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Jul 26 2012

Jardins Efémeros no Centro Histórico da Cidade

Publicado por António Guilherme Almeida a 9:58 em Artigos Gerais

Viver a cidade, fruir o centro histórico, partilhar ideias e experiências, ver imagens e recantos singulares, sentir a importância da complementaridade entre o rural e o urbano, degustar a gastronomia de boa memória e os surpreendentes vinhos do Dão, desfrutar de momentos únicos sob o desígnio de “habitar a urbe, debater a polis e okupar a cidade”, num ambiente onde a tradição se cruza com a modernidade, a criatividade e a inovação, foram as atrações principais do evento “Jardins Efémeros” que decorreu na cidade de Viseu.
Este evento contribuiu para o estabelecimento de relações entre o mundo artístico e o mundo urbano / rural e, teve a virtude de combinar a criação artística multidisciplinar, a interação com diversos públicos e uma efetiva dinamização da área envolvente. Fomentou a articulação entre vários agentes culturais e económicos, procurando realçar o potencial da ação cultural e artística, a promoção de saberes e sabores tradicionais, os produtos endógenos e artesanais, o turismo e a gastronomia, aumentando, desta forma, a fruição do espaço público, o bem-estar social e a atratividade do centro histórico das cidades.
Durante seis dias e seis noites, milhares de pessoas, de diferentes idades, marcaram presença no coração do Centro Histórico da cidade de Viseu, apreciaram a beleza dos Jardins Efémeros, compraram iguarias e produtos endógenos no mercado efémero, conviveram nas dezenas de explanadas, bares e restaurantes e usufruíram das 78 atividades de artes visuais, cinema, teatro, música, livros, ideias e debates, instalações e mostras, concertos e espetáculos, além de oficinas e workshops. As pessoas saíram à rua, encheram as praças, os jardins, aproveitaram a oportunidade única para entrar em algumas casas que estavam de portas abertas, também de uma forma efémera, e, exclusivamente para este evento, visitaram as exposições, participaram nas atividades e apreciaram a beleza e as vistas sobre a cidade.
Em tempo de parcos recursos económicos, são iniciativas como estas que marcam a diferença, porque fazem com que seja possível promover a cidade, valorizar e dinamizar o centro histórico, melhorar a fruição do espaço público, aumentar a participação dos autores locais, promover o empreendedorismo cultural e social, aprofundar a relação dos territórios rurais com os urbanos e criar um ambiente único e distinto a custos razoáveis.
Numa altura em que é preciso enfrentar a desertificação dos centros históricos das cidades portuguesas, são exemplos como o dos “Jardins Efémeros”, o “Prove Dão Lafões”, o “Viseu Gourmet”, o “Viseu Naturalmente” e as “Visitas Bem Passadas” que dinamizam estes locais. A existência de explanadas, bares, restaurantes e hotéis de qualidade, a melhoria da mobilidade e circulação através dos autocarros elétricos, o funicular, o comboio turístico e as zonas pedonais, as atrações como a história, as tradições e património, a Feira de S. Mateus, Teatro Viriato, Museu Grão Vasco, a iluminação de Natal e a Rede Municipal de Museus são fatores fundamentais na prossecução deste desígnio. São este conjunto e diversidade de ações que acontecem na cidade com a melhor qualidade de vida para viver que demonstram que, com criatividade, inovação, empreendedorismo e persistência é possível fazer regressar as pessoas ao centro da cidade. Outros projetos como as indústrias criativas, as incubadoras de empresas e associações, a instalação de serviços públicos e os centros comerciais a céu aberto são objetivos a prosseguir.
Para saber mais informação sobre o evento “Jardins Efémeros” poderá consultar www.jardinsefemeros.pt, uma organização da ADDLAP com a produção e criação de CUL DE SAC.

António Guilherme Almeida

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