão.

    Vamos lá raciocionar sobre essa questão fundamental que vem sendo debatida desde Adam Smith, um grande filosofo e “pai” da economia desde 1776 (?) :

    Como gerir o facto das importações poderem ser mais baratas no curto prazo , mas que no longo prazo destroem a capacidade tecnológica industrial de uma nação/estado ?

    Num sistema Keynesiano / Liberal moderno é a taxa de câmbio que tem a função de repor o equilibrio, mas o problema é que o “mercado pode permanecer irracional durante demasiado tempo”, ou seja a taxa de câmbio pode permanecer demasiado elevado durante muito tempo, destruindo a industria e a tecnologia local. Em Portugal com um Euro forte essa destruição é uma certeza.

    Nos EUA o chamado Keynesianismo militar resolve parte do problema , porque mantem um elevado valor da despesa publica dirigida em parte para sectores industriais e tecnológicos bastante fechados ao exterior.

    Jà Adam Smith advoga a regulação estreita do crédito de forma a que não seja canalisado para actividades especulativas (sub-prime, CDO’s, etc.).

    Isto não invalida em nada a necessidade imperiosa de na Zona Euro na sua totalidade se optar por politicas economicas expansionistas neste momento.

    Toda a retorica germânica puritana é então por isso irracional e é espantoso como os restantes paíse com deficit externo (frança incluida) alinham nesta parvoice , em vez de simplesmente e como pressão politica explicar ao povo alemão que deveriam sair do Euro pois não têm afinidades racionais com os restantes países.
    Estou convencido de que uma grande parte do povo alemão, especialemente os seus industriais, face à escolha de se manterem num Euro racional ou sair para um Marco saudosista hiper-valorisado, preferiria a escolha racional.

  14. quelhas motaa 08 Out 2011 as 9:42

    Os alemães sabem pela sua própria história o que é o «horror» do dinheiro transformado em papel – e que, em certo sentido, terá criado condições para o surgimento da segunda guerra mundial.
    É evidente que para o sistema bancário, que andou a brincar à criação de moeda através do crédito – que agora é «mal parado» – e para os estados-predadores, que pura e simplesmente lançaram à rua o «suor» transpirado anos a fio pelos seus nacionais (bem…, até aquele que será transpirado pelos seus filhos e netos), arrumar a casa com um enxurrada de papel, parece ser a única solução. Claro que eles não se apresentam como «os interessados», apresentam-se como solidários do «bem do povo»: é preciso lançar papel para relançar a economia ( e, subentenda-se, criar emprego) – afinal, continuar a fazer aquilo que se vinha a fazer até agora, e que todavia não relançou economia alguma e que acabou por criar muito emprego fictício, inútil ou, ainda, com produtividade negativa.
    Eu até nem teria problema que houvesse uma enxurrada de papel sobre o sistema financeiro, se essa fosse a solução; não creio é que a solução esteja aí, pelo menos para o cidadão. Se solução é, será para os bancos, que passam a «ter tempo» para trespassar os seus tóxicos para a sociedade civil.

  15. PMPa 08 Out 2011 as 11:57

    QM,

    A mesma ideologia puritana germânica que está agora em moda por ignorância em como funciona a economia, levou Hitler ao poder.

    O desprezo que essa ideologia tem pela racionalidade e pelo humanismo levou ao maior desastre de sempre da humanidade.

    Quem se aliou a Hitler foram os parolos conservadores que se mantiveram indiferentes à destruição da economia e ao elevadissimo desemprego provocado pela austeridade .

    Mal Hitler chegou ao poder , assassinou alguns desses parolos, e começou de imediato com um plano de obras públicas para relançar a economia.

    E esta hem ?

    Insistir na fantasia de que a austeridade traz crescimento económico só ajuda os fanáticos que têm uma agenda própria, se calhar com alguns pontos de contacto com esse passado de 1930.

  16. quelhas motaa 08 Out 2011 as 13:28

    PMP
    Bem…, não me parece «fácil» – nem suficientemente eficaz – fazer aqui este debate. Contudo, aí vai.
    Desde Bismark que a Alemanha se transformou «num exército a cavalo num povo». Pelo menos desde aí que o Estado alemão «tomou conta» dos alemães. O Fascismo alemão já tinha um longo antecedente. E, é esse precedente – uma fortíssima intervenção do Estado na sociedade civil alemã -, associado à guerra – mais um exemplo do que pode ser o Voluntarismo de um Estado todo poderoso – que desemboca numa política de emissão monetária fictícia – mais uma vez o Estado – que arruína a economia alemã. Nunca foi por falta de Estado e de voluntarismo estatal (com a sua clarividência, claro) que a Alemanha – e Portugal – chegou aonde está.
    A História Humana – e dos seus efeitos sobre a economia – está cheia destes exemplos.
    Ou seja, eu tenho infinitamente mais medo do Estado (e da sua clarividência) do que do meu vizinho – nomeadamente de aí aonde me encontro com ele, trocamos os nossos produtos e serviços, crenças e aspirações, ou seja: no mercado.
    E, tenho medo do Estado precisamente porque há pessoas que pensam que «sabem tudo», naturalmente clarividentes – como Lenine e Stalin, ou Mao, ou Fidel, ou, ainda Salazar ou, porque não, Sócrates -, que pensam que até sabem «o melhor para mim próprio», que «transpiram» solidariedade social, e que, uma vez no Poder, não só querem tomar conta de mim como de um povo inteiro – mais «Jesus Cristo» seria difícil de conceber. O «problema» é que, até podendo ser isso muito bom, em geral acaba sempre em «forte porcaria e forte trapalhada», ainda por cima para ser «paga» pelos «mesmos de sempre».
    Eu não estou propriamente em desacordo com o que diz, aliás leio-o com muito prazer, o que eu tenho é dúvidas, e, mais dúvidas tenho quando o debate tende a deslocar-se da «lógica» do pensamento científico para a «lógica» ideológica.

  17. PEDRO PINHEIROa 08 Out 2011 as 20:21

    Caro Quelhas Mota

    Concordo no essencial com tudo o que afirma, incluindo a ideia que tem do estado. Contudo, nem tudo que exerce poder sobre a economia é visível, e muito menos estabelecido numa relação causal, por outro lado, quem estabelece a relação entre a causa e o efeito é o sujeito,assim sendo, todas “as verdades científicas” são susceptíveis de erro em virtude do sujeito que interfere na relação, isto para lhe dizer que Ciência não é sinónimo de verdade. As ideias são importantes(ideologias) porque alargam o nosso horizonte imaginativo, por vezes ficcionar os extremos permite perceber melhor a nossa situação. Por outro lado, as ideias podem tornar-se realidade, a ideologia do liberalismo podemos ver como o principio do fim das monarquias. Estou convencido que em certa medida o PM tem razão no que diz respeito ao Estado americano, em 2006 a divida americana representava 335% do PIB, contudo, as agências de rating continuavam a acreditar no triple AAA, e os juros da dívida não galoparam como aconteceu em Portugal que apesar da dívida ser 100-120% do PIB os juros dispararam brutalmente.
    Sem dúvida que houve um insuflar constante nos EUA, e os mercados continuaram a acreditar na capacidade produtiva, quando esta decresceu drásticamente como mostro no artigo anterior, com grandes riscos para a economia. Caro Quelhas Mota, parece-me que os EUA tem vivido naquilo que você chama de ideologia, ou seja, uma ideia tóxica pode tornar-se realidade e mostrar algo como aumentar o PIB, mascarando-se como boa em termos de visibilidade. A reflexibilidade de uma ideia pode criar um mundo que foje a ideia de causalidade, parece-me que esta moeda americana com base de ouro é zero, e de capacidade produtiva também já duvido muito,sustenta-se numa causalidade eficiente, ou seja, tem uma grande componente subjectiva que espera efeitos pretendidos. Sempre tive muita dificuldade em Economia perceber a objectividade, pois sempre foi manipulada, e cega-nos para ver a subjectividade dos intervenientes nas relações económicas.

    Cumprimentos

  18. C.E.M.a 08 Out 2011 as 22:47

    Para esclarecimento das dúvidas sobre o aumento do core Tier de 1% dos bancos portugueses transcrevo o seguinte parágrafo do memorando da “troika”:

    Buffers de Capital
    2.3. O BdP dará instruções a todos os grupos bancários, sob sua supervisão, para atingirem um rácio de capital core Tier 1 de 9% até ao fim de 2011 e de 10 % até ao fim de 2012, e para o manterem no futuro. Se necessário, utilizando os seus poderes do Pilar 2, o BdP exigirá também a alguns bancos, com base nos seus perfis de risco específico, que atinjam estes níveis elevados de capital de forma mais rápida, tendo em consideração as indicações do quadro de avaliação de solvabilidade abaixo descrito. Os bancos terão de apresentar ao BdP, até ao fim de Junho de 2011, planos que descrevam como tencionam atingir os novos requisitos de capital através de soluções de mercado.

    Esta é a origem do aumento referido por ANUNES.

  19. PMPa 09 Out 2011 as 0:32

    QM,

    Sem perceber como funciona a economia não existe hipótese de encontrar soluções minimenta racionais.
    Veja os tontos do BCE que acham que é pecado comprar obrigações publicas !

    Foi a estupidez ideológica do laissez-faire parolo que levou Hitler ao poder, aliado ao puritanismo da austeridade. Mas Hitler logo inverteu a economia com um programa de obras públicas e de apoio à industria com encomendas publicas que reduziu drasticamente o desemprego.

    Está demonstrado à exaustão que o capitalismo laissez-faire não é estável.

    A razão é simples : o comportamento dos consumidores e das empresas é muito pro-ciclico, ou seja o consumo aumenta e o investimento em expansão industrial aumenta nos bons tempos. O endividamento aumenta acelarando a tendência.
    Mas a crise está sempre á espreita : bolsa desce subitamente, guerras, catastrofes naturais, bancos vão à falência, etc.
    A partir de um boom com grande endividamento a recessão é inevitável. O investimento desce abrutamente porque a capacidade instalada é muito elevada. o desemprego sobe , o consumo diminui, a poupança aumenta por precaução, as empresas vão à falência, o ciclo realimenta-se.

    É só isto !!

    Por isso é inevitável a intervenção anti-ciclica do estado senão a sociedade vai abaixo. Mas o estado somos todos nós.

    Se a sociedade apreender como funciona a economia capitalista em situações de crise então pode legislar e regular no sentido de criar mecanismo semi-automáticos para minimar as recessões e evitar o desemprego elevado, evitando assim que assassinos em massa cheguem ao poder.

    è preciso criar força na sociedade para que exija deste governo que se foque no crescimento económico cmo a mesma intensidade que na austeridade senão o país não sair deste pantano.

  20. julio moreiraa 09 Out 2011 as 7:35

    CEM
    Obrigado pelo seu esclarecimento.
    Trata-se, pois, de uma obrigação assumida quando estavamos no fundo do poço.
    É bom que não nos esqueçamos isto para que, por artes mágicas, queiramos que nossa crise seja, sobretudo, devida á crise Mundial.

    Também terá obviamente a vêr com ela, ou sobretudo, a vir ao de cima por causa dela.
    Meus caros eu não me importo nada de trocar a crise portuguesa pela irlandesa. Acho que ficavamos melhor.
    Mas meus amigos, a nossa crise já cá estava há vários anos. E não me canso de afirmar que é, funamentalmente, de caracter estrutural. Não de conjuntura.
    Posto isto apenas queria sublinhar que a banca esta na situação em que se encontra porque o Estado não liberta meios para liquidar aos seus fornecedores. Seria injectar dinheiro no mercado e possibilitar a muitas empresas que solvessem os seus compromissos junto da Banca.
    Também não esqueço que a nossa Banca, mais recentemente, entrou num processo de se endividar junto do BCE, a taxa reduzida, para comprar divida Portuguesa, remunerada a taxa muito superior. O problema é a falta de liquidez do Estado que gerou, por reflexo, falta de liquidez no sector bancário.
    Portanto enquanto o Estado não injectar dinheiro no mercado solvendo os seus compromissos, a falta de liquidez apenas conduzirá a mais recessão.
    Cumprimentos

  21. fvroxoa 09 Out 2011 as 10:39

    Talvez uma análise não tão de curto prazo e provocadora, possa implicar o reanalisar do puzzle para além da situação da banca Portuguesa:Ver mais longe para além da fronteira e com economistas em primeiro plano :)
    Uma proposta de pensamento estratégico que seria uma beleza para um grupo de VIPs da Economia. Tipo Supreme Court
    http://protes-stavrou.blogspot.com/2011/10/plan-for-europe-interview-with-thomas.html#.TpF0j8laexC
    FVRoxo

  22. quelhas motaa 09 Out 2011 as 10:59

    É pelo menos uma tentativa para «pensar», com muitas «certezas» – nas «dúvidas» -, ora salientando o curto-prazo ora o estratégico, ora olhando a especificidade ora o além fronteiras, ora apontando o facto ora a sua interpretação, ora…
    De algum modo, caminha-se por um caminho «novo» que, a cada passo, se constrói a si-próprio.
    Parafraseando fvroxo “Uma proposta de pensamento estratégico que seria uma beleza para um grupo de VIPs da Economia. Tipo Supreme Court”

  23. PEDRO PINHEIROa 09 Out 2011 as 12:50

    Soros percebeu que para criar um novo paradigma financeiro tem de ser a partir da reflexibilidade, afirma taxativamente que gostaria de tornar-se filósofo. A solução está no poder da imaginação e não na adequação da sociedade à relação causal exterior. Reparem, o especulador por excelência, percebeu o poder subjectivo para criar crises assim também para sair delas, o que implica um alargamento do horizonte imaginativo, como diria Bertrand Russel.
    Não estou a negar que existe ciclos económicos, mas afirmar que o Homem pode criar novos modelos economicos mais ajustados à humanidade, à justiça.

  24. julio moreiraa 09 Out 2011 as 13:10

    Meu caro Pedro Pinheiro.
    Repare nas palavras de ordem dos manifestantes norte americanos em Wall Street, e não só.
    Já se ouve falar de imoralidade no mercado financeiro.
    Acho que seria uma optima altura para começarmos a discutir os valores em que assentamos á nosso comportamento nas últimas décadas.
    Meu caro Roxo
    Será que conseguiremos aqui em Portugal fazer assentar o comportamento dos nossos politicos e Instituições em torno da Politica e não da baixa politica, como tem vindo a ser prática corrente?
    Será que, finalmente, iremos ter Politica e Politicos?
    Cumprimentos