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Jun 27 2012

“Auto-crowding-out”, um exemplo de masoquismo económico.

Publicado por Anunes a 8:11 em Artigos Gerais,Economia

Em economês utiliza-se a designação “crowding out” para descrever a situação em que, devido aos seus excessos Fiscais, o Estado desiquilibra o mercado de Divida provocando uma subida nas taxas de juro. Esta subida das taxas de juro acaba por penalizar o sector privado, contribuindo para uma redução do investimento com os consequentes efeitos de contracção económica.
O efeito expansionista do aumento da Despesa Pública é assim, por esse efeito, parcialmente contrariado pela consequente contracção do Investimento no sector privado.
O que se está a passar com o resgate dos Bancos Europeus é, de uma forma absurda e perversa, comparável a este efeito.
Por um lado os Estados têm de “invadir” o mercado de Divida para captar poupanças para financiar os seus Bancos. Para evitar o efeito normal de “crowding out” o BCE tem inundado o mercado com excesso de liquidez, evitando assim que as taxas de juro subam.
Contudo, os Estados baseados num discutivel conceito moral estão a auto impôr-se o mesmo efeito de “crowding out” de forma absolutamente artificial.
Como? Exigindo taxas absolutamente absurdas nos empréstimos aos Bancos face às taxas a que se estão a financiar.
Enquanto o Fundo de Estabilização Europeu se financia a 3%, empresta aos Estados (Portugal, Grecia, Irlanda, Espanha) já próximo dos 5%. Por sua vez estes emprestam aos seus bancos a … 8,5%.
Como os Bancos são meros mecanismos de “transmissão” entre a Poupança e o Investimento, as taxas de financiamento que o sector produtivo terá direito serão certamente ainda superiores a 8,5%, penalizando o investimento privado e acentuando os riscos de recessão.
Entre a taxa que os aforradores recebem (3%) e a que o sector produtivo vai pagar por esse dinheiro, o Estado e a UE conseguiram “inventar” bem mais de 6 p.p.
Percebe-se a lógica. Se o mercado não produz “crowding out” “auto-crowding-a –mo-nos”.
Faz todo o sentido.
E depois venham-me cá com os Hollandes deste mundo e os seus gestos visionarios a favor do crescimento económico.

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