Projeções a Longo Prazo Para a Economia Portuguesa no Contexto da União Europeia - Abel Mateus

A. PROJEÇÕES A MÉDIO PRAZO

A economia portuguesa entrou num claro processo de divergência a partir de 2000, quando tinha atingido um PIB per capita em PPC de 85,29% da EU-27 (sem RU). A queda foi particularmente acentuada entre 2009 e 2013, passando de 83 para 75,9. Apesar de uma pequena recuperação ligeira pós-crise, voltou a cair com a pandemia, de 78,6 para 74,5 em 2020, de acordo com as projeções da OCDE (e última estimativa do INE para 2020). Até 2025 espera-se que se mantenha em 75,2%. 

A economia portuguesa entrou num claro processo de divergência a partir de 2000, quando tinha atingido um PIB per capita em PPC de 85,29% da EU-27 (sem RU). A queda foi particularmente acentuada entre 2009 e 2013, passando de 83 para 75,9. Apesar de uma pequena recuperação ligeira pós-crise, voltou a cair com a pandemia, de 78,6 para 74,5 em 2020, de acordo com as projeções da OCDE (e última estimativa do INE para 2020). Até 2025 espera-se que se mantenha em 75,2%.  

 

O Gráfico anterior mostra que todos os países que acederam à EU depois da queda do muro de Berlim já ultrapassaram ou vão ultrapassar (como Roménia) Portugal até 2025, exceto a Bulgária. Vamos, pois, ficar novamente na cauda da EU.

 

B. PROJEÇÕES DA OCDE

 

Metodologia Utilizada

 

 

Taxas crescimento PIB Potencial

Depois de uma desaceleração significativa entre 2007 e 2018, em que o PIB potencial apenas cresceu à taxa de 0,5% ao ano, prevê-se uma aceleração entre 2018 e 2030 (1,1% ao ano), que não é maior por causa dos efeitos da pandemia. Esta evolução acelera um pouco em 2030-2040 devido à convergência normal para a fronteira tecnológica, mas não é sustentável a partir de 2040, por efeito do envelhecimento e diminuição da população.

 

 

Assim, Portugal passa de um rácio do PIB per capita em PPP de 77,6% em 2018 para 78,5% em 2040 e depois desce para 68% em 2060.

Portugal passa para a cauda da EU, apenas com a Bulgária atrás.

Note-se que mesmo assim, o PIB per capita acelera de um crescimento de 1,3% em 2018-2030 para 1,5% na década seguinte, e depois reduz-se ligeiramente para 1,4% ao ano, sempre acima das taxas verificadas entre 2000 e 2018 (cerca de 1% ao ano).

 

FATORES CRESCIMENTO

Os principais fatores de crescimento entre 2030 e 2040 são

  • Produtividade do trabalho (1,5%) que resulta sobretudo da convergência para a fronteira tecnológica
  • E, acumulação de capital por trabalhador (0,5%)
  • A taxa de participação do trabalho tem um valor negativo, devido ao envelhecimento da população e queda da população (-0,05% ao ano) enquanto que o emprego sobe de 0,3% ao ano

Entre 2040 e 2060 são os mesmos fatores com uma pequena queda da produtividade do trabalho, mas o fator dominante é a aceleração do envelhecimento e queda da população (-0,4% ao ano)

 

C. PROJEÇÕES COM REFORMAS POLÍTICAS APENAS EM PORTUGAL

 

 Neste cenário Portugal passa à frente da Espanha, Polónia, Eslováquia.

 O PIB em 2060 sobe 36% em relação ao cenário de base

 Portugal passa de um rácio do PIB per capita em 2018 de 78% do PIB da EU-27 para 83% em 2040 e 89% em 2060

 Em relação à Alemanha o rácio sobe de 63% em 2018 para 82% em 2060

 O PIB per capita sobe de 29% de 2018 a 2040, e de 143% em 2060

 

FATORES CRESCIMENTO

Reformas propostas e Impacto de nível em 2060 em relação ao cenário de base

O PIB per capita seria 30% mais elevado que no cenário de base

Os quatro maiores impactos resultariam da

  • liberalização do Mercado do Trabalho
  • mais inovação
  • aceleração do Investimento Público
  • reforma dos mercados do produto e serviços