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Dez 19 2011

A FALÁCIA DA PROCURA DE CRÉDITO

Publicado por VB a 20:03 em Artigos Gerais

A maior falácia que circula por aí é que a contracção de crédito é explicada pela falta de procura. Se esta explicação fosse verdadeira, o preço do crédito deveria ter descido, não é verdade? De facto e tal como mostra a figura 1, se tivesse havido uma contracção da procura de crédito, a curva da procura ter-se-ia deslocado para a esquerda, do que resultaria uma redução da quantidade E DO PREÇO de equilíbrio. Ora, como sabemos, quando se verifica uma redução da quantidade E UMA SUBIDA DO PREÇO de equilíbrio, O CHOQUE É NA OFERTA, cuja curva se desloca para a esquerda, sinalizando a contracção, como mostra a figura 2. É claro que quando aumenta o preço, a procura se reduz e aqui é que está a origem da falácia: confunde-e o efeito com a causa. Espero, pois, que não restem dúvidas de que a situação do mercado do crédito reflecte uma CONTRACÇÃO NA OFERTA e não na procura!

13 comentários até agora

13 Comentários para “A FALÁCIA DA PROCURA DE CRÉDITO”

  1. PMPa 20 Dez 2011 as 18:07

    concordo.

    Alías é ridiculo estar toda a Europa e o mundo a “apertar” com os bancos através de reforços do capital próprio numa altura de recessão económica.

    Parece que a U.E. tem tendências suicidas. isto é uma repetição de 1931.

  2. Jorge Bravoa 20 Dez 2011 as 22:03

    Quando é que este disparate pegado vai acabar?!

  3. CausaVossaa 21 Dez 2011 as 8:29

    Não há, de facto, a mínima dúvida que a a contracção de crédito se encontra no lado da oferta. Que não haja, no entanto, dúvidas que as sociedades vivem de confiança, confiança no presente e futuro. E sem confiança o dinheiro não circula, tornando-se cada vez mais meio de entesouramento e cada vez menos meio de pagamento. As economias contraem, porque contraí a iniciativa (atomizada e em larga escala) e se instala o medo e a descrença).

    Por isso alguns economistas falam na economia da felicidade, uma economia completamente contrária à economia baseada no empobrecimento de franjas cada vez maiores da população e baseada em arquétipos como a sustentabilidade, a igualdade de oportunidades, o respeito pela natureza, o ordenamento territorial, a fruição do tempo, do imaterial e dos bens culturais (afinal uma economia onde esteja contido o modelo social Europeu).

    Tudo contrário a uma economia baseada no excesso como desenvolvimento (excesso de tempo de trabalho, excesso de recursos materiais, excesso de impostos… na destruição da felicidade, seja ela familiar ou individual).

    A globalização inevitável configurada no espaço e tempo, seria um movimento muito positivo não fosse (no caso da n/Europa) alguns se terem convencido que era o nosso modelo social Europeu o responsável por falta de competitividade (a abater) e não a sua imposição em pé de igualdade a outros espaços.

  4. Jorge Bravoa 21 Dez 2011 as 13:18

    Bem visto!

  5. PEDRO PINHEIROa 21 Dez 2011 as 13:48

    Caro Jorge Bravo
    O disparate interessa. O BCE tem poder para libertar-nos desta situaçao, caso fosse realmente independente dos interesses políticos e economicos. Utilizar a racionalidade para sair da menoridade( um dos principios do Iluminismo) é coisa que não nos assiste, cada um preocupa-se com o seu feudo, justificando tudo o resto. Passa-se na Europa, e sobretudo, em Portugal, espero que nao tenhamos todos de beber o veneno que criamos( ou ajudamos a criar, nem que seja, por alheamento ).
    Já no reino animal os animais emigram por uma questao de sobrevivencia, mas, no reino dos humanos, geralmente, os que ficam são na realidade os mais fracos, os menos adaptativos,talvez, essa seja uma justificaçao da pobreza de Portugal a muitos níveis. Temos relojoeiros suiços “portugueses” de renome internacional. A nossa seleçao natural está distorcida, favorecendo nao os mais competentes e fortes(no sentido adaptativo). Depois vêm falar de competitividade, quando os melhores em muitas áreas sao forçados a sair. Enquanto nao criarmos um crivo para ficarem na realidade os melhores continuaremos a ter grandes problemas de produtividade. Como podemos ser um país competitivo, produtivo com o monopólio em todo o sector energértico?’ É um´país em que uns arrancam na linha de partida outros estao a um metro da chegada, belo esforço que estes tem de fazer, nesta realidade, os mais adaptativos, mas os menos competentes. É a distorçao da seleçao natural, que escolhe a seu belo prazer os que ficam e os que saem.
    Devia-se exigir a reformulaçao dos principios de todo o mundo financeiro, numa optica de balaceamento entre aquilo que é produzido e financiado. Todo o financiamento que não tenha base produtiva,devia ser expurgado do sistema. A base da confiança devia estar em quem produz, a quem cria valor real. Assim sendo, todo o sistema financeiro devia respeitar esta criaçao de valor, tal como na dialectica hegeliana o senhor respeita o escravo pois depende dele para sobreviver. Ambos precisam um do outro, mas numa negatividade, que permite cercear o campo de acao de ambos. Sem a compreensao que os principios financeiros não podem ser estabelecidos sem integrarmos o mundo economico, dificilmente resolveremos o problema da confiança.

  6. Carlos Jorge Morais Louresa 21 Dez 2011 as 16:44

    Senhor autor do artigo e senhores autores dos comentários,

    Muito bem elucidado a Falácia da Procura do Crédito.
    Percebe-se muito bem o efeito da variação da variável Q no eixo dos “ X” como uma consequência da deslocação no sentido da redução das curvas da procura ou da oferta.
    Para quem é da área da engenharia em especial da energia poderá ser tentado a fazer uma comparação simples a saber:
    1º Nos sistemas de energia eléctricos e em tempo real a produção de energia eléctrica deverá ser com o rigor possível igual ao consumo, menos as perdas.
    Existem sistemas de armazenamento mas com capacidade reduzida e custo de investimento elevados; ou seja não permitem aprovisionar o excesso de produção em quantidades aceitáveis, para posterior aproveitamento nas ditas horas de elevado consumo.
    2º A produção de energia eléctrica quando realizada a partir dos combustíveis fósseis é cara e poluente; por isso existe a necessidade da maior/melhor opção possível pelas energias renováveis, nas suas mais diversas opções e nas quais se destaca a eólica.
    Mas o vento não é constante e introduz perturbações/flutuações nos sistemas eléctricos pela sua intermitência. Julgo contudo ser a tecnologia mais madura e logo a mais rentável sob o ponto de vista dos investidores.
    3º Os trânsitos de energia nos sistemas de energia eléctrica são motorizados constantemente, de forma a ser obtido o ponto de equilíbrio entre a produção/ oferta, e o consumo/procura.
    As perdas poderão ser contabilizadas nos processos de produção.
    4º A entidade responsável pela produção de energia organiza o despacho dos grupos geradores, térmicos, eólicos, sistemas hídricos, e solar ligados ao sistema, em função da previsão das necessidades dos consumos.
    Estas previsões são efectuadas com base em diagramas de produção e ou consumo verificados, cuja periodicidade é variável em função dos objectivos pretendidos, aos quais são aplicadas as taxas de crescimento do consumo de energia consideradas adequadas; são tidas em consideração a evolução do rendimento das pessoas ou de uma forma mais concreta do crescimento da economia.
    5º Quando o consumo baixa acentuadamente por razões não programadas, a produção terá de se adaptar em tempo real até ao valor do consumo mais as perdas, pelo simples facto de o sistema não poder continuar a garantir o seu equilíbrio técnico assim como os normais níveis de segurança; no mínimo terão de sair temporariamente do sistema eléctrico alguns sub sistemas de produção; as soluções de aprovisionamento de grande capacidade desempenharão num futuro um papel crucial nas futuras SamartGrids.
    Por exemplo em situações intempérie, a queda de linhas de transporte de energia ou de outro nível de danos nas infra estruturas eléctricas, poderá provocar “ apagões “ em grandes centros urbanos/regiões, cuja reposição do fornecimento de energia será sempre morosa, várias horas e até vários dias, com as consequências daí decorrentes; mesmo existindo vias alternativas, o sistema terá de ser estabelecido de uma forma gradual/faseada, de forma a ser atingido o seu ponto de equilíbrio denominado de exploração normal.
    6º Comparando a exploração de um sistema de energia eléctrico com o funcionamento de um sistema económico poderei chegar à mesma conclusão:
    Num sistema económico o desvio, quando acentuado, do ponto de equilíbrio resultante da intersecção entre as curvas da procura e da oferta, poderá no limite desencadear o pior cenário para uma qualquer nação: o seu apagão.
    A diferença é que os sistemas eléctricos foram feitos pelo homem, logo recuperáveis e ajustados mesmo com custos elevados; mas na economia são os “ sistemas “ criados por pessoas desconhecidas a lidar com o ser humano (Neste caso o conceito de ser humano é muito diferente do de pessoas desconhecidas).
    E as Nações só recuperam e se libertam definitivamente dos apagões através da “ Educação “ dos seus cidadãos (seres humanos e pessoas desconhecidas).
    Mas isso leva muitas décadas a concretizar e pode ser motivo para o desmembramento de um país ou de uma qualquer comunidade de países.
    Qualquer erro na explicação simplicista do funcionamento de um sistema eléctrico, assim como de qualquer conceito económico, deverá ser atribuído à minha ignorância.
    Saúde

    Carlos Loures

  7. Jorge Bravoa 21 Dez 2011 as 23:16

    Caro Pedro Pinheiro

    É isso mesmo, mas acresce que estes governantes de cá, não têm noção nenhuma do tipo de povo que têm e das suas caracteristicas próprias.

    Por isso não sabem como mobiliza-lo, como estimular a criatividade, a dinamica de cada pessoa como cidadão empreendedor, para uma sociedade em progresso na senda da excelencia.

    Essa falha tem a muito a ver com muita falta de conhecimento histórico e económico das sociedades, especialmente da nossa, desconhecimento dos valores, pelo menos dos valores do iluminismo, de falta etica de serviço publico e espirito positivo.

    Isso já para não falar do total desconhecimento de geopolitica e geoestratégia, mas isso se calhar era pedir-lhes demais.

    Para alem de terem feito pouca coisa na vida.

  8. Jorge Bravoa 21 Dez 2011 as 23:31

    ´Caro Pedro Pinheiro

    Faltou só mais uma coisa, por acaso bem relevante : Os politicos na europa tambem não, com a honrosa excepção dos paises nordicos.

  9. rui fonsecaa 22 Dez 2011 as 1:16

    Ontem, o FT publicava um artigo, com chamada na primeira página, onde o autor, Bill Gross (PIMCO) defende que a contração de crédito é consequência da redução das taxas de juro a roçar o zero.
    Pode ser lido aqui: http://www.greekcrisis.net/2011/12/ugly-side-of-ultra-cheap-money.html

    Mesmo considerando que ninguém é bom juiz em causa própria não deixam de ser perturbantes as conclusões de BG numa altura em que as dívidas soberanas, mesmo de países com economias de grande dimensão, como a Itália, pagam com língua de palmo as renovações das suas dívidas.

    É a síndrome de falta de confiança a cobrar a diferença, não?

  10. julio moreiraa 22 Dez 2011 as 15:12

    Pedro Pinheiro
    Parabéns. Estou plenamente de acordo com o que escreveu.
    Desculpem, mas já me falta vontade para escrever sobre aquilo que o meu caro descreveu é só não vê quem, por lhe convir, não quer vêr.
    E esta manifesta falta de vontade de visão percorre, transversalmente, toda a sociedade portuguesa, a nivel de interesses instalados.
    Mesmo até daqueles que, a nivel politico, sabem nunca virem a ter papel governativo.
    Mas há sempre, para eles, umas migalhas que sobram.
    Dá para uns quantos exercicios de pura demagogia e mais não lhes peçam.
    Cumprimentos a todos.

  11. Jorge Bravoa 22 Dez 2011 as 16:15

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    Aproveito a ocasião, para desejar a todos os bloguistas um Bom Natal e um Melhor Ano Novo.
    (Porque a esperança é sempre a ultima a morrer!)

    Com cumprimentos festivos para todos.

    JB

  12. PEDRO PINHEIROa 22 Dez 2011 as 22:50

    Caro Júlio Moreira e Jorge Bravo

    Obrigado pelos vossos comentários

    Somos poucos a favor do verdadeiro liberalismo.

    Um bom Natal para todos os bloguistas.

  13. Carlos Jorge Morais Louresa 23 Dez 2011 as 13:06

    Caros Senhores

    Boas Festas, Bom Natal com saúde.

    Carlos