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Jul 09 2012

Gestão de Expectativas

Publicado por Anunes a 12:20 em Artigos Gerais,Economia

Depois da decisão do TC sobre “desigualdade” torna-se urgente que o Governo decida como pretende resolver o problema.
Portugal e os Portugueses precisam de economia, isto é de consumo, investimento e emprego. Lançar a dúvida sobre quais os agentes económicos que irão ser afectados pela decisão “Constitucional” apenas serve para que todos corrijam desde já as suas expectativas em baixa, contribuindo imediatamente para menos consumo, menos investimento e … mais desemprego.
Ao temer pelos seus 13º e 14º meses, os trabalhadores privados irão conter ainda mais os seus gastos. Ao recear que as suas vendas ou os seus lucros venham também a ser chamados a contribuir, os empresários vão atrasar contratações e investimento. E ao recear que a solução verdadeiramente “equitativa” possa vir ainda a ser o despedimento, os funcionários públicos certamente que não irão já mudar de automóvel com o 13º mês que, eventualmente, sempre vão vir a ter.
Se há coisa que este Governo tem , de facto, gerido mal, são as expectativas dos agentes económicos.
Está na hora de o começar a fazer.

Um comentário até agora

Um comentário para “Gestão de Expectativas”

  1. CDa 10 Jul 2012 as 9:51

    Caro A. Nunes.,

    A respeito desta matéria, escrevi o seguinte no meu post “Orçamento e Equidades” em Outubro de 2011, mas creio manter-se atual e que, perdoe-me o provincianismo, mereceu comentário de João Cantiga Esteves :-) :

    “Mas, basta perscrutar um Orçamento de Estado, para saltar à vista aqueles que são os maiores sorvedouros de dinheiros públicos. Torna-se evidente onde reside o maior potencial para cortes, e que é transversal a toda a função pública, incluindo essas suas entidades satélite. Eis as duas maiores rúbricas da chamada Despesa Corrente do Estado: “Despesas com Pessoal” e “Prestações Sociais”. Ou seja, salários dos funcionários públicos e pensões de reforma (entre outras). No OE de 2011 estas foram orçamentadas em €19,3 biliões e €37,8 biliões, respectivamente. Ora tal corresponde a cerca de 75% (!) dos €75,8 biliões da Despesa Corrente.
    Portanto, se estamos a falar em cortes de despesa, se é isto que temos vindo impacientemente a exigir a este governo, então não há simplesmente forma de contornar estas duas rúbricas. É dos salários dos funcionários públicos e reformas que estamos a falar. A única forma que o Estado tem replicar o mesmo efeito no sector privado é, já adivinharam, através de mais um aumento de imposto “extraordinário” – precisamente aquilo que tanto criticámos ao longo dos últimos meses. É o sector público, e não o privado, que precisa de emagrecer.
    Portanto, não é uma questão se deve cortar-se no público ou no privado. A questão é onde, e como, cortar no público. Também aqui, cortes podem ser feitos de duas formas fundamentais. Uma é mais recomendável a prazo, embora no imediato seja de mais difícil implementação, assim como menos eficaz em reduzir custos – vou chamar-lhe “Corte Vertical”. Outra, sendo menos eficaz a prazo (e até mesmo inconsequente!), é politicamente mais implementável, tendo efeitos mais imediatos – vou chamar-lhe “Corte Horizontal”.

    (continua aqui: http://antologiadeideias.wordpress.com/2011/10/20/orcamentos-e-equidades/)

    Bem haja,
    O Autor