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Artigos     


As ameaças e oportunidades económicas da China

Autor : Mira Amaral
Colecção : Globalização




O DESENVOLVIMENTO económico e industrial da China e da Índia foi o tema da conferência SEDES realizada no dia 6 de Março, segunda-feira, no Hotel Marquês de Pombal, às 21h00, em conjunto com o Fórum para a Competitividade. A palestra foi proferida por Mira Amaral, ex-ministro da Indústria e comentada por Henrique Neto, presidente da Iberomoldes.
 



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O que separa os modelos económicos do «Dragão» (China) e do «Elefante» (Índia), as potências emergentes do Extremo Oriente? «Enquanto que a Índia assenta num sistema de cariz mais anglo-saxónico, de concepção liberal, alicerçado nas forças espontâneas do mercado, o da China resulta de uma aposta intencional do Estado», explica Mira Amaral.

De acordo com aquele especialista, o Estado chinês utilizou a poupança interna para a construção de infra-estruturas físicas. Todavia, a construção do tecido fabril foi gerada através da atracção de investimento estrangeiro. «As empresas estrangeiras instalaram-se no mercado chinês devido à existência de boas infra-estruturas físicas e de mão-de-obra barata. Por isso é que a China é a fábrica do mundo», esclarece. Com efeito, segundo os dados avançados por Mira Amaral, cerca de 50% da exportações chinesas é gerado por empresas estrangeiras. «Portanto, a China funciona como plataforma manufactureira do Ocidente», reforça.

Sustentabilidade do modelo chinês em cheque

Contudo, a sustentabilidade do modelo chinês encontra-se ameaçada. Entre os próximos desafios da economia do Império do Meio, um dos mais críticos é a compatibilização da economia de mercado e o surgimento da classe média, com o mecanismo de centralização do Partido Comunista chinês.

Além disso, segundo Mira Amaral, a China também padece da fragilidade do seu sistema bancário, da fraca capacidade de gestão e dos altos custos ambientais provocados por um desenvolvimento industrial altamente poluente: nove das 10 cidades mais poluídas do mundo são chinesas.

Mas ao mesmo tempo a China dá sinais de competitividade económica em patamares mais elevados. De acordo com o conferencista, as exportações tecnológicas chinesas já não se resumem apenas a produtos baratos. «Estão mover-se rapidamente para o segmento ‘high-tech’ – por exemplo, a empresa de telecomunicações Wuawei já está a ameaçar a Cisco», refere. Um sinal da aposta no mercado altamente qualificado é o ritmo anual de produção de engenheiros e cientistas, que se situa na cifra de quatro milhões, o dobro da Índia.

Só que a China não se resume só a ameaças. Num mercado tão vasto também despontam oportunidades de negócio valiosas para as empresas portuguesas.  «Mas para que as empresas nacionais conquistem este novo mercado, precisam de desenvolver uma estratégia de longo prazo na economia chinesa. Têm ser pacientes, persistentes e inteligentes», remata MIra Amaral.


Para saber mais sobre as economias da China e da Índia leia...

Um artigo de Amartya Sen sobre as contradições do sistema sócio-económico indiano na revista The Economist

Uma visão sobre a emergência da economia indiana na revista The Economist

Uma entrevista de Jorge Nascimento Rodrigues a Zhibin Gu, economista chinês, sobre o novo poder geopolítico do Império do Meio 

Uma entrevista a Peter Williamson, professor do INSEAD, sobre a atitude do Ocidente face à «nova» China

 

 

 

 

 

 

 





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