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Nov 07 2011

A “voz” do além

Publicado por Anunes a 22:07 em Economia,Europa

Uma pequena nota de “mercearia”:
De acordo com os media, os mercados não acolheram bem as soluções apresentadas no ultimo conselho de ministros Europeu.
De acordo com os media, os mercados consideraram que o tamanho da “bazooka”(sic) deixa muito a desejar e, como tal, é manifestamente insuficiente.
Assumindo que os mercados falam pelos preços, e auscultando a sua “voz”, podemos fácilmente contabilizar as percentagens de incumprimento esperado que, momento a momento, atribuem a cada Estado da Zona Euro.
Multiplicando essas percentagens pelos respectivos stocks de divida dos mesmos Estados, conseguimos contabilizar exactamente o montante que, à data, aflige esses mesmos mercados.
E não é que o valor vai dar exactamente igual ao tamanho da tal “bazooka”? Ou seja, mais coisa menos coisa, o tal 1 Bi que se pretende para o EFSF?
E isto assumindo que todos os Estados entram em incumprimento ao mesmo tempo.
Será que os mercados têm sempre razão, mesmo quando em absoluta contradição?
Será que já ninguem sabe, ou se dá ao trabalho de fazer contas?
Ou será que desta vez a coisa vai mesmo ser diferente?
Resta-nos esperar e … auscultando o além, ir seguindo o murmurio dos novos “Deuses” …

19 comentários até agora

19 Comentários para “A “voz” do além”

  1. Jorge Bravoa 08 Nov 2011 as 10:07

    Mais uma achega para voltarmos à regulação, Keyns continua todos estes anos depois com razão.

  2. PMPa 08 Nov 2011 as 11:01

    Não é possivel uma moeda unica sem divida unica, por isso enquanto não for unificada uma parte significativa da divida publica da Zona Euro a crise vai continuar e a alastrar a outros países.

    Como se vê , os bancos, seguradoras, fundos de pensões, fundos de capital garantido, etc. não podem investir em divida dos paises mais fracos, o que criam uma onda de vendas e um ciclo vicioso de subida de juros, aumento do deficit, recessão, menos receitas fiscais, downgrades, subidas de juros, etc. , etc.

    Ã teimosia puritana germânica é irracional e irresponsável .

  3. julio moreiraa 08 Nov 2011 as 11:41

    Meus caros Anunes, Jorge Bravo e PMP
    Só me resta, com muito gosto, concordar concordar com o que dizem.
    Como pode a Europa querer atraír contribuições dos emergentes se, basta o Pimeito Ministro Grego vir com a ideia do referendo, para lançar a desorientação e o histerismo, nos alemães e franceses arrumando, de uma penada, com o credibilidade do EFSF?
    Moeda única, Divida Única, Poder Politico Único.
    Se quiserem ter credibilidade e tornar eficazes as medidas que vão adoptando
    não pode ser de outra maneira.
    O problema é que isto é um dado adquirido há muito tempo e com o passar do mesmo o buraco europeu é cada vez maior.
    É apenas uma questão de conferir credibilidade á CE. Porque os emergentes também não se podem esquecer que estão numa economia global.
    Portanto convém não desprezar o espaço de consumo europeu.
    Conviria que não fossem os europeus os coveiros desse mesmo espaço.

  4. Jorge Bravoa 08 Nov 2011 as 12:56

    E o MerKosy não faça mais asneiras!

  5. PMPa 08 Nov 2011 as 17:47

    Alguem entende a calma com que a UE está a olhar para o descalabro dos juros em Itália, hoje a 6.7% ?

  6. julio moreiraa 08 Nov 2011 as 18:27

    PMP
    Eu, o meu amigo e se calhar mais pessoas, ditas “comuns”, não entendemos. Mas quero acreditar que os responsáveis devem entender e ter algum plano para evitar a insuportável subida.
    Só pode haver.
    Estou a falar a sério.

  7. PEDRO PINHEIROa 08 Nov 2011 as 18:45

    Para quando o BCE começar a comprar dívida a sério?, Conteria esta escalada,inclusivé,controlava a própria taxa, tem esse poder porque não o exerce???
    Medo da inflação? Mas,”quem foje como o diabo foje da cruz”, são os especuladores, pois receberiam muito menos,com uma inflação mais alta e juros mais baixos. Parece-me que o problema está nos credores das dívidas soberanas que têmmuito poder na forma como todo o processo está a ser gerido.

    A avareza, a ganância mascarada de austeridade, como bons educadores. Eu até concordo com uma certa austeridade, que fosse realmente uma educação para todos, que levasse ao balanceamento entre o poder economico e financeiro, para além de esvaziar todas as bolhas. Parece que o problema está em quem pretende encher a bolha dadívida dos estados. Talvez para compensarem perdas de bolhas anteriores, sobretudo, dos produtos estruturados dos bancos americanos. Fazer com que todos os contribuintes europeus possam pagar os seus próprios erros. É uma hipócrisia, e o mais engraçado, é que até por cá, se aproveitou esse mal como uma coisa boa, pelo menos no ponto de vista de alguns.

  8. Jorge Bravoa 08 Nov 2011 as 19:40

    Desculpem, mas parece-me que o nosso mal (entre outros já aqui falados) é estármos demasiado demasiado agarrados à Europa, sempre que tal acontece na nossa História dá asneira.

    Até porque “pelo Tejo vai-se para o mundo” e por Espanha só para a Europa!

  9. julio moreiraa 09 Nov 2011 as 9:39

    Meu caro Jorge Bravo
    Tem toda a razão. E temos que convir uma das poucas coisas boas que Socrates tentou levar por diante graças, sobretudo, a Dias Amado.
    Pena que só o tenha feito, de forma mais insistente, na parte final do seu mandato quando da Europa já não lhe sopravam bons ventos.
    De todo o modo é uma referencia que este Governo deve ter em conta.
    Não devemos voltar as costas á nossa História.

  10. PMPa 09 Nov 2011 as 14:59

    O neotontismo germânico , Do mesmo genéro que levou os Nazis ao poder em 1933, continua sem freio a destruir a Zona Euro.

    Itália com juros de 7.3% e tudo calmo !

  11. Jorge Bravoa 09 Nov 2011 as 19:36

    PMP
    Tem toda a razão, pelo lado neo-qualquer-coisa, parece que nunca aprenderam história.

    Isto é, estou eu a perorar, para aqui, mas esta gente talvez não tenha tido mesmo história no currículo e por isso não teria culpa, mas isso é verdade só até ter que ocupar um lugar para o qual tal matéria seja vital.

    Porque quem não estuda aquilo que necessita e deve, ao longo da vida, para ocupar um cargo que tal exige, é um madraço da pior espécie e que como tal, não deve, nem pode, ocupar cargos públicos ou privados.

    De facto foi uma cascata de disparates iguais aos que estão a ser usados agora, que fizeram ocorrer a Kristallnacht, faz hoje precisamente 73 Anos (9-11-38):

    “É o que os alemães viveram no início da década de 1930. A cada ano, o governo tomava novas medidas orçamentais, reduzia os salários da função pública, tentava equilibrar o orçamento e sempre que fazia isto a economia contraía ainda mais, as receitas fiscais era ainda mais baixas, o governo tinha de cortar mais e, no final, destruiu a democracia alemã.

    “Repetir este erro é completamente imperdoável, em 2011″.

    Diz Hans-Joachim Voth, um dos autores do estudo, resumindo a investigação que fez com Jacopo Ponticelli, com o título “Austeridade e Anarquia: Cortes Orçamentais e Agitação Social na Europa, 1919-2009″. in DN 5-11-2011

    Diz Voth e digo eu, e penso que todos aqueles que amam a democracia e a liberdade.

    Só gente autista e toltamente impreparada pode pensar outra coisa.

    Mas se não gostarem de Keyns como solucionandor de uma situação IGUAL, há Krugman, que é nosso contemporâneo.

    Denegar a realidade é só burrice, isso causa o acumular de tensões sociais e politicas de toda a ordem.

    Tal situação tarde ou sedo irá explodir e só estes trastes é que não vêem. Ou está já tudo cego?

  12. julio moreiraa 10 Nov 2011 as 9:05

    …Ou querem mesmo que haja “explosão” pensando que se safam dela.
    Leio e fico incredulo.
    Merkl desmentiu hoje os rumores que dariam como certo um referendo alemão sobre a permanencia no Euro.
    Farta de saber que a melhor forma de começar a falar em algo que pode suceder, ou se deseja suceda, é desmenti-lo, está a Senhora Merkl.

  13. julio moreiraa 10 Nov 2011 as 11:38

    Mais lenha para a fogueira.
    Leio que agora já falam num Euro a duas velocidades.
    Há duas semanas atrás foi o Grego que estragou tudo com essa ideia do referendo.
    A Europa do Euro até estava unida. O malandro é que semeou a desunião.
    O grego já desapareceu. O italiano vai a seguir.
    Onde está a união?
    Quem fica com quem?
    Por onde anda Durão Barroso que não manda calar esta gente? Ou será que são eles que o mandam calar a ele?
    Meus caros a coisa está a ficar feia.

  14. Jorge Bravoa 10 Nov 2011 as 12:08

    Cada vez mais isto é mais uma palhaçada.

    Infelizmente para os povos e infelizmente para todos tambem, só quando se bater no fundo, com o rol das filas de pessoas sem emprego e á porta das senhas de racionamento, talvez os politicos mediocres deste mundo se vão embora para dar lugar a gente capaz e com coragem.

    Com coragem de tomar medidas reguladoras da Finança de Casino, tomando outra vez o caminho da prudencia e da frugalidade financeira nos mercados.

    Um novo New Deal é preciso e é pena que seja necessário destruir tudo para que tal seja feito de novo.

    De Merkel e Sarkozy será feito o duplo funeral, e na história serão lembrados pela seu extrema inepcia, pior que todos os pirros anteriores a eles, sem honra nem glória bem acompanhados de Barroso e quejandos.

  15. julio moreiraa 10 Nov 2011 as 14:11

    Meu caro Jorge Bravo
    Eu, e tenho 63 anos, lembro-me dos meus Pais me contarem essa situação que viveram com as senhas de racionamento.
    Em termos de História de um País, de um Continente, não foi há tanto tempo assim.
    Nós nunca tivemos grande afinidade, ou nenhuma mesmo, com a cultura alemã.
    Agora bebemos muito da cultura francesa.
    Será que Sarkozy não conhece a História do seu País? E, por não a conhecer, não sente orgulho na influencia que teve noutros Países, seguramente não na Alemanha?

  16. PMPa 10 Nov 2011 as 15:20

    Alguem consegue explicar porque é que os ricos europeus não se juntam para correr com a Merkel e companhia ?

  17. Jorge Bravoa 10 Nov 2011 as 18:10

    Meus caros Júlio Moreira e PMP

    O Sarkosy, faz parte de uma geração de políticos instantâneos, tipo pudim chinês, que nunca será chegará a um Chevreuse.

    Sarkosy só aspira a ser ” le petit napoleon” já que para ser o outro, não tem nem uma ínfima parte da coragem nem um pico de visão. Para este, basta-se pavonear em inconfidências de microfone aberto com o Obama para… ser o feliz.

    A geração de políticos que existe hoje por todo o lado é, uma funesta leva de gente mediática, produtos só da desmesurada ambição, com falta de sentido do mais elementar serviço público, para não falar já de sentido de estado, imbuídos da maior ausência de ética, completamente invertebrados ao pronto de desertar à mais pequena contrariedade, sem um objectivo comum real e verdadeiramente elevado, ou o mínimo de espírito de missão a do bem dos seus povos.

    São meras marionetas voluntárias algumas, involuntárias outras por serem eles mesmos néscios selectivos, pondo-se por isso directa ou indirectamente ao serviço de lóbis, mais ou menos na sombra, parasitando as sociedades e a generalidade dos cidadãos.

    Veja-se como são feitos do nada e como de seguida são apeados, em campanhas mais ou menos escusas, sempre mediaticamente mediadas, nem que para isso, tenha-se que se invocar da forma mais farisaica a mais espartana e calvinista das morais de ocasião.

    Temo sinceramente, que a catarse que inevitavelmente se seguirá a este tempo de desnorte, seja geradora de caudilhos iluminados ao serviço de “ismos” diametralmente opostos e que seja mais uma vez passar pelos infernos da falta de democracia e liberdade para voltar a um novo Renascimento e que dele surja GENTE BOA.

    Os tiques anti-democráticos estão aí, á vista de todos numa cimeira perto de nós!

  18. julio moreiraa 10 Nov 2011 as 18:23

    Meu caro PMP
    Em termos puramente economicistas deverá haver alguma explicação que eu, por confessada ignorancia, não almejo.
    Agora em termos de Unidade Europeia é óbvio que o eixo franco-alemão está a abrir uma ferida de consequencias irreparáveis e penso, mesmo para eles, de dimensão incalculável.
    Seria talvez altura, num derradeiro esforço de sentido unitario, do Parlamento Europeu se fazer ouvir e dar algum sentido á sua existencia.
    Alguns poderes terá, digo eu.
    Do outro lado do Atlantico, e numa situação também ela de aperto financeiro, os EUA vão assistindo á derrocada europeia e ao funeral do euro.
    Com evidente e natural satisfação.
    Já agora pergunto. Ainda se lembram os lideres europeus onde e quando o sistema entrou em crise?
    O Lehman Brothers era norte americano, não era?
    Cumprimentos

  19. Jorge Bravoa 10 Nov 2011 as 19:02

    Caro PMP

    É simples, porque a mão que embala o berço éa dos especuladores da Finança de Casino, do Carrossel Financeiro que está por detrás dos tráficos de toda a ordem e dos políticos a soldo, nem que seja dos “generosos contribuintes” das suas mediáticas campanhas.

    Nada disso tem a ver com Riqueza e Ricos, estes até não se importam de ser taxados em nome do bem comum e estes estão á muito tempo a avisar sem miguem ligar, estes e outros de que é exemplo entre eles, um homem chamado George Soros, ele mesmo um especulador moderado, que ficou farto de alertar tudo e todos, primeiro pela excessiva desregulamentação dos mercados e depois pela finança de casino, nos Estados Unidos em 2002, 2005 e 2008 e na Europa em 2005 e 2008 e 2010, por todos os meios, desde palestras em universidades até artigos de jornais.

    Só que a “força de poker” dos primeiros é superior aos últimos, o que aliado ao tolhimento inibitório causado por medo nos poucos decisores não coniventes com o estado actual das coisas faz com que não se afaste Merkel, Sarkosy, Barroso e quejandos.