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Jan 01 2009

2009: Verdade ou Consequência

O espectro da crise ensombra o ano de 2009. Milhares já foram por ela afectados. Muitos mais o serão este ano. Nada podemos fazer para o evitar. Só será possível, até um certo ponto, esbater certos dos seus efeitos, minorar o sofrimento de alguns. Mas muitas vidas serão dramaticamente afectadas. A injustiça desse sofrimento não diminui, nem com os poucos lenitivos que o governo lhes pode trazer, nem com a explicação da complexidade da crise e a sua escala mundial. Nada serve de consolo a uma vida destroçada. Talvez só a verdade, porque talvez só a verdade nos mobilize colectivamente no esforço necessário para conter e ultrapassar esta crise e as suas trágicas consequências. Será possível, quer ao governo, quer à oposição dizer a verdade, em toda a sua extensão, em ano de eleições? A resposta ainda não é clara. Este é o momento de fazer rupturas (e não consensos) nos comportamentos políticos e liderar um discurso mobilizador baseado no desvelar do que temos pela frente e do custo que vamos pagar durante anos para ultrapassar este momento. É o mínimo que podemos oferecer àqueles que vão olhar sem esperança de futuro para os destroços do seu presente. Sem isso acho que as consequências podem ser imprevisíveis, mais do que aquilo que se pensa.

Um comentário até agora

Um comentário para “2009: Verdade ou Consequência”

  1. Pedro Pita Barrosa 02 Jan 2009 as 0:13

    A capacidade de mobilizar a sociedade dependerá não só de se dizer a verdade, seja pela governo seja pela oposição, como da credibilidade que houver
    de que um esforço colectivo será por todos distribuido e não apropriado por alguns.

    Num pais em que o estado se envolve em quase tudo, e em que raro é o negócio ou a actividade que directamente ou indirectamente depende desse mesmo estado, apenas com absoluta clareza sobre a quem custa e a quem beneficia o esforço desenvolvido se alcançará essa mobilização.

    O discurso mobilizador tem que ser forçosamete acompanhado por um compromisso com a capacidade de verificação das acções realizadas e suas consequências.

    A credibilidade desse discurso só se conquista com acções que sejam facilmente interpretáveis por todos. A conquista dessa credibilidade, seja do governo ou da oposição, é bem mais dificil do que “montar” um discurso mobilizador.

    Claro que para além disso há sempre a dúvida se governo e oposição sabem como estabelecer esse discurso mobilizador em primeiro lugar.

    Ideias e sugestões?