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Nov 01 2012

“Parábola do rio”

Publicado por Anunes a 16:01 em Artigos Gerais,Economia

A Economia é como um rio.
Por vezes a transbordar de riqueza. Por vezes à beira da seca.
A Politica Económica numa sociedade resume-se apenas a duas simples funções.
A primeira é gerir um caudal equilibrado e regular do rio, armazenamento zelosamente nos tempos de abundância e fazendo fluir a riqueza armazenada nos tempos de escassez.
A segunda é utilizar em cada momento o caudal disponível para irrigar, de forma extensa, equilibrada e justa, a maior extensão possível de terras produtivas para além das margens do rio.
Quando surgem os tempos de escassez, e se a primeira função não foi desempenhada com zelo e competência, a falta acabará por empobrecer todo o delta, afectando sempre primeiro as regiões mais afastadas do leito principal.
No pós 25 de Abril, a sociedade Portuguesa foi razoavelmente competente a desempenhar a segunda função, melhorando substancialmente a distribuição equitativa da riqueza pela sociedade.
Já no que respeita à primeira função, revelou-se desastradamente incompetente.
E sem caudal, dificilmente se poderá esperar a continuação duma distribuição equilibrada, justa e suficiente, da riqueza para além das margens mais próximas do leito principal.
Quando assim acontece será de esperar um natural movimento dos habitantes mais afectados, vindos das zonas mais recônditas em direcção à zona central de criação limitada de riqueza, lutando desesperadamente e mesmo com violência por esse bem escasso.
É um desiderato inevitável, e não há leis sobre equidade, constituições ou presidentes que o consigam alterar.
Há que aprender definitivamente que, sem o desempenho diligente da primeira função, a uma tal civilização apenas restará, mais tarde ou mais cedo, o derradeiro confronto com a sua própria extinção.

Nota: Nunca mais ouvimos falar sobre a necessidade de colocar o princípio do exercício obrigatório da primeira função na Constituição da República Portuguesa.
Talvez só no desespero da extinção acabemos por acordar.

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